
Câmara da Guarda diz que processo do Hotel Turismo não precisa de “tiros de pólvora seca”
O presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, disse hoje que o processo do Hotel Turismo deve ser “bem tratado” e não precisa que “se andem a pôr em bicos de pés” ou aos “tiros de pólvora seca”.
As críticas foram feitas durante a reunião quinzenal do executivo municipal, realizada hoje, dia em que deveria ter sido publicado – o que não se verificou – o anúncio do concurso público para a reabilitação e concessão daquela antiga unidade hoteleira, encerrada desde 2010.
A data tinha sido anunciada pelo secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, em 18 de março, durante a audição na Comissão da Economia e Coesão Territorial, no Parlamento.
No final da reunião, Sérgio Costa (Nós, Cidadãos!) revelou aos jornalistas que já sabia que a abertura do concurso público para o Hotel Turismo não seria publicada hoje.
“A publicação está para ser marcada porque, por uma questão técnica e legal, hoje não foi possível, portanto aguardamos ansiosamente que possamos dizer qual é a data para lançar o concurso”, adiantou.
O presidente da Câmara da Guarda especificou que o concurso se destina, além da requalificação, ao arrendamento, com opção de compra, do imóvel da autoria do arquiteto Vasco Regaleira.
“Já recebi vários empresários interessados no Hotel Turismo, portanto é preciso dar tempo ao tempo, por as coisas a mexer e não haver forças de bloqueio, como houve no passado, e outros interesses, quiçá”, afirmou.
Para Sérgio Costa, é tempo de colocar “o supremo interesse da salvaguarda do património da Guarda acima de todos os outros e abrir este Hotel Turismo, esta joia da coroa, este diamante por lapidar, e colocá-lo ao serviço de Portugal”.
O autarca lembrou que a unidade encerrou há quase 16 anos e atribuiu responsabilidades pelo impasse a todos “os ministros, secretários de Estado, presidentes de Câmara, vereadores e deputados da nação” desde então.
“Todos, sem exceção, têm culpas no cartório. Por isso, é um processo que deve ser bem tratado e ninguém deve pôr-se em bicos de pés. Eu não o fiz e já contribuí muito nestes quatro anos para tentar resolver a situação”.
Sérgio Costa considerou que é preciso “deixar que as coisas fluam de forma natural” e não voltar a “dar tiros de pólvora seca, que podem não dar em nada, como aconteceu no passado”.
António Monteirinho, vereador do PS, constatou que este foi “o segundo anúncio deste Governo” sobre o Hotel Turismo e acrescentou, com ironia, que “árvore que nasce torta tarde ou nunca se endireita”.
“Espero estar enganado e que abra o concurso, que haja um vencedor, que as obras possam iniciar-se e que o hotel seja devolvido aos guardenses e à cidade”, declarou.
Já Helena Saraiva, vereadora da coligação PSD/CDS/IL, que substituiu João Prata, apresentou um voto de congratulação por “uma solução que foi anunciada nos meios de comunicação social e que irá ser implementada” no Hotel Turismo da Guarda.
“Houve imensas iniciativas a partir de 2010, pelos diversos governos. Quem esteve mais tempo no poder apresentou mais hipóteses de solução, mas até hoje nunca surgiu a tal solução a contento do interesse da Guarda. Vamos ver se é desta”, realçou.
A vereadora espera que “tudo esteja resolvido a curto prazo” porque a Guarda tem défice de camas.
Inaugurado em 1947, o Hotel fechou portas em outubro de 2010. Em abril do ano seguinte a Câmara vendeu o imóvel ao Turismo de Portugal, para realizar um investimento estimado em 10 milhões de euros e reabrir como Escola de Hotelaria e Hotel de Aplicação.
Em 2012, o Governo PSD/CDS desistiu do projeto e os Governos seguintes, do PS, optaram por integrar o imóvel no programa REVIVE – Reabilitação, Património e Turismo.
Entre 2017 e 2021 foram feitas três tentativas de concessão, mas sem sucesso. Em 2022, o imóvel foi desafetado do programa, tendo sido integrado na rede de Pousadas de Portugal no ano seguinte.
Em dezembro de 2025 foi revogado, por mútuo acordo, o contrato de arrendamento que o Turismo de Portugal tinha celebrado com a ENATUR, voltando o processo à estaca zero.








