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Suspeita de matar enteada de 8 anos fica em prisão preventiva

A mulher foi detida na quinta-feira depois de ter confessado o crime e ter indicado aos polícias o local onde deixou o corpo da menina de oito anos

A mulher de 48 anos detida pela suspeita de matar a enteada de 8 anos vai ficar em prisão preventiva, depois de ouvida no Tribunal de Vila Pouca de Aguiar, segundo a advogada de defesa.

A mulher foi detida na quinta-feira depois de, durante a madrugada, ter confessado o crime e ter indicado aos polícias o local onde deixou o corpo da menina de oito anos, estando indiciada pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver.

A família vive em Celeirós, concelho de Valpaços, e o crime terá ocorrido na serra da Padrela, já no município vizinho de Vila Pouca de Aguiar.

Por causa da localização do crime, a mulher foi hoje presente a um juiz no Tribunal de Vila Pouca de Aguiar que lhe aplicou a medida de coação mais grave, a prisão preventiva.

No final, a advogada de defesa da arguida, Mónica Teixeira, confirmou a aplicação da prisão preventiva, referindo que “há se estava à espera” e que a suspeita prestou declarações perante o juiz e que vai ser, agora, pedida uma perícia psiquiátrica.

Junto ao tribunal juntaram-se dezenas de populares, que gritaram contra a madrasta e verificou-se um reforço de elementos da GNR, que acompanharam a saída da arguida para o carro da Polícia Judiciária.

A suspeita segue para a prisão feminina de Santa Cruz do Bispo, onde vai aguardar o julgamento.

"Ela colaborou, tentou, desde que caiu nela, ainda com os inspetores da PJ, colaborar, ajudar ao máximo na investigação e na recolha de toda a verdade material para o processo", afirmou.

Também hoje, acrescentou a advogada, "falou em sede de primeiro interrogatório, confessou muitos dos factos que estavam neste processo, mostrou muito arrependimento".

"Não se sabe porque é que o fez, não era essa a intenção dela, desde já o facto de colaborar não minimiza, não apaga a morte de uma criança. A defesa desde o primeiro momento que está completamente solidária, este é um crime horrível, é um crime muito, muito grave, e o facto de colaborar não quer aqui fizer que se apague, não paga", referiu.

Mónica Teixeira disse ainda que será necessário verificar melhor o contexto familiar em que a arguida estava inserida, falando numa situação de "violência doméstica sobre ela e sobre o filho menor", não havendo queixas, mas alguns desabafos com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

A advogada referiu ainda que a arguida "não sabe explicar" o porquê do crime. "Não sabe explicar e diz que não era ela naquele momento. Tem vindo a apresentar um quadro clínico bastante alterado, justificou com isso e o culminar foi aquele momento", contou ainda.

Na quinta-feira, em conferência de imprensa, o diretor da PJ de Vila Real, David Martins, explicou que há indícios de que a menina terá sido asfixiada pela madrasta, no entanto advertiu que as causa das morte terão de ser confirmadas pela autópsia ao cadáver.

“Tudo indica que será uma questão de vingança”, avançou, referindo que o casal estava junto há cerca de cinco anos, com várias separações pelo meio.

Disse ainda que o crime foi premeditado, num contexto de desavenças entre a mulher e o companheiro, e que a situação que terá levado a este desfecho poderá ter acontecido no domingo, aquando da visita de um filho da suspeita, que se encontra institucionalizado por mau comportamento em Bragança.

Acrescentou que, na casa da família, o rapaz terá empurrado a mãe, o padrasto interveio, mas a mulher não terá gostado desta atitude do homem.

Na quarta-feira, a menina apanhou o autocarro para ir para a escola, onde não chegou a entrar porque a madrasta a foi buscar, levando-a posteriormente para a serra onde terá concretizado o crime.

Junto ao corpo da menina foi encontrada a mochila.

A investigação da PJ começou depois do pai da menina ter apresentado queixa no posto da GNR de Carrazedo de Montenegro ao final da tarde de quarta-feira, quando percebeu que a criança não regressou da escola como habitualmente às 18:00.

Junho 19, 2026 . 19:45

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