
Primavera e o mundo ecoam em Viseu com o Festival Internacional de Música
A 19.ª edição do Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu já tem datas marcadas e promete voltar a encher a cidade de sons variados entre 2 e 26 de abril. Organizado pelo Conservatório de Música Dr. Azeredo Perdigão, o evento assinala este ano os 130 anos do nascimento de Azeredo Perdigão, figura que dá nome à instituição.
O programa vai além do que é habitual, já que o festival “não contempla só a música clássica erudita que todas as pessoas esperam” e “vai mais longe, com a apresentação de música mais moderna e contemporânea”, como sublinha o diretor pedagógico, José Carlos Sousa.
Nesse espírito, estão previstos concertos com o Sond’Ar-Te Electric Ensemble, que trazem ao público três peças em estreia absoluta, sob a direção do maestro francês Guillaume Bourgogne. A vertente contemporânea estende-se ainda às atuações dos Síntese e dos Drumming, este último com o espetáculo “Archipelago”.
Com um orçamento de 180 mil euros, o evento conta com o apoio principal da Câmara Municipal de Viseu, que assegura 100 mil euros através do programa Eixo Cultura.
Entre os momentos de destaque surge também a estreia em Viseu do “Quarteto para o Fim dos Tempos”, de Olivier Messiaen, uma obra que, como refere José Carlos Sousa, “tem muito a ver com os tempos atuais que se vivem”.
O arranque e o encerramento ficam a cargo de orquestras. A abertura, a 2 de abril, será com a Orquestra XXI, considerada quase “da casa”, dirigida por Dinis Sousa, que este ano assume também o piano enquanto conduz a formação. Já o fecho, a dia 26, estará nas mãos da Orquestra das Beiras, dirigida por Jan Wierzba, num programa que inclui ainda vários outros grupos ao longo do mês.
O cartaz integra também nomes como Thomas Viloteau, Goran Krivokapić, Ahin Kim, vencedor do Concurso Internacional de Piano de Viseu, em 2025, Bogdan Dugalić e Máximo Klyetsunm, entre outros artistas convidados.
Outro dos pontos fortes do festival são os concertos protagonizados por alunos laureados do conservatório, numa iniciativa que envolve toda a comunidade escolar, já que todos os estudantes são desafiados a participar num concurso interno.
Além dos espetáculos, o festival inclui ainda masterclasses, palestras, oficinas e acolhe, este ano, a sétima edição do concurso internacional de guitarra.
O programa completo já pode ser consultado online, e todos os eventos requerem bilhete, embora a organização sublinhe que os “três e seis euros não passam de ser um verdadeiro valor simbólico”.
Mantendo a vertente social, o festival volta também a levar música a quem não pode deslocar-se às salas de espetáculo, chegando a hospitais, lares, estabelecimentos prisionais, instituições de apoio a pessoas com deficiência e escolas.
Concurso Internacional de Guitarra é o “mais concorrido de sempre”
O Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu não se fica apenas pelos concertos e volta a apostar na vertente competitiva, com a sétima edição do Concurso Internacional de Guitarra.
A docente do conservatório Paula Sobral destacou que o concurso atinge este ano números inéditos, com “um número recorde de concorrentes”, fixado em 48.
Uma das grandes novidades é a criação da categoria destinada a jovens até aos 18 anos, que decorre a 6 e 7 de abril. Esta nova vertente reúne 15 concorrentes, maioritariamente de Portugal, mas também do Reino Unido, Espanha e Rússia. A competição divide-se em duas fases presenciais: uma eliminatória no conservatório e a final, marcada para as 19h do dia 7, na Igreja da Misericórdia.

Os prémios, como sublinha Paula Sobral, são apelativos: o primeiro classificado recebe 1.500 euros, o segundo mil euros e o terceiro 500, todos acompanhados por ofertas de parceiros, incluindo cordas Knobloch e, no caso do vencedor, o dispositivo Le Support.
Já na categoria profissional, que decorre entre 9 e 11 de abril, volta a registar-se uma forte adesão internacional, com 33 inscrições, também um número histórico. A diversidade de origens dos participantes é ampla — de países como Grécia, Japão, EUA, Cabo Verde ou Irão — algo que, admite a docente, surge “como uma surpresa devido ao contexto internacional atual”. No total, entre as duas categorias, estão representados 20 países.
Esta categoria inclui quatro fases: uma pré-seleção, cujos resultados serão conhecidos a 27 de março, seguida de duas eliminatórias, nos dias 8 e 9, no Museu Nacional Grão Vasco. A final está agendada para 11 de abril, às 21h, no Teatro Viriato.
Os prémios são ainda mais expressivos: o primeiro lugar recebe 7 mil euros, uma guitarra de concerto avaliada no mesmo valor e vários convites para atuar em festivais internacionais, como Bratislava, Sevilha e Fundão, além de uma presença futura no próprio festival em Viseu. O segundo e terceiro classificados recebem 3 mil e 2 mil euros, respetivamente, com apoios associados. Além disso, há distinções para o Melhor Concorrente Português e para o favorito do público, ambos no valor de 500€.
O júri é composto por 11 elementos de vários países, como Portugal, França, Eslováquia, Montenegro e Brasil, reforçando o caráter internacional da iniciativa.
Para Paula Sobral, este concurso assume-se como “um motor também de outras atividades”, destacando a sua organização consolidada e o papel central que desempenha dentro do festival.







