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Festival quer pôr Viseu a pensar as fronteiras através da arte

A 1.ª edição da bienal “What’s Beyond That Border?” está a chegar às ruas de Viseu, com a presença de 50 artistas e mais de duas dezenas de atividades

A ideia nasceu de uma escadaria. Ou, pelo menos, ganhou forma ali. Há cerca de um ano, Romulus Neagu passava pelas escadarias de São Teotónio quando reparou num grupo de jovens reunidos num dos patamares.

“Não faziam mais nada a não ser ouvir música e dançar”, recordou ontem, durante a apresentação da programação da 1.ª edição da bienal “What’s Beyond That Border?”. Uns paravam, outros seguiam caminho. E isto “é uma vivência da cidade”

É nesta lógica de passagem, mas também de encontro, que o festival quer instalar-se nas ruas de Viseu, entre 21 e 31 de maio. Com mais de duas dezenas de atividades, entre exposições, oficinas, conferências e espetáculos, o projeto ocupará sobretudo as escadarias de São Teotónio, mas também a rua Formosa e a rua da Paz, numa tentativa assumida de aproximar a criação artística do quotidiano da comunidade.

A missão é apenas uma: “Fazer com que este festival faça parte do dia a dia das pessoas”, resumiu o diretor artístico, descrevendo uma programação pensada para decorrer em horário diurno e longe da ‘formalidade’ das salas de espetáculo.

A proposta parte da migração e das políticas de acolhimento, mas o objetivo é alargar o significado da palavra fronteira. “Não apenas a linha territorial ou geográfica”, mas também aquela que “está dentro de nós enquanto pessoas, indivíduos da comunidade”, explicou, frisando que este é “um desafio relativamente à forma como estamos a ver a cidade, como sentimos e como olhamos para o desenvolvimento da nossa comunidade e como vivemos dentro do espaço urbano”.

E, por isso, esta programação inclui um conjunto de conferências que procuram prolongar a reflexão sobre migração, identidade e convivência para diferentes esferas da vida social. O futebol será uma delas.

A 23 de maio, Miguel Cardoso junta-se a atletas do Académico de Viseu para uma conversa sobre “O futebol e o racismo, dentro e fora do campo”, uma oportunidade para pensar “o multiculturalismo, a interculturalidade dentro de um universo específico”

A música entrará também nesta conversa sobre fronteiras. A 29 de maio, numa parceria com a Associação PROVISEU e o Conservatório Regional de Música Dr. Azeredo Perdigão, a conferência ‘Vozes sem Fronteiras’ propõe uma homenagem a Elizette Bayan, cantora viseense.

A colaboração com o conservatório o prolonga-se até ao encerramento da bienal. Entre 29 e 31 de Maio, José Baessa de Pina, conhecido como Sinho, desenvolverá uma residência artística com alunos da instituição, explorando encontros entre música clássica e sonoridades urbanas. O projeto contará também com a participação do MC Goya, artista ligado ao bairro das Fontainhas, em Lisboa.

Já nas chamadas tiny sessions ‘People like us 3.0’, pequenas performances espalhadas pela cidade, profissionais e participantes amadores vão cruzar experiências pessoais através da música, da dança ou do teatro, iniciativas com duração de cerca de 20 minutos.

Para José Carreira, presidente das Obras Sociais de Viseu, a bienal representa também uma tentativa de ultrapassar fronteiras dentro da própria intervenção social.

“A complexidade hoje dos desafios sociais não vai ter uma resposta efetiva se não for multidisciplinar”, afirmou, reconhecendo que “não vale a pena querer resolver problemas antigos com as mesmas receitas”, sendo a arte uma “nova ferramenta”.

Também a Junta de Freguesia de Viseu, parceira da iniciativa, destaca a importância desta resposta cultural numa cidade cada vez mais diversa. “Chegamos a ter aqui por dia, se for preciso, cinco ou seis nacionalidades a pedir atestados de residência”, afirmou Alberto Costa, defendendo o papel da cultura na integração.

Sem bilheteira, sem palco fixo e sem ‘pressa’ de multidões, a bienal prefere outro cenário: misturar-se com o movimento da cidade e acontecer no caminho de quem passa.

Maio 18, 2026 . 17:30

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