
As imagens da passagem da depressão 'Kristin' pelo distrito de Viseu
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou, esta quarta-feira, um rasto de destruição, vários desalojados e cinco mortos, segundo os últimos dados divulgados pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) ao final do dia de ontem. Na região de Viseu, os estragos (felizmente) não terão sido de grande ordem.
Os distritos mais afetados foram Leiria, por onde a depressão entrou em território continental, Coimbra, Santarém e Lisboa, registando-se quedas de árvores e estruturas, estradas cortadas ou condicionadas, perturbações nos transportes públicos, encerramento de escolas e cortes de energia, água e comunicações.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) classificou mesmo a depressão Kristin como um fenómeno de “ciclogénese explosiva”, termo usado para depressões de forte intensidade, com vento e precipitação extremos.
Neve e queda de árvores cortam dezenas de estradas no distrito de Viseu
No distrito de Viseu, o mau tempo fez-se sentir sobretudo através da queda de neve intensa e do tombar de árvores, levando ao corte de várias estradas nacionais e municipais no distrito de Viseu, durante a noite e madrugada desta quarta-feira.
De acordo com os comandos sub-regionais de Viseu Dão Lafões, Douro e Tâmega e Sousa, estiveram cortadas várias estrada, como a EM508 – entre Penela da Beira e Santa Eufémia (Penedono), EN229 – entre Penedono e Antas, EN329 – entre Vila Nova de Paiva e Porto da Nave (Moimenta da Beira), EM529 – entre Paraduça e Alvite (Moimenta da Beira), EM1039 – entre Alvite e Porto da Nave (Moimenta da Beira), EM553 – entre Alhões (Cinfães) e Portas de Montemuro (Castro Daire), EM553 – entre Feirão (Resende) e Bigorne (Lamego), EN321 – entre Cinfães e Castro Daire, EN2 – entre Bigorne e Castro Daire e entre Penude e Lamego, CM1168 – entre Mezio e Tarouca, EM514 – entre Moimenta da Beira e Pêra Velha, EM1030 – entre Vila Boa e Gralheira (Cinfães), e a EM1126 – entre Rossão e Castro Daire. Ao final da tarde de ontem, e após o grande esforço das equipas municipais e corporações de bombeiros locais, a grande parte das vias já tinham sido reabertas ao trânsito.



Sete concelhos encerram escolas por falta de condições de segurança
Face à queda e acumulação de neve, bem como aos cortes e condicionamentos rodoviários, sete autarquias da região decidiram mesmo encerrar os agrupamentos de escolas, invocando “razões de segurança”.
A decisão foi tomada pelos municípios de Armamar, Lamego, Moimenta da Beira, Penedono, Resende, Tabuaço e Tarouca, através de comunicados divulgados nas redes sociais.
As autarquias justificaram o encerramento com a impossibilidade de garantir a circulação segura, sobretudo devido à suspensão dos transportes escolares. A queda de neve e as árvores tombadas agravaram significativamente a mobilidade em vários pontos destes concelhos.



Em Lamego, o município destacou o agravamento das condições de segurança provocado pela neve. Penedono e Armamar referiram o forte nevão registado durante a noite. Já Moimenta da Beira e Tarouca sublinharam a impossibilidade de assegurar o transporte dos alunos.
Em sentido contrário, Resende e Castro Daire optaram por manter as escolas abertas, acompanhando a evolução da situação em articulação com os agrupamentos escolares.
Circulação ferroviária também foi afetada
A depressão Kristin afetou também a circulação ferroviária, que foi suspensa em vários pontos do país e da região.
Segundo informações oficiais, registaram-se interrupções nas Linhas da Beira Alta, Beira Baixa e Douro, nomeadamente no troço entre Régua e Tua, devido a problemas na via causados pelo mau tempo, como quedas de árvores, inundações e deslizamentos de terras junto às linhas.



Sem vítimas na região, apesar dos estragos
Apesar dos transtornos causados, não há registo de vítimas nem de danos de maior gravidade na região de Viseu, quando comparada com os estragos significativos registados em zonas costeiras como Leiria e Coimbra.
De acordo com os comandos sub-regionais da proteção civil, os principais danos resumem-se a quedas de árvores, muros e pequenos deslizamentos de terras.
O IPMA, que indicou que a depressão Kristin se fez sentir de forma mais intensa na região entre as 03:30 e as 06:00, colocou o distrito de Viseu sob aviso amarelo até às 9h00 de hoje, quinta-feira, devido à previsão de precipitação persistente e por vezes forte. Todavia, o mau tempo parece dar agora tréguas, pelo menos até ao final do mês. Segundo o instituto meteorológico, não estão previstas quaisquer condições meteorológicas adversas até sexta-feira, inclusive, estando, desta vez, a região de Viseu “sob aviso verde”.









