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Incêndios de 2017 foram há oito anos e Vouzela não esquece as vítimas

Marcelo Rebelo de Sousa participou hoje na cerimónia de homenagem às vítimas do grande incêndio que devastou o concelho de Vouzela em 2017 e reforçou a importância da prevenção e do papel das autarquias

Era domingo e o calor parecia tornar o ar mais pesado. Ninguém imaginava que as próximas horas do dia 15 de outubro de 2017 seriam de perda para um fogo que apenas deixou um manto negro. Levou a vida a seis pessoas do concelho, não respeitou terrenos, caminhos ou estradas, muito menos habitações, empresas ou barracões que guardavam tantas memórias. Apenas lavrou sem destino e tomou conta da região.

Passaram-se oito anos de um dia trágico para Vouzela, sobretudo para todos aqueles que perderam e sentiram o egoísmo do fogo. E, por isso, hoje foi dia de recordar e homenagear as vítimas dos incêndios de 2017, junto ao monumento evocativo. Ali relembraram-se vidas que outrora fizeram parte de uma comunidade, cujas histórias ainda permanecem vivas na memória de todos.

A cerimónia contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, do presidente da Câmara de Vouzela, Carlos Oliveira, do secretário executivo da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, Nuno Martinho, além de autarcas da região, familiares das vítimas, forças de segurança e população em geral.

E recapitulamos. Após oito anos, os incêndios florestais continuam a atormentar a região e o país, um flagelo perante o qual “é preciso acelerar o passo”, ainda que se tenha aprendido “muita coisa” desde 2017. Aos jornalistas, o Presidente da República relembrou “um grande choque e um grande desgosto para muitos portugueses, uma chamada de atenção e hoje, nesta celebração, a esperança de um futuro melhor”, onde a prioridade é “conseguir enfrentar e evitar situações como esta”.

Marcelo Incêndios 2017 Vouzela 14
“Está-se ainda aquém daquilo que se espera que se possa estar nos próximos anos”, disse Marcelo Rebelo de Sousa

Para Marcelo Rebelo de Sousa, o plano para a prevenção de incêndios florestais melhorou e a resposta é hoje mais coordenada, ainda que o cadastro de propriedades continue atrasado.

“Na área da prevenção, que não havia, as autarquias melhoraram, os bombeiros melhoraram, a Proteção Civil melhorou, a Guarda Nacional Republicana melhorou, outras entidades melhoraram e a resposta hoje é mais coordenada e prepara-se uma resposta mais coordenada no futuro”, frisou.

Uma das coisas que se aprendeu, reforçou, foi o cadastro de propriedades. “Mas, está muito atrasado. O cadastro é um grande problema porque ninguém sabe exatamente quais são as propriedades ou de quem são, em muitos municípios”.

Já em relação ao ordenamento do território, o Presidente da República referiu alguma melhoria em determinados casos, “noutros demorou tempo a melhorar, precisamente por causa do cadastro e porque as famílias não têm meios para intervir”.

Em jeito de balanço, referiu, “está bastante melhor do que se estava em 2017”, estando “ainda aquém daquilo que se espera que se possa estar nos próximos anos”. “Acho que houve coisas que se fizeram e essas foram positivas, no poder local como no poder nacional, houve coisas que se não conseguiu fazer por razões burocráticas, administrativas, de dificuldade de quem é pequeno proprietário para poder, de facto, ocorrer aquilo que é fundamental para ordenar o território”, afirmou.

Na sua opinião, além da prevenção e ação do poder local, “é preciso acelerar o passo” para que não se repitam os incêndios de 2017. “Há coisas que são uma mudança de mentalidade que, em muitos casos, é lenta a mudar. Muitos proprietários que estão ausentes das suas terras, ou estão presentes mas não têm meios, resistiram à ideia de maior intervenção do poder local, das autarquias”, lembrou, considerando que “nas medidas sancionatórias e na forma de intervenção da justiça e administrativa, vai-se aprendendo de ano para ano”.

Outubro 15, 2025 . 17:00

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