
PSD de Nelas lamenta que a oposição PS/CDS esteja “a bloquear o concelho”
Após a homologação dos resultados eleitorais das últimas eleições autárquicas, realizadas a 12 de outubro do ano passado, e tendo em conta que o PSD e o PS ficaram com três vereadores cada, cabendo o sétimo ao CDS, adivinhavam-se algumas nuvens negras nos céus de Nelas.
Recorde-se que o PSD venceu as eleições, com 40,50% e 3246 votos. O PS, que candidatou Sofia Relvas à presidência da autarquia, obteve 36,94% e 2961 votos. O CDS, que nas eleições anteriores estava coligado com o PSD, avançou sozinho e conquistou 11,13% e 892 votos. No total, os sociais-democratas venceram por 285 votos. Na divisão de mandatos, se em 2021 era de 4-3 para o PSD, este ano o cenário alterou-se, com PSD e PS a alcançarem três e o CDS a ficar com o restante. Em 2021, a coligação PSD/CDS-PP conseguiu 4004 votos e 52,25%; e o PS conquistou 3023 votos (39,45%).
Passaram dois meses e meio desde a tomada de posse de Joaquim Amaral para o seu segundo mandato na Câmara Municipal de Nelas e os piores receios têm vindo a confirmar-se, saindo prejudicado o desenvolvimento do concelho.
Postura bloqueia a gestão financeira da autarquia
A Comissão Política do PSD de Nelas e o executivo municipal denunciaram, recentemente, em comunicado, “a situação de ingovernabilidade criada pela oposição ao chumbar alterações orçamentais essenciais ao normal funcionamento do município”, uma “decisão irresponsável” que, segundo o partido, “bloqueia a gestão financeira da autarquia e coloca em risco o cumprimento de obrigações legais”, nomeadamente ao impedir a aprovação do orçamento da câmara municipal.
O PSD revelaram que os vereadores da oposição “recusaram alterações de natureza técnica e temporária, ignorando que se trata de um procedimento normal e recorrente em todos os executivos”, algo que consideram tratar-se “de um bloqueio puramente político, sem qualquer fundamento sério e justo”.
Critica ainda o facto de a oposição tentar “substituir-se a quem foi eleito, pretendendo impor decisões que cabem exclusivamente ao executivo e ao presidente da câmara, numa clara usurpação de competências e prejudicando a gestão corrente”.
A oposição recusou a delegação de competências e exigiu que tudo seja decidido em reunião de câmara, algo que o PSD entende que “paralisa deliberadamente o município e compromete a sua capacidade de resposta”.
Recorde-se que no final de novembro, os vereadores do PS solicitam ao executivo municipal o balancete de execução orçamental da despesa e da receita com valores acumulado e analítico (todas as rubricas orçamentais discriminadas) e que esta informação fosse disponibilizada dentro do prazo legal aplicável. Questionou também qual o impacto financeiro global do conjunto de toda a equipa de vereação a tempo inteiro e equipa do gabinete de apoio à presidência, nomeadamente, em termos de remunerações, subsídios e demais abonos complementares, encargos e impostos, “dentro de um quadro desejável de transparência e sustentabilidade orçamental”.
A concluir, o PSD critica a postura de “um PS irreconhecível, sem sentido de estado, embarcando na deriva destrutiva do CDS, e que continua em estado de negação, demonstrando não ter ainda digerido os resultados eleitorais”.
Por sua vez, “o” CDS/PP evidenciou uma preocupante falta de preparação para as matérias em discussão, optando por votar sistematicamente contra todas as decisões de natureza política, levando a cabo uma inusitada política de terra queimada”.
“A oposição escolheu o bloqueio, mas o concelho de Nelas não pode ser refém de jogos partidários, não pode ser ser refém de vinganças, merecendo o respeito da escolha dos munícipes. Quem impede a governação prejudica o concelho e a sua população, em política não vale tudo”, concluiu o PSD.









