
População de sardinha quadruplicou na última década
A população de sardinha quadruplicou na última década, fruto de alterações de gestão, que também beneficiaram o atum-rabilho ou a pescada, segundo um relatório hoje conhecido.
A propósito do Dia Mundial dos Oceanos, que hoje se assinala, a organização “Marine Stewardship Council” (MSC) divulgou dados do relatório “Fishing for the Future” (Pescar para o Futuro), no qual se indica que a sardinha quadruplicou praticamente a população adulta desde 2015.
O relatório aponta também outros casos de sucesso, como o atum-rabilho do Atlântico oriental, que estava à beira do colapso no fim do século passado e que recuperou para os níveis mais altos desde a década de 1960 “graças a um plano de reconstrução com regras rigorosas para os países que o capturam”.
O mesmo com a pescada, que nos anos 1990 estava sobre-explorada e que agora recuperou para níveis saudáveis com alterações na gestão, como o aumento da malhagem das redes.
“Os exemplos deste relatório mostram como é possível progredir em contextos distintos quando a ciência, o compromisso político e as partes interessadas trabalham de mãos dadas”, diz no prefácio do documento Manuel Barange, diretor de Pescas e Aquicultura da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O MSC, num comunicado, afirma que os dados contrastam com a convicção de muitos portugueses (quatro em cada 10) de que a população de peixes não recupera uma vez que tenha sido sobre-explorada.
São dados, diz-se no comunicado, que fazem parte de um estudo da organização internacional, titular do “selo azul”, que indica que os produtos que o ostentam provêm de pesca sustentável.
Entre os portugueses inquiridos, apenas 33% sabem que as populações de peixes podem efetivamente recuperar, enquanto 28% admitem não saber.
Outros dados do estudo indicam que cerca de 85% dos portugueses sabem que o oceano cobre mais superfície do planeta do que a terra firme e 71% tem consciência de que existe hoje mais sobrepesca do que há 50 anos.
No entanto mais de metade dos inquiridos (58%) não sabe de que oceano provém a maior parte do atum consumido no mundo, e 38% desconhece que a zona mais profunda do oceano ultrapassa em profundidade a altura do Evereste.
As alterações climáticas, a poluição e o declínio das populações de peixes figuram entre as principais inquietações dos cidadãos, indica também o estudo.
O MSC é uma organização internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões reconhecidos em todo o mundo para a pesca sustentável e a cadeia de fornecimento de produtos do mar.
O Dia Mundial dos Oceanos alerta este ano para a importância de uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) que "restaure ecossistemas", lembrando que "todas as nações dependem de oceanos saudáveis".
Reconhecido pelas Nações Unidas desde 2008, o Dia Mundial dos Oceanos envolve mais de duas mil organizações em 180 países e este ano a efeméride tem como tema "Áreas Marinhas Protegidas Robustas para o Nosso Planeta Azul".







