
UDACA celebra a vida aos 60 anos com homenagens e um brinde ao Dão
O vinho é muito mais do que um copo na mão para um qualquer brinde ou momento de convívio. Ele é memórias, é emoção, experiências que se vão guardando ao longo da vida. Umas boas, outras nem por isso quando os excessos falam mais alto. É homenagens e reconhecimentos. E as comemorações dos 60 anos da UDACA, realizadas no dia 21, são disso um excelente exemplo.
Seis década marcadas por pessoas como José Maria Pinto Lobo (o primeiro presidente), Armando Correia Teles, Fernando Augusto Moreira, João Carlos Calheiro, João Barbosa Monteiro, Afonso Lopes Loureiro e Fernando Pais Lopes de Figueiredo que antecedeu o atual presidente, António Mendes.
“Cada um deles contribuiu para consolidar este projeto coletivo”, como afirmou o atual presidente, reconhecendo que estes “60 anos são muito mais do que uma data”.
“Eles representam gerações de trabalho, visão coletiva, perseverança e compromisso com o território, milhares de viticultores, dezenas de dirigentes cooperativos, técnicos, colaboradores e parceiros que ao longo de décadas ajudaram a construir esta instituição profundamenta ligada à história do Dão”, afirmou.
Considerando que a UDACA não é apenas uma estrutura vitivinícola, António Mendes afirma-a como “uma construção coletiva de território, de pessoas e gerações tendo nascido num contexto exigente em que o movimento cooperativo assumia um papel determinante na organização da produção, na valorização dos agricultores e na sustentabilidade económica de milhares de famílias ligadas à vinha”.
Apontando as profundas transformações sofridas ao longos dos tempos, económicas, agrícolas e até sociais, António Mendes reconheceu que “a UDACA soube adaptar-se preservando as ligações às adegas, aos produtores, à identidade do Dão e à valorização de um património comum”. Uma marca também realçada pelo presidente da Confagri.

“O setor cooperativo tem de ser reconhecido”
Começando por pedir uma salva de palmas para os “homens que estão na terra e que são a razão” de se comemorarem momentos como os 60 anos da UDACA, o presidente da Confagri, Idalino Leão, não teve medo das palavras nem das sugestões que espera sejam ouvidas pelo Governo.
Sem medo de “radicalismos verdes”, Idalino Leão assumiu que “quando se fala de agricultura, fala-se de economia, de turismo, de gastronomia, de coesão e também de saúde”.
É certo que gostava que se falasse também mais de educação. “O que se diz dos agricultores nos manuais escolares das nossas crianças devia ser revisto porque o que se diz não é o que se pratica hoje na agricultura. E hoje temos crianças que, pelo facto de serem filhos de agricultores, muitas vezes sofrem bullying nas escolas”, alertou, defendendo que “compete à tutela corrigir esta situação”.
Mas quando se fala em agricultura também se fala de ambiente e por isso o presidente da Confagri garantiu que “o agricultor não é o mau da história, mas sempre foi quem sofreu o primeiro impacto das alterações climáticas”, numa realidade onde defende maiores sinergias entre os dois ministérios: Agricultura e Ambiente.
E porque estava em maré de desabafos, Idalino Leão pediu para que se olhe para a taxa da Sociedade Ponto Verde, “algo que está a retirar valor às cooperativas, aos agricultores”. Quanto ao peso da UDACA, o dirigente defende que esta “terá de ganhar cada vez mais escala e para isso é necessário que seja reconhecida a importância do setor cooperativo que não é algo do passado”.
Porquê? “Porque quando bebemos um copo de vinho é mais do que uma simples bebida. É gente e território que estamos a falar e é disso que estamos para acautelar”.
Um reconhecimento que mereceu a concordância de todos os oradores tendo em conta a importância de um setor que é pilar do desenvolvimento deste território e que é garantindo por pessoas, como o fez o presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo, o ex-ministro Arlindo Cunha e o próprio ministro da Presidência que contou memórias de um menino desta região onde o vinho - em garrafões de palha, de vidro, em garrafas ou mais recentemente em bag in box - integra desde sempre a sua tradição e cultura.
E também a sua consciência tão evidente nas homenagens feitas na cerimónia: a Mário Soares que o seu filho João Soares representou com um humor refinado e com as memórias criadas nas visitas a estas terras, e a Arlindo Cunha que, coincidências à parte, tomou posse como secretário de Estado a 21 de maio de 1986.
Dia em que, oito anos depois saiu do Governo como ministro da Agricultura. E foi nesse papel que inaugurou as atuais instalações da UDACA.







