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“Vamos ter a água de maior qualidade e mais barata do país”

“Se tivesse receio de eleições, não tinha vindo na primeira em que defrontei um senhor que respeitei sempre”, sublinha Fernando Ruas

Tem defendido que Viseu é hoje um exemplo. Porquê?
As pessoas vão reparando no que nos diferencia, fruto também de fazermos as coisas com planeamento. Por exemplo, tudo o que vinha do anterior executivo, que eu achei que era bem feito e que tinha pernas para andar, conclui. Mas também terminei o que já não tinha retorno e que era importante.

Projetos que não teria feito da mesma maneira?

Claramente. Não teria feito o Mercado 2 de Maio como está, mas conclui-o tal como vinha. Não tinha feito o terminal rodoviário como está, mas tê-lo-ia requalificado. Quanto ao resto, nós vamos planificando as obras com os pés bem assentes. Um outro exemplo tem a ver com a cidade desportiva, cujo projeto existente só terá de ser adaptado, onde fizemos um trabalho de planeamento e de forma discreta. Hoje há uma pressa em falar e anunciar coisas que mostra que não há muito respeito pelo próximo. Por exemplo, a forma como quiseram atribuir o nome do Carlos Lopes quase dizendo que nós não o queremos. Eu tenho uma relação espetacular com o Carlos Lopes que é quem mais vibra connosco para fazermos a pista de Cross e essa sim vai ter o seu nome se eu cá estiver.

Mas há problemas para resolver. A adesão às Águas do Douro e Paiva é um deles?

Há-de ser um problema para quem não aderiu. E algumas reações que estamos a ver e até a providência cautelar, tem a ver com isso. Acabaram-se as interdependências e cada um pode escolher o seu rumo. Repare que das câmaras que faziam parte das Águas do Douro e Paiva, a maioria, 20 são do PS, exatamente a cor de Mangualde que é quem mais se opõe a esta decisão. E acusam-nos a nós de querermos privatizar as águas? Há aí uma grande confusão porque não se pode privatizar a água numa empresa pública, embora eu não tenha nada contra os privados. Se eu soubesse que um privado ponha a água mais barata e com qualidade em Viseu, não teria problema nenhum. Mas não é o caso.

E o que acontece afinal com o ‘célebre’ tubo?

Essa é outra. A primeira vez que tivemos contacto com isto foi quando um conhecido socialista do distrito, que lhes devia merecer todo o respeito, me veio dizer que tinha na entrada do nosso concelho 10 mil metros cúbicos, em alta, com água da maior qualidade e do sistema mais barato do país, perguntando-nos se nos podia ser útil. Portanto, o tubo já está feito. A Águas do Douro e Paiva para servirem Sever, Vale de Cambra (etc) atravessou São Pedro do Sul até ao concelho de Viseu. É evidente que a água em alta não resolve o problema da falta nalguns concelhos que tem de fazer o sistema em baixa, que continuará sempre connosco. Mas nós precisamos da água em alta e esta ligação permite-nos essa redundância.

Uma resposta que a nova Barragem de Fagilde não dá?

Não. É claro que o abastecimento fundamental vai ser na Barragem de Fagilde e por isso é que a queremos fazer. O que não queremos que aconteça é mais um problema qualquer na barragem, como a seca em 2017, e não termos um sistema redundante. Mais, pode haver um apagão elétrico que pode evitar que as eletrobombas de Fagilde bombeiem a água. Por isso se o sistema for abastecido simultaneamente pelas duas coisas, estamos melhor.

Se eu soubesse de um privado que servisse a Viseu água mais barata e de qualidade, não teria qualquer problema

Mas esta redundância não vai aumentar os preços?

Não. O que me é prometido, e aquilo em que confio, é que vai ser o sistema mais barato do país. Defendo, mesmo, que todo o país deve estar coberto pelas Águas de Portugal para que o sistema seja homogéneo. Aquilo a que estamos a assistir é uma vergonha. Ou seja, eu pagar a água a um preço e o cidadão da serra pagar mais caro ou ao contrário. A eletricidade não é assim. Isto só é possível porque há muitos sistemas. E se a exploração é mais cara nuns sítios, os outros que a compensem, o que já acontece com a taxa de coesão.

Mas é uma questão de água ou de política?

Sem dúvida que é também um dossier político. Do ponto de vista técnico não tenho dúvidas de que esta é a solução para o problema. Depois há o político e eles não foram capazes de fazer nada. A única coisa que encontrámos foi uma reunião que realizada em Viseu de autarcas com o ministro. Começaram por ser oito autarcas, mas depois Nelas, Mangualde e Penalva do Castelo, todas presididas pelo PS, escreveram à Câmara de Viseu a dizer que não queriam lá os de Lafões, passando a cinco. Se tivesse havido trabalho feito nós tínhamos que ter deliberações a confirmar. Só uma coisa seria menos difícil de adivinhar, quem é que se perspetivava para ser o presidente do conselho de administração.

Como corre a campanha?

Muito bem. A recetividade que tenho tido nas povoações é muito boa. Temos sido recebidos de forma amigável e festiva.

Receia algum candidato?

Não. Se tivesse receio de eleições não tinha vindo na primeira em que defrontei um candidato que estimo e respeitei sempre. E os respeito era tal que a seguir dei o seu nome a uma avenida e o Viriato de Ouro, que entreguei à família. Há uma coisa que eu sei, é que tenho mais genica do que a maior parte deles.

Mais energia?

Sem dúvida. E se acham que um indivíduo com genica andou a deitar os conhecimentos fora, estão muito enganados.

Conhecimentos que tem colocado ao serviço da CIM Viseu Dão Lafões, de que é presidente ?

Eu sou uma testemunha privilegiada da evolução das CIM. Quando começaram não era um grande defensor e ainda hoje acho que têm algumas coisas para limar, nomeadamente a adequação dos serviços. Mas a CIM é um bom motor de desenvolvimento e com a particularidade de já fazer coesão. E a prova é que quando se distribuem os montantes dos dinheiros que recebemos dos fundos europeus que chegam por intermédio do PO Regional, um habitante de Vila Nova de Paiva tem per capita três vezes mais do que um habitante de Viseu, o que significa que o desenvolvimento do concelho já é tido em conta.

Na maioria das reuniões e, sobretudo quando falo em público, tenho acentuado que quanto melhor viverem os nossos vizinhos melhor nós vivemos. Eu vibro também com o Museu Aristides de Sousa Mendes, com o desenvolvimento das Termas de São Pedro, com os grandes investimentos que há em Castro Daire, Oliveira de Frades, Vouzela ou Tondela.

Fernando Ruas Câmara Viseu
"Não queremos que aconteça é mais um problema qualquer na barragem, como a seca em 2017, e não termos um sistema redundante"

Mas as CIM não correm o risco de se fecharem no seu próprio território?

Não acho que aconteça. E veja, a nossa vídeo vigilância vai até à CIM de Coimbra e vice-versa. As CIM vivem muito da qualidade dos seus recursos humanos. Em Viseu Dão Lafões, temos a sorte de ter um dos melhores secretários executivos do país, o que ajuda e de que maneira.

Se ganhar as eleições qual será a primeira medida?

Nenhuma em concreto, só tenho de seguir o que tenho planificado e vem a decorrer e dar-lhe mais força, de forma mais legitimada. Quero acelerar as obras de requalificação do espaço a norte, quero ver o Centro de Artes a começar, as unidades de saúde familiar a erguerem-se na avenida Europa, as pessoas a construirem.

É um mandato para levar até ao fim ou poderá preparar alguém para o substituir?

Prepararem alguém, não. Espero que se preparem. Mas as pessoas sabem que nunca deixei nenhum mandato a meio. E a não ser que tenha uma fatalidade, por vontade própria e estando como estou, o mandato é para cumprir até ao fim. E olhe que fui algumas vezes convidado para os deixar.

Outubro 3, 2025 . 13:00

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