
“O desenvolvimento, que é notável, deve-se em primeiro lugar aos viseenses”
Diário de Viseu: Regressou há quatro anos decidido a manter a Câmara de Viseu no PSD. E hoje, o que o leva a recandidatar-se?
Fernando Ruas: Naturalmente que sempre que fosse preciso manter uma instituição no PSD, eu estaria disponível. Aliás, é o partido onde sempre militei e se me pedissem alguma vez para ocupar um lugar em nome do PSD não hesitaria minimamente. Na verdade e, segundo a lei, eu estou no primeiro mandato de uma série de três. Mas a verdade é que me recandidato por mais quatro anos porque é o tempo que eu considero necessário, e possivelmente não ficará tudo pronto para concluir uma série de investimentos que tenho no horizonte.
Quais são?
Hei-de fazer mais, mas os que vou referir são os mais relevantes. A requalificação da zona norte da cidade e onde queremos fazer o Centro de Artes, as duas paralelas da avenida da Europa que vão possibilitar, por um lado, o crescimento da habitação e a construção de quatro unidades de saúde familiar. Desta forma, aproveitamos para requalificar o espaço com as antigas instalações da CVR Dão, que se encontram praticamente abandonadas, para as quais já temos contrato elaborado, negociações terminadas e até financiamento, segundo me foi transmitido quer pelos próprios, quer por quem gere o PO Centro.
Uma obra a que juntamos a adequação da Capitão Homem Ribeiro e também uma acessibilidade para um loteamento que ali existe entre o rio Pavia e as traseiras da CVR Dão, junto às cubas, onde vamos instalar a quinta Unidade de Saúde Familiar. E queremos fazer também, com o projeto já pronto, a passagem do parque de auto-caravanas para o parque da Aguieira onde fazemos conta de construir um grande espelho de água, se eventualmente a solução da ambicionada praia fluvial não for possível. Investimentos que tornarão a cidade diferente, equilibrada a norte. E a que juntamos o loteamento que concluímos em Santo Estêvão.
Respostas para um crescimento equilibrado?
Sem dúvida que o desenvolvimento de Viseu, que é notável, se deve em primeiro lugar aos viseenses. E, por isso, acredito que Viseu vai ficar com uma dimensão eu diria quase europeia, na horizontal e com equilíbrio. Dados da AIRV mostram que a evolução de Viseu, do ponto de vista populacional é notável ao contrário de outros que agora querem vir gerir a cidade e que tiveram responsabilidades noutro concelho, que dizem estar ufanos em termos empresariais, mas de onde a população saiu em grande número. Somos 103.502 habitantes no concelho de Viseu.

Fruto de um trabalho coletivo?
De todos, onde eu destacaria os empresários que temos. Por isso, acho complicado quando se fazem injustiças aos empresários. Dizem que falta cá indústria, mas os concelhos não se desenvolvem só porque têm indústria. Eu tenho a sorte de conhecer o panorama europeu com responsáveis locais que preferem outro tipo de atividades à indústria, ou outro tipo de indústria como é a do turismo. Cada um tem de encontrar o seu modo de procedimento.
É claro que em Viseu há de faltar muita coisa, mas cada vez vamos tendo mais coisas. Até o facto de termos muitos cidadãos que vão daqui não muito longe trabalhar, é um bom sinal. É sinal de que encontram aqui a qualidade de vida que querem depois de regressarem do trabalho. Daí a necessidade da ligação Viseu-Coimbra em perfil de autoestrada que irá permitir que as pessoas possam desenvolver as suas atividades em qualquer ponto entre estas duas cidades e com maior facilidade.
Como tem a autarquia incentivado os empresários?
Com as áreas empresariais. E é preciso dizer-se que Viseu tem mais áreas empresariais do que qualquer outro concelho da mesma dimensão. Temos uma no Parque Industrial de Coimbrões, a área empresarial do Campo, a de Santiago, ainda no domingo inaugurámos um centro empresarial em Santos Evos com a presença dos empresários que compraram os lotes. Temos a área empresarial do Mundão e de Lordosa onde foram vendidos os 14 lotes existentes, de modo que vamos já fazer a segunda fase.
E quanto ao número de empresas?
Esse, sem dúvida, que nos surpreende e podemos comparar com alguns concelhos vizinhos com uma diferença substancial. Eu diria que mesmo que houvesse entidades empresariais em todas as áreas e emprego em todas as áreas é sempre possível que o cidadão saia para outros lugares e volte para casa. Agora, sem dúvida que o ponto principal para se escolher é o sítio onde se quer ficar a dormir e tudo terá a ver com a qualidade de vida e as condições que Viseu lhes oferece.
Essa qualidade revê-se no rendimento médio dos viseenses?
Um boa questão. Quando olhamos para esse rendimento médio vemos que ele aparece abaixo de alguns concelhos vizinhos, o que é fácil de explicar. O rendimento tem sempre a ver com a população existente ou seja, quanto menor for a população maior será o rendimento médio e vice-versa. Mas no caso dos concelhos que perderam muita população o valor é fictício e o rendimento global não é o que se apresenta. Veja-se duas famílias que iniciam a vida com dez pessoas no agregado familiar. Se numa, um filho casar e levar a esposa lá para casa ficam 11, se na outra a filha casar e sair ficam 9. No final o rendimento global é o mesmo, mas o per capita é diferente.
Noto, até porque acompanho no terreno, e vejo pelo sistema de comunicação que temos, que as coisas funcionam bem na nossa proteção civil
O mesmo se pode dizer em relação ao número de habitantes?
Por exemplo, há mais população, mas apesar disso, o saldo fisiológico é negativo. Mas o número de nascimentos é maior e o número de mortos também. As pessoas vivem cada vez mais tempo, mas isto não deu para diminuir o aumento populacional, o que é importante. Há um projeção recente de que em 2100, a continuar assim, a população sem imigrantes será seis milhões no território nacional. Isto dá que pensar em incentivar a natalidade, mas também a não fazer tanta obstaculização à vinda de imigrantes pois nós precisamos deles.
Cresce a população, aumentam as necessidades.
Essa é uma boa pergunta com uma resposta adequada. Eu dou este exemplo não porque coincidiu com a minha vinda, mas porque o conheço melhor. Em 90 nós éramos 80 mil habitantes, agora somos 103 mil, o que significa que aumentámos 20 mil habitantes. Dos equipamentos que tínhamos em 90 nós tivemos que dar resposta a essas pessoas e a mais 20 mil que representam o quarto concelho da CIM e sexto do distrito em termos absolutos. Portanto, tivemos de criar todos os equipamentos que a população necessita para os que cá estavam e para os que vieram em todas as áreas. Mais escolas, um hospital novo, unidades de saúde familiar, mais jardins de infância, mais creches, mais escolas básicas. E fizemos e podemo-nos orgulhar do panorama local.
E necessariamente mais habitação.
Se por acaso tivéssemos feito só aquilo que vemos espalhado nos placares, tínhamos muitas pessoas na rua. Imagine-se que a média por casa é de três elementos, exigia que fossem feitas sete a oito mil casas para as mais 20 mil pessoas. E foram feitas. Para quem diz que vai fazer mil casas em não sei quantos anos, anda distraído.
Todas pela câmara?
Não. E nem é isso que se pretende. Os empresários encontram aqui campo para fazer os seus edifícios para habitações e nós também o fizemos. E dou apenas um exemplo. Em 2003 não havia PRR, nem estratégias locais de habitação, mas demos 1.749 apoios com os programas Viseu Habita e o Prohabita a particulares. Só que, neste momento, nós temos uns milhões de euros na estratégia local de habitação e estamos a fazer uma outra coisa que fomos os primeiros a iniciar. Investimos milhões de euros na compra de casas degradadas e que precisavam de ser requalificadas para instalar as pessoas nas zonas rurais.
Mas não só. A pensar nas nossas freguesias e aldeias avançamos com os centros escolares que, na altura, eram a grande moda e que acabavam por concentrar os alunos nos centros da cidade. Este ano fomos abrir o ano letivo a uma escola de Bigas que, na altura, por falta de alunos estava para fechar. E o mesmo aconteceu em Côta ou em Farminhão, onde as escolas, que estavam para encerrar, têm hoje mais alunos que nos levou a abrir mais salas.

“Ligação Viseu-Coimbra tem de ser toda em autoestrada”
Finalmente, a duplicação do IP3 está em curso. O mérito é deste Governo, mas já havia trabalho feito.
Um trabalho que eu ponho em causa por uma razão simples. O Governo anterior pensou, mas não passou das placas. O mesmo plano que tenho para a ligação depois deste trabalho em curso, que foi aprovado pelas CIM de Viseu Dão Lafões e pela de Coimbra, levei-o ao ministro anterior do Partido Socialista que não teve qualquer reação, e levei-o a este ministro e respondeu-me que era o ovo de Colombo.
Todos já percebemos, mesmo sem sermos engenheiros da especialidade, que o tempo da orografia dada como dificuldade acabou. A partir do momento em que se fez a A24 a atravessar o Douro, a ligação de Vila Franca de Xira para Oeiras com pontes e túneis acabou essa justificação. Esta solução que defendo para o IP3 tem a particularidade de diminuir a distância em alguns quilómetros. O que está em causa é fazer cerca de 30 quilómetros de autoestrada. E por isso defendemos que façam o que têm a fazer, mas façam também a estrada nova e quando ela estiver pronta liguem-na.
Qual é a solução?
Quem vai daqui para Coimbra chega à chamada Livraria do Mondego, em Penacova, corta à direita e sobe até ao alto de Souselas. O que defendemos, e que foi levado aos governantes, é fazer a partir de Santa Comba Dão uma estrada nova pelo lado direito até Souselas onde terminam as quatro vias. Quem nos fez este esboço de projeto foram os mesmos técnicos responsáveis pelo projeto das obras que andam a decorrer. O que defendemos é que as duas obras sejam feitas em simultâneo e, uma vez terminada a duplicação do IP3, fazia-se a ligação de toda a autoestrada. Se os viseenses quiserem que eu cá continue, dois dias ou três depois das eleições, vão ter-me em Lisboa, a correr os ministérios onde temos compromissos para que sejam assumidos. Nem que me instale lá oito dias.
Se os viseenses quiserem que eu cá continue, dois dias ou três depois das eleições, vão ter-me em Lisboa, a correr os ministérios onde temos compromissos
“Aeródromo não sai de Viseu, mas tem de ter âmbito regional”
O seu programa eleitoral assenta em 14 áreas. Porquê estas em concreto?
Podiam ser outras, mas estas considero-as fundamentais por setores de atividade naquilo que queremos fazer.
São também as áreas onde lhe falta fazer alguma coisa?
Não é por aí. Nós temos áreas que estão perfeitamente desenvolvidas mas que queremos continuar a desenvolver. E dou-lhe o exemplo do aeródromo onde se tem desenvolvido um trabalho ótimo para o pôr em dia, ou seja, sendo um centro que é importantíssimo, mais para a região e para o país do que concretamente para o concelho, mas que tem sido suportado com verbas concelhias. Nós queremos atingir o equilíbrio financeiro para depois lhe dar uma outra dimensão.
Para a CIM Viseu Dão Lafões, por exemplo?
Para uma CIM, uma AIRV, uma Associação Comercial, mas tem de ser sempre a esse nível. Na última reunião que tive com a AIRV falei nesse assunto e vi com grande gosto que nos propósitos da associação também estava esse desiderato. É uma estrutura que não sairá de Viseu, mas tem de ter um âmbito regional. E basta ir ver o desembarcar de uma aeronave, como fiz recentemente e onde constatei que só uma parte mínima dos passageiros vinha para Viseu. Havia muita gente que ia, por exemplo, para o concelho vizinho de São Pedro do Sul.
Mas só com as contas equilibradas?
Sem dúvida, porque entendo que nos dá muito mais força, se o colocar numa entidade supra-municipal com as contas equilibradas. Desta forma, estamos a entregar uma estrutura que terá muito mais potencialidades em termos de gestão e de vir a ser ainda mais rentável.
Falar em aeródromo permite-nos falar também em proteção civil. Viseu tem escapado aos incêndios que têm destruído o distrito. Sorte ou organização?
Eu acho que há aí trabalho e eu próprio tenho acompanhado e vi a forma como a nossa proteção civil se dedica ao combate dos incêndios. E não quero com isto dizer que nos outros lados também não o façam, longe de mim fazer qualquer comparação. Mas noto e vejo pelo sistema de comunicação que temos que as coisas funcionam. Quando nos avisam de que há um incêndio eu fico atento e à espera de quando será comunicada a fase de rescaldo. E, na verdade, tem sido uma eficiência enorme.
Eu assisti ao combate a um incêndio em Vila Chã de Sá e pude comprovar o entendimento entre os comandantes dos Voluntários e dos Sapadores e com as outras forças de segurança como a GNR, a proteção civil. Sem dúvida, que Viseu tem sido muito operacional. Mas também sabemos que cada vez destinamos mais dinheiro à nossa proteção civil. E ao ver este retorno, claramente que nos agrada.







