
Grupo de turistas de Viseu retido em Machu Picchu devido a tumultos sociais
Um grupo de turistas de Viseu, composto na sua maioria por pessoas acima dos 60 anos, ficou retido na segunda-feira em Machu Picchu, no Peru.
A situação ficou a dever-se a tumultos entre a população local e a polícia, com os locais a exigirem melhores condições de mobilidade e transportes, nomeadamente da frota de autocarros, e a criticarem a sistemática privatização da cidade. Os protestos atingiram a sua expressão máxima na segunda-feira passada, quando foi danificada a linha de comboio, ao ponto de esta ter sido encerrada preventivamente. Foram colocadas rochas e troncos em vários troços da linha de comboio, o que impediu a circulação. Os confrontos provocaram ferimentos em 14 agentes da polícia.
Dessa forma, o grupo viseense e mais de um milhar de turistas ficaram sem possibilidade de sair do afamado destino turístico, já depois de ter sido efetuada a visita.
O grupo tinha iniciado a sua viagem ao Peru no dia 5 de setembro, tendo reservado o último dia da mesma para a visita a Machu Picchu. Aquela que seria uma visita de sonho a uma das Sete Maravilhas do Mundo acabou por se transformar em pesadelo, com a incerteza que tem pairado e a demora em encontrar soluções. A distância até à cidade mais próxima, Cusco, que fica a 110 km de distância de Machu Picchu, só seria possível fazer através de comboio ou de uma caminhada de cerca de quatro horas até uma vila local, algo que seria impraticável para um grupo de viajantes com mais de 60 anos. De Cusco, a comitiva nacional tinha já garantida viagem para a capital peruana, Lima, de onde regressariam a Portugal no dia 17.
O problema foi comunicado a várias entidades, como a embaixada portuguesa no Peru, as agências de viagens e as seguradoras envolvidas. Na tarde de terça-feira, o Governo do Peru anunciou que tinha resgatado cerca de 1400 turistas retidos em Machu Picchu, que foram transportados para Cusco após a reabilitação da linha ferroviária. Todavia, com o regresso dos protestos e novos danos na linha ferroviária, ainda ficaram retidos cerca de 900 turistas em Machu Picchu, entre eles o grupo viseense.
Os protestos da população surgem da reinvindicação que uma nova empresa assuma o transporte de autocarro da estação ferroviária para Machu Picchu, após o final de uma concessão com outra empresa que durou 30 anos. O autocarro levava os turistas à entrada das ruínas do destino turístico a partir de Águas Calientes. O problema está agora no facto de o distrito vizinho de Urubamba ter contratado uma empresa para transportar os turistas, mas que não pode efetuar o serviço devido à oposição de Águas Calientes, o que faz com que, atualmente, não haja nenhuma empresa a operar na zona.
Com a mediatização internacional do conflito no Peru, a organização internacional New7 Wonders anunciou ter contactado o estado peruano a alertar para a eventual perda do estatuto de um das novas maravilhas do mundo. A organização escolheu Machu Picchu, uma cidadela de pedra construída pelos incas antes do século 15, como uma das sete novas maravilhas do mundo em 2007.








