
Donald Trump insiste sobre "zero ajuda" da NATO na guerra no Irão
O Presidente norte-americano insistiu hoje que Washington recebeu “zero ajuda” da NATO na guerra no Irão, questionou novamente os gastos militares dos Estados Unidos na Aliança Atlântica e criticou a falta de investimento dos aliados.
“Não recebemos qualquer ajuda, zero por parte da NATO. Nós estamos lá para eles, eles não estão lá para nós”, afirmou Donald Trump numa entrevista ao canal de televisão Fox, na qual voltou a criticar os aliados por não se envolverem na ofensiva contra o Irão.
Os membros da Aliança Atlântica deviam ter acordado um destacamento, dado que a operação militar no Irão é pequena, numa referência ao pedido de uma missão naval para controlar o estreito de Ormuz, disse.
“Porque gastamos centenas de milhares de milhões de dólares por ano na NATO se não vai estar ao nosso lado?”, questionou.
Trump reiterou que as despesas militares de Washington são muito superiores, em comparação com as dos restantes aliados.
“É ridículo. Deviam ter feito melhor”, afirmou sobre o investimento na defesa e a recusa em participar numa missão na zona, garantindo que isso faz prever que, no futuro, os aliados de Washington “não estarão envolvidos em assuntos muito mais importantes do que o Irão”.
Já o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, comunicou aos países-membros da Aliança que Donald Trump espera "compromissos e ações concretas", depois de se ter reunido com o republicano em Washington, na semana passada.
Depois de admitir que existem tensões entre os parceiros, Rutte indicou que a Aliança atlântica pode desempenhar "um papel" na estabilidade do estreito de Ormuz.
Depois do anúncio de uma trégua e o subsequente fracasso das conversações com Teerão no fim de semana, Trump anunciou um bloqueio naval aos portos iranianos, que entrou em vigor na segunda-feira.
O Irão bloqueou 'de facto' a estreita passagem marítima do golfo Pérsico, crucial para o transporte de petróleo, em resposta à guerra contra o país declarada em 28 fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.
Donald Trump, que ameaçou repetidamente retirar-se da NATO devido à falta de apoio da organização na guerra com o Irão, indicou que o descontentamento com a NATO "começou com a Gronelândia".
"Lembrem-se da Gronelândia, aquele enorme e mal gerido bocado de gelo", concluiu Trump numa mensagem publicada nas redes sociais depois do encontro com Rutte, na passada quarta-feira, numa aparente referência à escalada de tensões em janeiro, quando afirmou não excluir o uso da força para tomar a ilha, território autónomo da Dinamarca, o que irritou muitos aliados.
O secretário-geral da NATO transmitiu no final da reunião, realizada à porta fechada, que Trump se mostrou "claramente dececionado" com a Aliança, mas também "foi recetivo" durante o encontro.
Questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos se retirarem da NATO, como Trump já ameaçou, o secretário-geral da Aliança não respondeu diretamente e, em vez disso, repetiu que o chefe de Estado norte-americano lhe transmitiu estar dececionado, embora saudando a "conversa franca" que ambos mantiveram.








