
Megalitismo coloca Viseu Dão Lafões a viajar no tempo
A região de Viseu Dão Lafões voltou a viajar ao passado - alguns milhares de anos, com a inauguração da Exposição Itinerante MEG: Rota do Megalitismo, apresentada no renovado Centro Interpretativo da Linha do Vouga, em Oliveira de Frades. A sessão juntou autarcas, responsáveis da CIM e parceiros científicos e assinalou não só o arranque oficial da exposição como também a abertura de um espaço que recupera a memória ferroviária local.
O anfitrião, João Valério, autarca de Oliveira de Frades, começou por dar as boas-vindas a todos num espaço que renasce após a reestruturação da antiga estação. Uma casa nova para contar histórias antigas — da ferrovia e, agora, também de tempos pré-históricos.

A MEG — que abrange os municípios da CIM Viseu Dão Lafões, mais Sever do Vouga — quer revelar a vida e os rituais das primeiras comunidades agrícolas e pastorícias através dos seus monumentos em pedra, como explicou António Faustino, professor da Universidade do Algarve e um dos principais colaboradores científicos do projeto. Para o arqueólogo, estes monumentos representam “um enorme esforço comunitário” por parte das pequenas sociedades que os ergueram: serviam para habitar, para rituais e, sobretudo, para honrar os mortos. Uma espécie de cápsula do tempo construída com pedras.
Também Marco Almeida, vice-presidente da comunidade intermunicipal, sublinhou o orgulho coletivo em torno do projeto, num “dos concelhos que são uma referência na nossa comunidade, quer pela indústria, quer pela criação de emprego”. “Hoje estamos aqui por algo diferente: por aquilo que faz parte da nossa identidade, da nossa história, da nossa matriz”, afirmou o responsável, sublinhando que a exposição mostra que a valorização do território passa tanto pela inovação como pela preservação da cultura e do património.
Documentário premiado
E há motivos para entusiasmo: a rota chega acompanhada de um documentário de 19 minutos, que já conquistou três prémios internacionais e até passa nos voos de longo curso da TAP. Nuno Martinho, secretário executivo da CIM, revelou que o filme marcará presença em todas as etapas da exposição, que vai percorrer os 15 municípios envolvidos (14 da CIM mais Sever do Vouga), incluindo um circuito pelas escolas, numa vertente pedagógica que pretende aproximar os mais jovens da identidade regional.
Hoje estamos aqui por algo diferente: por aquilo que faz parte da nossa identidade, da nossa história, da nossa matriz", afirmou Marco Almeida, vice-presidente da CIM Viseu Dão Lafões
A sessão ficou também marcada pela inauguração oficial do Centro Interpretativo da Linha do Vouga. João Valério reforçou que o objetivo do novo espaço é “conservar e valorizar o património material e imaterial”, criando um núcleo museológico dedicado à histórica Linha do Vale do Vouga, encerrada nos anos 90.
A zona envolvente, junto à Igreja de São Pelágio, foi igualmente renovada, com um novo espaço verde e iluminação.







