
Associação luso-canadiana atribui 6.700 euros em bolsas a 12 estudantes
A Associação dos Estudantes Portugueses da Universidade de Toronto atribuiu hoje 10.500 dólares canadianos (6.700 euros) em bolsas de estudo a 12 estudantes luso-canadianos, numa iniciativa para apoiar o acesso ao ensino pós-secundário e incentivar a participação na comunidade portuguesa.
“A comunidade portuguesa precisa dos jovens para continuar no Canadá”, declarou à Lusa o presidente da Associação dos Estudantes Portugueses da Universidade de Toronto (UTPA), Peter Benevides, durante a 42.ª Gala Anual de Bolsas da organização.
Filho de emigrantes açorianos, Benevides defendeu que a educação continua a ser um dos principais instrumentos de progresso social da comunidade portuguesa no país e recordou o contributo das gerações que ajudaram a construir a presença lusa no Canadá.
“Os portugueses, quando vieram para o Canadá, contribuíram bastante para a nossa economia e precisam de continuar. Vemos que há muitas universidades que têm poucos portugueses e nós queremos dar oportunidades aos estudantes portugueses para estudarem onde quiserem”, salientou.
Segundo o responsável, o aumento dos custos da educação e da habitação em Ontário continua a dificultar o acesso de muitos jovens ao ensino superior.
“Às vezes as pessoas pensam que não conseguem ter educação superior e, por causa do custo da educação aqui no Ontário, vários jovens escolhem um caminho sem educação superior. O que nós queremos fazer é tornar essa escolha mais fácil para os estudantes”, observou.
A UTPA distribuiu este ano 10.500 dólares canadianos através do seu programa de bolsas, apoiado por empresários, patrocinadores e organizações da comunidade portuguesa.
“Não é só pelos jovens. Os jovens contribuem para a nossa economia e vão prestar serviços à nossa comunidade. Muitos serão médicos, enfermeiros, advogados ou outros profissionais que poderão servir a comunidade portuguesa e os nossos idosos”, acrescentou.
Entre os bolseiros encontram-se estudantes da Universidade de Toronto, Universidade de Otava, York University, Queen’s University, Toronto Metropolitan University e de várias escolas secundárias do Ontário.
Leonor Ribeiro das Neves, estudante de Ciências da Saúde na Universidade de Otava, recebeu a distinção com entusiasmo e destacou o apoio recebido da comunidade portuguesa desde a sua chegada ao Canadá há dez anos.
“Nasci em Oeiras e vim para o Canadá sem saber inglês. Esse foi o meu maior desafio”, recordou a estudante de 21 anos, que atualmente leciona português em Otava e pretende prosseguir estudos de pós-graduação na área da saúde.
Também Daniela Alves Braga, estudante de Psicologia na York University, explicou que pretende seguir uma carreira em neuropsicologia e ajudar portugueses com dificuldades linguísticas a aceder aos serviços de saúde.
“Quero ser uma ponte entre o sistema de saúde e os indivíduos portugueses, ajudando-os a compreender melhor aquilo de que precisam”, referiu.
Já Auriana Sofia Valente da Costa, estudante de Matemática na York University, apontou a bolsa como um incentivo importante para continuar o seu percurso académico e prosseguir o objetivo de se tornar professora.
A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, considerou que a educação e a preservação da língua portuguesa devem caminhar lado a lado entre as novas gerações luso-canadianas.
“A educação é fundamental para alargar os nossos horizontes, para nos equipar culturalmente para o mundo de amanhã, para a diversidade, para a mobilidade das carreiras e para a própria inteligência artificial”, sustentou.
A diplomata salientou que o português deixou de ser apenas uma língua de herança para assumir um papel crescente no contexto internacional.
“Com mais educação deve vir também a preservação da língua portuguesa e o cultivo da língua portuguesa, que hoje não é apenas uma língua de identidade e de herança, mas também uma língua global e internacional”, acrescentou.
O deputado federal Charles Sousa, orador principal da gala, enquadrou os estudantes distinguidos como parte de uma nova etapa da história da comunidade portuguesa no Canadá.
“Há três fases que estou a ver. A primeira foram os pioneiros que vieram para cá, abriram portas e fizeram os sacrifícios necessários para criar oportunidades para os seus filhos. A segunda geração manteve ainda mais alto o nosso estandarte lusitano. A terceira fase é o futuro, e esse futuro está aqui”, declarou.
Segundo o deputado, os jovens luso-canadianos continuam ligados às suas raízes e demonstram um crescente compromisso com a educação e a participação comunitária.
“Eles podem não falar muito português, mas têm um enorme carinho pela nossa cultura. Sabem a força da nossa História à volta do mundo e vão continuar essa história para todos nós”, frisou.
Charles Sousa encerrou a sua intervenção com uma reflexão sobre a importância do conhecimento para as gerações futuras.
“A educação é a nossa melhor arma. A minha avó dizia que o saber não ocupa lugar. Mais tarde corrigiu-se e disse que ocupa, sim: ocupa o lugar da ignorância. Quando aprendemos mais percebemos que ainda há muito para saber. E as gerações que vêm depois de nós vão saber mais do que nós. É isso que nos faz avançar”, concluiu.







