
Chuva não impediu ataques e apelos ao voto no penúltimo dia de campanha eleitoral
Após nova participação do presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, na campanha, na quarta-feira à noite, tendo acusado os adversários de Luís Marques Mendes de serem “projetos de governação encapotados” e pedido a concentração de votos do eleitorado do centro, o candidato apoiado pelos partidos que sustentam o Governo admitiu hoje que ainda poderá contar com Aníbal Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite no último dia de campanha.
Questionado se considera António José Seguro um candidato “dos extremos” – como afirmou na quarta-feira o primeiro-ministro -, Mendes escusou-se a responder diretamente, dizendo fazer apenas “a apologia” da sua candidatura e insistindo que “todos os seus adversários”, incluindo o candidato apoiado pelo PS, poderão gerar “ruído e instabilidade”.
António José Seguro, por sua vez, defendeu que “alguém tem de contribuir para manter uma relação institucional positiva” e apontou um “abuso de generosidade” ao primeiro-ministro quando o conotou com um dos extremos.
Já Henrique Gouveia e Melo associou Seguro ao corte do valor das pensões no período da “troika” e prometeu que, se for eleito, vetará qualquer decreto nesse sentido, considerando também ser “completamente inútil” votar em André Ventura, acusando o líder do Chega de ser parte do “sistema”, mas tentar baralhar os eleitores.
Relativamente a André Ventura, o almirante considerou ainda que o candidato da extrema-direita ultrapassou hoje os limites ao usar camuflado militar que lhe tinha sido oferecido por antigos combatentes, apontando que o líder do Chega nem sequer fez serviço militar obrigatório.
Gouveia e Melo sugeriu ainda que o primeiro-ministro leve para a campanha eleitoral de Marques Mendes a ministra da Saúde, dada a situação “caótica” no setor, pois assim poderia responder às queixas da população.
O candidato apoiado pela IL, João Cotrim Figueiredo, reiterou hoje que a denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora parlamentar do partido será “cabalmente esclarecida em tribunal” porque “não tem nada a esconder” e criticou a comunicação social pelas “perguntas constantes sobre o tema”, acusando os jornalistas de não fazerem uma “cobertura equilibrada e sã” deste caso.
Já Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, pediu aos partidos que “levem a sério” denúncias internas de assédio e argumentou que quando estas questões não são investigadas está a falhar-se com as mulheres, acrescentando ainda que percebe os anseios e os medos de quem, simpatizando com a sua candidatura, optará por fazer voto útil.
Jorge Pinto sublinhou também que não concorre por vaidade nem para concorrer à liderança do Livre, numa crítica a João Cotrim Figueiredo.
Já Catarina Martins, apoiada pelo BE, não gostou de ser questionada se acredita num resultado superior ao que as sondagens têm indicado, e que colocam a candidata apoiada pelo BE com uma intenção de voto de cerca de 2%, respondendo que a insistência nos pedidos de comentário a sondagens, em prejuízo das ideias que os candidatos defendem, representa “uma manipulação da democracia”.
A única mulher candidata a Belém sugeriu outras perguntas, nomeadamente sobre o financiamento das campanhas eleitorais, insinuando que os candidatos com “campanhas milionárias” respondem a grandes interesses económicos, ao contrário de si.
António Filipe, apoiado pelo PCP, insistiu hoje no apelo ao voto que tinha feito na quarta-feira à noite durante um jantar com apoiantes, advertindo que há ainda muitos indecisos para conquistar e que “estes últimos dias de campanha são muito importantes”.
Frases da campanha eleitoral
“O Governo quer ganhar tempo para depois das eleições, para não prejudicar muito o seu candidato. (…) No fundo, eles estão a adiar mostrar as garras.”
André Pestana, candidato presidencial
14-11-2026
“Confio muito na inteligência dos portugueses quando tiverem de escolher aquele que acham que é o melhor Presidente da República para estes tempos de tanta incerteza que teremos pela frente.”
Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre
14-11-2026
“Os portugueses que não querem nem um socialista, nem um populista no poder só têm uma hipótese nesta altura que sou eu.”
João Cotrim Figueiredo, candidato apoiado pela IL
14-11-2026
“Quando outros escolhem andar a pedinchar ao primeiro-ministro [o seu apoio], eu quero dizer ao primeiro-ministro que nós não o queremos, nós queremos o povo comum nesta campanha. Queremos os homens e mulheres de trabalho deste país.”
André Ventura, candidato apoiado pelo Chega
14-11-2026
“Estou moralizadíssimo. Já reparou que todas as sondagens que têm surgido, maioritariamente, dão-me em condições de passar à segunda volta? Mas não são as sondagens que nos dão esse bilhete. Quem nos dá esse passaporte para a segunda volta é o voto dos portugueses.”
António José Seguro, candidato apoiado pelo PS
14-11-2026
“Eu não deixarei pedra sobre pedra deste sistema corrupto que temos em Portugal.”
André Ventura
14-11-2026
“Esta é a escolha que coloca no Palácio de Belém um Presidente da República que o será sem ter atrelado a si um projeto de governação, todos os outros são projetos de governação encapotados disfarçados de Presidente da República.”
Luís Montenegro, presidente do PSD
14-11-2026
“Eu disse já diversas vezes que nunca faria da presidência a criação de um partido.”
Henrique Gouveia e Melo, candidato presidencial
14-11-2026
“Finalmente, hoje mesmo, parece que a sondagem da rua começa a aparecer nas sondagens das televisões. E porquê? Andando eu de norte a sul do país já há vários dias, sinto a sondagem da rua, o calor humano, o entusiasmo, o apoio.”
Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD/CDS-PP
14-11-2026
“Porque não é indiferente quem ganha as eleições no domingo. Sabemos que há dois lugares, duas vagas para a segunda volta. E nós queremos estar, merecemos estar nessa segunda volta, mas não é indiferente para a democracia quem passa em primeiro.”
António José Seguro
14-11-2026
“Temos candidatos com campanhas milionárias. Quem paga? A minha campanha é uma campanha quase sem orçamento, feita com a vontade das pessoas que se juntam. Porquê? Eu não respondo a nenhum grande interesse.”
Catarina Martins, candidata apoiada pelo BE
15-01-2026
“Alguém fez isto e está a conseguir. Vocês estão a ser completamente instrumentalizados para usar este caso para dinamitar a minha campanha nos últimos dois dias.”
João Cotrim Figueiredo, sobre a acusação de uma ex-assessora de assédio sexual
15-11-2026
“Queria, já agora, dar uma sugestão ao senhor primeiro-ministro. Acho-lhe eticamente reprovável que assim seja, mas dou-lhe uma sugestão: que meta também na campanha a ministra da Saúde, que o acompanhe nas deslocações do senhor primeiro-ministro para a campanha do doutor Luís Marques Mendes, porque um dos problemas que todas as pessoas com quem eu contacto na rua me colocam é o problema da saúde.”
Henrique Gouveia e Melo
15-11-2026
“Eu não vos vou trazer conversa bonita e fiada. Eu vou dizer-vos que o país está neste estado e que nós temos de fazer isto para o endireitar. E que temos de o pôr na ordem. E que vai haver muitos que não gostam de o pôr na ordem. Mas este país já teve, conforme os militares sabem bem dizer, tempo demais de bandalheira. A partir de 18 de janeiro é tempo de ordem e eu espero ser o Presidente dessa ordem.”
André Ventura, vestido com um casaco com padrão camuflado militar
15-11-2026
“Isso deixa-me mesmo muito mal disposto, porque o doutor André Aventura nunca foi sequer ao serviço militar obrigatório. Deve ter cuidado com os símbolos que usa; os uniformes são para quem usou uniforme e serviu a pátria em uniforme. Como militar, não gostei. Digo claramente que há coisas que têm limites. Isso para mim é um limite.”
Henrique Gouveia e Melo, sobre o facto de André Ventura ter usado camuflado militar num comício
15-11-2026








