
Vouzela distinguiu quatro nobres referências da sua identidade coletiva
“Este dia e esta sessão solene, em especial, convoca-nos à memória e à reflexão, mas também nos convoca à celebração do que somos enquanto povo”. Foi assim que Carlos Oliveira abriu a sua intervenção e definiu o tom de uma sentida cerimónia de comemoração do Dia do Município de Vouzela.
O autarca exaltou a “identidade vouzelense”, enfatizando que “é em momentos como estes que reafirmamos que o valor da nossa terra não se mede apenas em números ou estatísticas, mas sobretudo nas pessoas e nas instituições que diariamente constroem o nosso concelho”.
Sublinhando o percurso e a obra de todos os homenageados, enalteceu o papel essencial do ex-autarca e hoje secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, no desenvolvimento do concelho, sobretudo quando este enfrentou alguns dos períodos mais difíceis da história, como foram os casos do incêndio de 2017, as tempestades Elsa e Fabian em 2019, ambos muito devastadores para o território, e a pandemia de covid-19.
“Primeiro como chefe de gabinete e depois como vice-presidente, acompanhei de perto esse percurso e foram tempos intensos, de enorme pressão, marcados por uma profunda e procura constante de soluções e respostas para os problemas imediatos. Mas Rui Ladeira nunca perdeu de vista o que era mais importante para o concelho e o bem-estar das populações, pautando a sua atuação com elevado sentido de responsabilidade e de compromisso com a causa pública”, referiu.
O legado de Rui Ladeira
Carlos Oliveira destacou a obra deixada pelo ex-autarca em áreas vitais como o turismo, valorização do património e do território, capacitação das zonas industriais, ao nível das infraestruturas básicas, rede viária, apoio aos empresários, regeneração urbana da vila, requalificação de equipamentos escolares, promoção dos produtos endógenos em eventos, musealização das torres medievais concelhias e dinamizaçao da atividade pecuária.
“Deste percurso, fica o sentido de missão cumprida, porque foi capaz de responder aos desafios mais exigentes deste ciclo de 12 anos. Sempre governou com competência, visão, rigor e exigência, e, hoje, Vouzela agradece-lhe de forma clara e sentida o seu contributo. Pela forma como serviu, com dedicação, proximidade e com sentido de responsabilidade, ficou um legado e um exemplo, fica a marca de quem deu tudo o que sabia e o que podia dar à sua terra, contribuindo de forma decisiva para o progresso, coesão social e para a melhoria das condições de vida da população”, asseverou, não deixando de ser comover durante o seu discurso sobre Rui Ladeira.
59 anos de sacerdócio
Sobre o padre António Sousa, o autarca realçou os seus 59 anos de dedicação ao sacerdócio no concelho de Vouzela, “destacando-se pelo seu compromisso de proximidade com a comunidade e pelo acompanhamento atento da vida espiritual das populações. Enquanto professor, contribuiu também para a formação de várias gerações e assumiu um papel ativo na liderança das diversas associações no nosso concelho”.
Foi igualmente realçado o contributo que deu em instituições como a Associação “Os Vouzelenses”, os bombeiros voluntários, onde foi presidente da direção, e na Sociedade Musical Vouzelense.
“Uma escola de excelência”
Fundada em 1976, a Escola Secundária de Vouzela afirma-se “como um reflexo da democratização do ensino após o 25 de Abril e uma das mais importantes conquistas coletivas do nosso concelho”. Carlos Oliveira enalteceu o percurso da escola até aos dias de hoje, vincando os pontos altos que fizeram dela “uma referência regional e nacional, pelos seus resultados académico”, tendo sido “pioneira na aposta na informática, lançando, em 1993, o primeiro curso técnico da área na região de Lafões”.
“Os seus resultados mostram que a partir de um concelho do interior, de baixa densidade, é possível construir uma escola de excelência, capaz de competir ao mais alto nível, sem perder a sua proximidade e sem perder a sua identidade. A Escola Secundária de Vozela foi e continua a ser um motor decisivo do desenvolvimento da nossa região”, enfatizou o autarca.
Dar voz à tradição de um povo
Por último, elogiou o grupo Vozes da Terra, por ser “mais do que um projeto musical, cumprindo a missão de dar voz à tradição, à memória e à identidade do nosso povo”.
“É um grupo que o concelho e toda a região acolhem com enorme carinho, fruto do trabalho e da qualidade da sua música. Ao longo de mais de três décadas, nunca deixou cair aquilo que o define, o respeito pelas raízes, compromisso com a cultura e a vontade de partilhar com os outros aquilo que é nosso”, afirmou.
A concluir, Carlos Oliveira sustentou que a edilidade tem o dever “de reconhecer e de valorizar os cidadãos e as entidades que honram, prestigiam e promovem o nosso município”, adiantando que os quatro homenageados “deixam o seu nome ligado às mais nobres referências da nossa identidade coletiva”.
“A homenagem é coletiva”
Na sua intervenção, Rui Ladeira referiu que recebia a homenagem “com profunda emoção, com enorme gratidão e, acima de tudo, com um grande sentido de humildade”, porque “quem conhece verdadeiramente o poder local sabe que ninguém faz e gere um concelho sozinho, sem o envolvimento das pessoas, portanto, esta homenagem não é apenas minha, é coletiva, é de todos aqueles que ao longo dos anos deram muito tempo da sua vida ao serviço público, ao coletivo e à nossa comunidade”.
O membro do Governo, que liderou a Câmara Municipal de Vouzela durante três mandatos, mostrou-se bastante sensibilizado com a homenagem que a sua terra lhe prestou, terminou a sua intervenção dizendo que “as funções passam, os mandatos terminam e os cargos são temporários. Mas o legado que fica no meu coração é o trabalho humano, é a marca que deixamos nas pessoas, é a forma como tratamos os outros, é a capacidade de unir, é o respeito pelas instituições, é o amor à terra, é a esperança que ajudamos a construir”.














