
“O avanço da área da cannabis depende da coragem de quem investiga, regula e produz”
Especialistas, investigadores, empresários, estudantes e outras entidades reuniram-se hoje na Aula Magna do Instituto do Politécnico de Viseu (IPV) com um único objetivo: aprofundar o conhecimento sobre a cannabis, num congresso da Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV), marcado pela partilha de perspetivas científicas e económicas em torno de um tema cada vez mais presente na sociedade.
A sessão de abertura, presidida pelo secretário de Estado da Agricultura, João Moura, contou com a presença do vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, Vasco Estrela, do presidente da ESAV, Hélder Viana, e da representante da Comissão Organizadora, Daniela Costa.
“Este encontro representa não apenas um marco científico e tecnológico, mas também um sinal claro de maturidade, responsabilidade e visão estratégica com que, em Portugal, se aborda um tema de crescente relevância global”, começou por dizer a investigadora e docente do IPV, Daniela Costa, adiantando um compromisso com “a construção de um ecossistema sólido e inovador”.
Considerando que “o avanço desta área depende da coragem de quem investiga, de quem ensina, de quem regula e de quem produz”, a responsável garantiu que “cada intervenção neste congresso contribui para elevar o nível científico e profissional do setor”, uma vez que “o sucesso de um evento desta dimensão resulta sempre do empenho coletivo”.
Numa realidade em que a cannabis e o cânhamo industrial “exigem rigor científico, responsabilidade social e uma visão integrada do futuro”, Daniela Costa frisou ainda a importância de “celebrar a união de esforços, o compromisso da qualidade e a vontade de construir conhecimento sólido”.
Também o presidente da ESAV reconheceu que “este tema é muito relevante e que liga não só à agricultura, mas também outras áreas como é parte da farmácia, e, portanto, demonstra bem que a Escola Superior Agrária de Viseu é uma instituição que liga várias áreas do conhecimento e se implanta no território em vários setores”.
E, na sua opinião, “é com este tipo de valências que mostramos que a nossa escola não é só agricultura tradicional, mas tem muito de tecnologia”, assinalou Hélder Viana, assegurando que a instituição está a trabalhar para trazer “alguma formação na área das ciências farmacêuticas”.
Já o presidente do IPV, José Costa, fez questão de referir que “a nossa Escola Superior Agrária de Viseu é uma das maiores referências na qualidade com o trabalho que desenvolve na área de investigação e os seus diferentes projetos nacionais e internacionais”. “É um exemplo extraordinário daquilo que é o empenho institucional para nos ajudar a crescer. Costumamos dizer que do IPV vê-se o mundo, mas vê-se mesmo o mundo e, curiosamente, o mundo também vê o IPV”, frisou.
E, por isso, “que tenhamos os pés assentes sobre aquilo que queremos, sabemos que queremos investigar no âmbito da cannabis, sabemos o potencial, mas temos que ser fortes na forma como exercemos o nosso lugar de cidadania, isso é crucial”, defendeu.
Uma ideia partilhada pelo vice-presidente da CCDR Centro que, na sua intervenção, reforçou a importância de criar mais conhecimento e desmistificar ideias pré-concebidas. “Estamos disponíveis para colaborar com a Comissão Organizadora e com as empresas e com os ativos do setor, colaborar para que consigamos ter mais e melhor conhecimento relativamente a esta temática”, acrescentou.
A terminar a sessão, o secretário de Estado da Agricultura defendeu que, cada vez mais, é preciso “criar condições para que haja mais gente a sentir-se entusiasmada para vir para este ramo de atividade de agricultura, por exemplo, a produzir cannabis para fins medicinais”.








