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Simulacro de acidente aéreo mostra que Viseu está preparado para voar mais alto

Num cenário que recriou a colisão entre duas aeronaves, o Aeródromo Municipal de Viseu foi o palco de um complexo simulacro de emergência, reunindo mais de 100 operacionais e vários corpos de bombeiros, locais e da região

O Aeródromo Municipal de Viseu transformou-se num verdadeiro cenário de cinema – embora nada tivesse sido deixado ao improviso. O exercício à escala total simulou um acidente aéreo entre um avião comercial ligeiro, Dornier, com 18 ocupantes, e um avião de combate a incêndios, resultando em 19 vítimas fictícias e na mobilização de um vasto dispositivo de socorro. O objetivo: testar, sem filtros, o Plano de Emergência da infraestrutura.

A operação arrancou com os meios instalados no próprio aeródromo, guarnecidos pela Companhia de Bombeiros Sapadores de Viseu. Contudo, a dimensão da ocorrência obrigou rapidamente à ativação de meios externos, trazendo para o terreno cerca de 40 veículos e mais de uma centena de operacionais. Participaram a Polícia Municipal de Viseu, GNR, PSP, INEM, a Cruz Vermelha Portuguesa de Viseu e até a Polícia Judiciária.

Também os operadores do Aeródromo SevenAir e Agromontiar, bem como a ANEPC (Comando Subregional Viseu Dão Lafões) e o Hospital de Viseu estiveram envolvidos. Várias corporações de bombeiros da sub-região colaboraram, como os Bombeiros Voluntários de Mangualde, de Penalva do Castelo, de São Pedro do Sul, de Salvação Pública de São Pedro do Sul, de Tondela, de Vouzela, de Vale de Besteiros, de Sátão e de Canas de Senhorim.

Simulacro Aeródromo 3
Simulacro para testar eficácia do Plano de Resposta a Emergências do Aeródromo de Viseu contou com mais de uma centena de operacionais e cerca de 40 veículos, apoiados por várias entidades

Para o Coordenador Municipal de Proteção Civil, Rui Nogueira, o exercício cumpriu o essencial: testar para melhorar. Admitiu que foram detetados “pequenos aspetos de coordenação, comunicação e manobra que fazem parte deste crescimento contínuo”, mas sublinhou que o objetivo foi cumprido “na totalidade” e que a operação deve ser considerada “um sucesso”. Segundo explicou, os tempos de resposta estiveram dentro do previsto — “no máximo dois minutos para a primeira intervenção, graças à equipa residente no aeródromo” — e os restantes meios chegaram dentro dos parâmetros definidos para a categoria da infraestrutura.

O simulacro contou ainda com a observação de várias entidades externas, incluindo elementos das Forças Armadas, algo que Rui Nogueira destacou como uma mais-valia, por permitir que todos aprendam com a prática conjunta.

Do lado da operação aérea, Paulo Cravo, representante da Sevenair, destacou o valor destes treinos que “põem à prova infraestruturas, autoridades locais e operadores”. Explicou que, internamente, a Sevenair ativou o seu próprio Plano de Resposta a Emergências, incluindo uma equipa de apoio psicológico às famílias dos envolvidos, e que exercícios como este ajudam a ajustar manuais, melhorar formação e otimizar os canais de comunicação com as autoridades. Numa situação real, acrescentou, seria a equipa de manutenção a avançar para o levantamento dos destroços e para garantir a continuidade das operações.

Hangar para helicóptero do INEM “muito em breve”

A vereadora Marta Rodrigues, responsável pelo pelouro das Infraestruturas, aproveitou o momento para reforçar a ambição estratégica do município para o aeródromo. Sublinhou que o exercício comprova que a infraestrutura “tem condições de segurança e emergência” e está preparada para crescer, lembrando a colaboração com o INEM para instalar o hangar do helicóptero de emergência. Garantiu que a plataforma necessária ficará concluída “muito em breve” e que, com isso, Viseu assegurará a permanência do meio aéreo de emergência.

A autarca revelou ainda que estão reunidas condições para que o Centro Alternativo de Comando da Autoridade Nacional de Proteção Civil possa finalmente ser instalado no aeródromo — um projeto “há muito discutido, mas nunca concretizado”. E reforçou que o investimento na infraestrutura poderá ter impacto direto no turismo e na economia local, sobretudo com a proximidade da Área Empresarial de Lordosa.

Num exercício que juntou entidades civis, militares e operacionais de diversas áreas, o aeródromo mostrou não só capacidade de resposta, mas também margem para evoluir. E, embora tudo não tenha passado de um simulacro, a prova dada no terreno deixa um sinal claro: Viseu quer – e parece estar pronto para – voar ainda mais alto.

Dezembro 13, 2025 . 10:00

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