
Sonny Rollins, saxofonista e lenda do jazz, morre aos 95 anos
Não foi indicada causa específica de morte, mas a fonte referiu que o músico estava praticamente confinado à casa onde morava em Woodstock, Nova Iorque, nos últimos anos devido a vários problemas de saúde.
Reverenciado pela capacidade de improvisação, Rollins era um dos últimos grandes nomes vivos da era bebop e — juntamente com John Coltrane e Charlie Parker — um dos músicos mais influentes do saxofone.
Nascido no Harlem a 07 de setembro de 1930, Rollins cresceu no seio de uma família de músicos. Aos 11 anos convenceu os pais a comprar-lhe um saxofone alto, mas rapidamente passou para tenor. Autodidata, tornou-se presença assídua nos clubes noturnos da cidade.
Teve a primeira grande oportunidade ainda adolescente, ao ser convidado para integrar a banda de Thelonious Monk, tendo tocado mais tarde com Miles Davis e Bud Powell.
No entanto, a sua carreira quase se perdeu devido ao consumo de heroína. Cumpriu penas de prisão e viveu nas ruas de Chicago antes de se internar para tratamento em 1954, experiência que descreveu como um despertar espiritual.
Em 1956 lançou Saxophone Colossus, obra que o consagrou como um dos grandes do jazz.
Seguiram-se álbuns marcantes como Way Out West e Freedom Suite. No auge da popularidade, retirou-se para praticar sozinho durante dois anos na ponte de Williamsburg, em Nova Iorque.
Uma viagem ao Japão levou-o ao Zen Budismo e um novo afastamento do mundo da música, regressando em 1972, ainda como lenda, passando a atuar em grandes salas de concertos mundiais.
Os fãs de rock conheceram a sua música através do álbum dos Rolling Stones de 1981, Tattoo You, que inclui o solo melancólico de Rollins na balada Waiting on a Friend, criado após observar Mick Jagger dançar.
Nas décadas de 1990 e 2000 lançou álbuns aclamados pela crítica, manteve uma disciplina rigorosa de prática e continuou a digressões até aos 80 anos.
O álbum This is What I Do (2001) valeu-lhe um Grammy de melhor álbum instrumental de jazz. Uma fibrose pulmonar acabaria por forçá-lo a retirar-se, com um último concerto em 2012. Deixou de tocar em 2014.
Apesar do sucesso duradouro, Rollins nunca se mostrou totalmente satisfeito com a sua arte, interrompendo por vezes a carreira e adotando estilos ecléticos.
Deixou também muitas gravações inéditas, mas dizia não se preocupar com o destino delas.
"Depois de sair deste planeta não vou ter voto na matéria. Eu sofro muito com a minha música mas não vou ter de sofrer mais, graças a Deus", disse numa entrevista ao jornal New York Times em 2020.








