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“Quero marcar um novo ciclo naquilo que é a gestão autárquica em Tarouca”

José Damião Melo assumiu a presidência da Câmara de Tarouca com a ambição de marcar um novo ciclo na gestão autárquica, assente na sustentabilidade financeira, na melhoria da qualidade de vida dos munícipes e numa visão estratégica para o futuro de um território mais “inteligente, verde, social e próximo”

Apesar de já conhecer os “cantos” à casa, como é que encontrou a autarquia a nível financeiro?

Encontrei bem. Fui vice-presidente da câmara municipal durante doze anos e um dos meus pelouros eram as Finanças. Por isso, tudo o que fiz foi com o rigor e o olhar de quem quer um futuro melhor como todos os que estão nestas funções. Dizer que continua a ser uma casa com muitas dificuldades financeiras, as pequenas autarquias têm uma dependência enorme daquilo que são as transferências do Estado.

Quando entrámos em 2013, entrámos com um plano de saneamento financeiro ativo, neste momento, ainda está, terminará apenas em 2030. Hoje estamos bastante mais desafogados do que estávamos há doze anos, mas continuamos com problemas de tesouraria, de financiamento, mas completamente distintos.

Dizer que há doze anos, quando tentávamos pedir um empréstimo, nunca tínhamos sequer a possibilidade de o fazer porque a lei não nos permitia. Hoje já temos margem de endividamento e já estamos abaixo dos limites de endividamento. Conforme eu costumo dizer, haja vontade e capacidade de transformar e as coisas aparecem.

Na sua tomada de posse, focou muito o seu discurso na melhoria da qualidade de vida dos munícipes. Que medidas já estão a ser tomadas nesse sentido?

Não há nenhum autarca e, em Tarouca não é diferente, que não tenha como principal objetivo ver que os seus munícipes vivem bem, vivem felizes e têm aqui, neste território de baixa densidade, as mesmas oportunidades que têm noutros locais com outra dimensão e outras oportunidades. Por isso, quando falamos em melhoria da qualidade de vida, falamos obviamente em oportunidades iguais. Acho que o norte interior é um território que ainda tem muito para apresentar, tem muitas oportunidades, muitas delas ainda não estão sequer descobertas.

Temos que ter a vontade de transformar e fazer deste norte interior um território com mais oportunidades e mais qualidade de vida para quem aqui está e quem escolheu este sítio para viver. A verdade é que nós, até 2016, estivemos anualmente, desde os anos 80, a perder população.

Felizmente, Tarouca, desde 2016, todos os anos tem aumentado a sua população. Isto significa atratividade e também a capacidade que temos de chamar mais pessoas para o nosso território. Penso que estamos a fazer um bom trabalho naquilo que é a melhoria da qualidade de vida de Tarouca e não podemos parar.

José Damião Tarouca 15
“Tarouca tem que ser município charneira na área da digitalização e da inteligência artificial”

Se tiver que avaliar os três mandatos do seu antecessor, como é que os definiria?

São mandatos difíceis, mandatos em que o primeiro grande objetivo era a estabilidade das contas públicas. Estávamos com uma dificuldade no cumprimento das obrigações diárias. Era um mandato de fecho de um quadro comunitário que já estava em curso e que era preciso terminar e, entretanto, foi um mandato em que se lançou o Portugal 2020.

São três mandatos para executar o Portugal 2020, com uma dificuldade maior porque organizar um Portugal 2020 sem tesouraria é muito complicado. Era importante executar, mas é difícil executar sem meios. E, por isso, eu acho que o anterior executivo, do qual me orgulho ter feito parte, liderado pelo Valdemar Pereira, deu bem a volta e conseguiu fazer aquilo que muitos julgavam impensável. Esses três mandatos são marcados pela transformação da forma de viver em Tarouca.

Conseguimos que Tarouca se afirmasse não só por eventos culturais, mas também por eventos desportivos que não existiam até então. Eventos que passaram a ser eventos de cariz nacional e até alguns de cariz internacional, mas também com um conjunto de investimentos que vieram dar uma projeção a Tarouca que não tinha, do qual destaco a nossa zona ribeirinha, que veio dar um destaque ao nosso território que não existia.

Depois da vice-presidência, fazia sentido avançar com uma candidatura a presidente da câmara?

Não posso em nenhum momento omitir que este é o sonho. O sonho de ser presidente é um sonho que me persegue ou que eu persigo desde muito jovem. Fiz um caminho exatamente nesse sentido, mostrando às pessoas aquilo que eu pretendia e o que desejava para o nosso território.

Os 12 anos de vice-presidência ajudaram-me a que hoje chegasse com o conhecimento de pastas que não teria se não tivesse esses 12 anos. Também com um olhar para aquilo que era o querer das pessoas ou para aquilo que eram as oportunidades em Tarouca. Conheci melhor o território nestes 12 anos e conheci aquilo que eram as pretensões e os sonhos, que não são só meus, mas são de todas as pessoas que aqui vivem.

Se me dissessem em algum momento se é a mesma coisa ser vice-presidente ou ser presidente de câmara municipal, eu diria claramente que não, porque este é um novo ciclo. Eu quero marcar uma diferença clara entre o facto de ter sido vice-presidente e o facto de ser presidente de câmara. Esta divisão tem que existir porque a minha visão de território não é a mesma do anterior presidente de câmara, mas não é nem para melhor, nem para pior. Acho que a visão que tivemos para o território em 2013-2025, era o que o território precisava nessa fase.

Hoje, o mundo mudou, as exigências são outras, as pretensões dos nossos munícipes também são completamente distintas. E, por isso, sem quebrar com aquilo que era a visão, quero marcar um novo ciclo naquilo que é a gestão autárquica em Tarouca.

José Damião Melo tem estratégias para eventos, captação de investimento privado e fixação de mais população no concelho

Quais são os projetos-âncora deste primeiro mandato?

Tenho muitos, mas dizer que defini quatro eixos estratégicos que não quero abrir mão. Não é nada que consigamos fazer em quatro anos, mas damos os primeiros passos agora. O primeiro é um território mais inteligente. Tarouca tem que ser município charneira na área da digitalização, na área da inteligência artificial, na área das novas oportunidades no âmbito da tecnologia, nómadas digitais, co-working.

Tarouca quer estar à frente nestas áreas e, por isso, já estamos com alguns projetos nesta matéria. Na última reunião de câmara, lançámos um concurso público para a transformação de toda a forma como trabalhamos informaticamente no nosso espaço, ou seja, vamos deixar de ter o chamado servidor local e vamos passar a ter a nossa cloud para que qualquer um de nós, em qualquer sítio, possa estar a trabalhar naquilo que é a sua pasta.

Vamos também lançar um novo espaço co-working, onde os nossos nómadas digitais tenham um local para trabalhar. Queremos lançar, a curto prazo, um laboratório de novas tecnologias dentro daquilo que são as nossas escolas, ou seja, começar a preparar as novas gerações para a realidade da inteligência artificial, robótica e programação. São as três áreas que queremos agarrar de imediato.

Além da digitalização e da inteligência artificial, quais são os outros eixos?

Um território mais verde. Temos vários projetos naquilo que é floresta, desde o combate a agentes abióticos e bióticos. Estamos, neste momento, a lançar um concurso público para os chamados condomínios-aldeia, ou seja, transformação da paisagem para garantirmos uma maior resiliência dos nossos territórios aos fogos florestais.

Estamos, por exemplo, com a aquisição de duas máquinas, um trator e uma máquina de rasto, para garantir acessos mais rápidos no combate a um incêndio florestal e nas limpezas florestais. Mas não nos esquecemos do rio, onde estamos a trabalhar em candidaturas para a reabilitação das açudes-ribeirinhas, uma forma de garantirmos uma maior reserva de água, seja para apoio à agricultura, seja para a produção da truta, ou para outro tipo de iniciativas associativas.

Há ainda novas dinâmicas relacionadas com as alterações climáticas, onde temos um outro projeto que se chama Tarouca Be Green, que tem como objetivo o reforço da recolha seletiva porta-a-porta a um âmbito geral. Este projeto também prevê a aquisição de contentores móveis, que nos vão acompanhar nos eventos onde participamos ou onde apoiamos.

Queremos começar a olhar de forma muito séria para dois tipos de resíduos onde não há um olhar diferenciado que são os resíduos de construção e demolição. Hoje olhamos para as nossas serras com resíduos de construção e demolição espalhados porque não há resposta. Nós estamos a encontrar resposta.

Mas também em relação aos resíduos domésticos em que temos um protocolo com a RESINORTE, no sentido de conseguirmos transformar estes resíduos em material que venham novamente para as nossas terras como adubos ou compostos, ou seja, fazer com que a economia circular garanta aqui a sua existência.

O próximo eixo é Tarouca Mais Social, um eixo onde queremos garantir, por exemplo, programas como o Rejuvenescer Tarouca, que é um programa que já temos há algum tempo. O grande propósito é que que o envelhecimento ativo seja uma bandeira, não só em dinâmicas de inclusão, de convívio, mas dinâmicas de aprendizagem em que haja algum tipo de parcerias intergeracionais, onde os mais velhos possam trazer algum tipo de conhecimento aos mais novos e os mais novos possam, de alguma forma, trazer alguns ensinamentos aos mais velhos.

Temos também um foco muito grande na área da saúde porque é muito importante que territórios como Tarouca tenham uma resposta maior e melhor para os seus habitantes. Neste sentido, dizer-vos que estamos com o concurso público para uma nova viatura que designamos de Unidade Móvel de Saúde, que conta com a presença de um enfermeiro para fazer algum tipo de diagnóstico e acompanhamento, mas vamos tentar incluir um médico que, pelo menos uma vez por semana, consiga integrar a equipa.

Temos aqui vários parceiros que são fundamentais nas nossas dinâmicas como as juntas de freguesia, as IPSS e as associações locais. São o primeiro parceiro no terreno, mas também as IPSS e as associações locais, daí o eixo da proximidade. Sem estes três parceiros é difícil que consigamos fazer isto da melhor maneira que sabemos e podemos até porque são eles também que nos trazem conhecimento local.

José Damião Tarouca 9
“Tenho um gosto enorme em afirmar que Tarouca, na área do envelhecimento, tem conseguido reverter a tendência nacional”

Que estratégias é que tem para atrair mais investimento privado para o território?

Costumo dizer que a atratividade nos territórios como Tarouca só se mantêm quando somos capazes de criar um conjunto de dinâmicas, seja eventos desportivos, eventos culturais, eventos gastronómicos, eventos recreativos ou experiências e memórias que possam trazer gente ao território. Há dez anos, nós não tínhamos 40 camas para oferecer no nosso território, hoje temos mais de 250. Este aumento só acontece quando criamos dinâmicas, damos a conhecer o território, promovemos o território e, a partir daí, as pessoas começam a visitar, à procura de alojamento e de restauração. E, nesta procura, o privado percebe que existem oportunidades em Tarouca.

O investimento não pode ser feito como muitas vezes julgamos, de criar uma carteira de apoio ao investidor para vir para Tarouca. Se ele não perceber que há aqui rentabilidade, não é esse apoio que o vai trazer a Tarouca. O que procuramos é garantir a atratividade, garantir que qualquer investimento de uma ou outra natureza, se vier para Tarouca, garante uma rentabilidade ao investidor. Dentro daquilo que é o turismo, a aposta é em eventos de marca com um grande brand, quer a nível local, quer a nível regional, quer a nível nacional, mas que sejam capazes de dar o território para conhecer.

Se não apostarmos na venda da marca Tarouca, se não apostarmos no conhecimento dela no exterior, não conseguimos atrair mais gente. E hoje Tarouca tem muito turismo, conseguimos aumentar em cerca de 40% em 4 anos, o tempo de fixação das pessoas no nosso território. É importante que o façamos desta forma.

Disse que Tarouca tem vindo a ganhar população. O que contribuiu para esse aumento?

Neste momento, estamos todos os anos a subir entre 3 a 4%. Percebemos que as políticas que temos vindo a desenvolver na área da fixação das pessoas têm dado resultado. Só existem duas ou três coisas que podem fixar as pessoas. Primeiro, emprego porque sem postos de trabalho as pessoas têm que ir embora. E, por isso, avançámos há uns anos para a área de acolhimento empresarial local, que está em desenvolvimento, não está ainda no seu plano de funcionamento, mas estou certo que nos próximos anos vai criar aqui cerca de 50 ou 60 postos de trabalho que vão ser importantes.

Na área do turismo, quer o alojamento, quer a restauração, criaram muitos postos de trabalho nos últimos anos em Tarouca, mas também a área do comércio. Quando cheguei a Tarouca em 2013, Tarouca não tinha um único hipermercado e os hipermercados criam postos de trabalho. Agora temos três que criaram mais de 100 postos de trabalho. O comércio local tem que se defender com a proximidade, com a simpatia, com a personalização e a fidelização dos seus clientes e é capaz de o garantir. E, por isso, dizer que há novos projetos desta natureza que chegarão em breve ao nosso concelho.

 

Acredito que o turismo é aquele cluster que temos de desenvolver, mas é preciso criar todo o ambiente à volta para que funcione

Em termos de atrativos turísticos, um grande pilar do concelho, há alguma coisa que possa ainda ser mais potenciada?

Estamos a tentar criar, pelo menos uma vez por mês, um evento que traga gente a Tarouca. Não vale a pena só fazer eventos desportivos, nem só fazer eventos para pessoas de 30 anos. Temos que tentar criar equilíbrios para garantir, não só o público, mas também aquilo que atrai a pessoa ao nosso território. Acho que temos feito isso muito bem. Vamos continuar a apostar nos eventos em Tarouca porque são eventos, que não trazem só dinâmicas aos que aqui vivem, mas trazem dinâmicas de atratividade a tanta gente que vem de fora.

E no turismo, nós temos de escolher a área dos eventos e do património edificado. O nosso património é todo feito de granito, só que as pedras não contam histórias, temos que associar eventos a estas pedras para que as pessoas criem memórias. No final de dezembro, fizemos um concerto no órgão de tubos de São João de Tarouca, um órgão com cerca de 300 anos, e que encheu a igreja do mosteiro. Haveremos de ter quatro concertos durante o ano.

Acredito que o turismo é aquele cluster que temos de desenvolver, mas é preciso criar todo o ambiente à volta para que funcione. E depois, é impossível criar atratividade sem garantir qualidade de vida a quem está em Tarouca, criando oportunidades de trabalho, mas também oportunidades de lazer.

“A minha vontade de é fazer de Tarouca o melhor lugar no mundo para viver”

Está preparado para completar os três mandatos?

Se me perguntar à data de hoje se gostaria de fazer três mandatos e se tenho projetos para três mandatos, respondo que sim. Contudo, a vantagem de ser autarca é esta. Nós, de quatro em quatro anos, somos avaliados e temos de ser legitimados para garantir mais quatro. E há uma coisa de que estou certo, vou esforçar-me para que os tarouqueses me entreguem essa legitimidade. Mas isto não é nenhum tipo de imposição. As dinâmicas do mundo hoje são muito mais rápidas e, por isso, a minha vontade hoje e a vontade dos tarouquenses, pode não ser a mesma daqui a quatro anos.

Eu sou um apaixonado por Tarouca e pelos tarouquenses, por todos. Se eu me vou esforçar, se tenho uma equipa que se vai esforçar no seu todo para garantir que Tarouca é um território melhor para viver, para permanecer e para fixar pessoas e atrair ainda mais, eu vou dizer sim, vamos fazê-lo. A avaliação vai depender dos tarouquenses. Mas a vontade de hoje é esta, fazer Tarouca o melhor lugar no mundo para viver.

Se assim for, como espera ver Tarouca daqui a 12 anos?

Como sabe, a Comunidade Intermunicipal do Douro tem 19 municípios e, nestes 19 municípios, tenho este gosto enorme de afirmar que naquilo que é a área do envelhecimento, Tarouca tem conseguido reverter a tendência nacional. Somos o segundo município mais jovem dos 19 municípios, a seguir a Vila Real.

Eu gostava muito de ver uma Tarouca jovem e isso seria um sinal de que nós durante estes 12 anos fomos capazes de fixar aqueles que nasceram, aqueles que cresceram, aqueles que estudaram em Tarouca. Gostaria muito de ver Tarouca mais inteligente, um território pioneiro num conjunto de clusters, sobretudo na área da digitalização, da inteligência artificial, mas também a área do turismo e dos eventos.

Gostava que olhassem para Tarouca como um território que, de alguma forma, pode ser um bom exemplo. Mas, acima de tudo, quero um território mais feliz. Quero muito que os tarouquenses sejam pessoas felizes no seu todo, na sua vida, na sua convivência, nas suas famílias. Se conseguirmos isto, garanto que não posso ter mais nenhum sonho na vida. Ter uma Tarouca mais feliz é ter tudo na minha vida.

Janeiro 29, 2026 . 09:00

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