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Greve na cadeia de Vale de Judeus prolonga-se até ao final de junho

A greve continuará a ser total com serviços mínimos decretados

A greve dos guardas prisionais na cadeia de Vale de Judeus, iniciada a 10 de março, vai prolongar-se até 30 de junho e tem tido uma adesão superior a 90%, disse hoje à Lusa fonte Sindical.

Em declarações à agência Lusa, João Contente, da direção do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), que decretou a greve que tinha final previsto para quinta-feira, disse que a paralisação vai prolongar-se até junho porque se mantém a falta de condições de segurança que levaram à fuga de cinco reclusos em 2024, entretanto recapturados.

No novo pré-aviso de greve, além do reforço da segurança, reivindicação que já constava na greve iniciada em março mas que ainda não foi resolvida, constam ainda como motivos o excesso de atividades desnecessárias e a reestruturação dos horários de funcionamento daquele estabelecimento prisional, segundo o dirigente sindical.

A greve continuará a ser total, com serviços mínimos decretados, explicou o sindicalista, com os reclusos que não têm atividades (não estudam, nem trabalham) a ter o horário de pátio reduzido e a ficar nas respetivas celas 22 horas por dia.

A redução dos horários de pátio mantém-se como uma das reivindicações desta greve, à semelhança daquilo que aconteceu na cadeia do Linhó, onde os reclusos sem atividades viram os seus horários reduzidos.

João Contente adiantou à agência Lusa que ainda não foram colocados os inibidores de sinal [de telecomunicações, que bloqueiam o uso de telemóveis e de drones], assim como as novas redes de proteção e separação dos reclusos e a reconstrução das duas torres de segurança anunciadas pela tutela.

Quanto aos inibidores de sinal, o sindicalista afirmou que já fora iniciados os trabalhos, mas que o material necessário ainda não chegou, alegadamente por estar retido devido ao fecho do estreito de Ormuz, e a redes de segurança já foram adquiridas, mas ainda não estão instaladas.

Relativamente à reconstrução das duas torres de vigilância, João Contente afirmou que foi aberto concurso pelo Governo, mas que não houve concorrentes.

O dirigente sindical acrescentou que apesar dos mais de 90% de adesão à greve, a cadeia de Vale de Judeus “tem estado a funcionar”, uma vez que redução dos horários dos reclusos e o desfasamento das idas aos pátio, permite o controlo por menor número de guardas prisionais, que também têm prestado trabalhos de vigilância/controlo às obras em curso.

O número de visitas também foi reduzido para todos os presos, que “passam a ter só uma por semana”, acrescentou na altura o SNCGP, referindo que a greve terá tido impacto nas idas dos reclusos a consultas e a tribunal.

Uma greve idêntica e também com semelhante percentagem de adesão está a decorrer no Estabelecimento Prisional de Setúbal até ao final do ano, após a renovação do pré-aviso há cerca de um mês.

Abril 29, 2026 . 20:15

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