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“Se queremos ser competitivos urge investir para melhor atrair”

Foi reeleito na presidência do Instituto Politécnico de Viseu com um conjunto de prioridades para cativar mais estudantes. Em entrevista ao Diário de Viseu, José Costa, fala de projetos para enfrentar a concorrência, de diálogo e estratégias comuns com as CIM, os municípios e as empresas

Reeleito para a presidência do Instituto Politécnico de Viseu, quais são as suas prioridades?

As prioridades são a criação e requalificação das infraestruturas pedagógicas, o ganho de competências e a capacidade constante de adaptação às mudanças do mercado e expectativas dos estudantes, procurando oferecer cursos que permitam responder de forma inequívoca aos exigentes desafios societais e diferentes públicos. Ser uma instituição com alta atratividade é crucial para o nosso crescimento sustentável e reputação, pois influencia diretamente o número de candidatos, a qualidade dos alunos admitidos e pode impactar positivamente as suas carreiras e futuro profissional.

Todos temos essa leitura, a competição entre as instituições de ensino superior é e será cada vez mais intensa, exigindo diálogo permanente e estratégias comuns entre o IPV, as comunidades intermunicipais, os municípios e as empresas, atraindo e fixando mais e melhores talentos no território. Temos que ser preventivos, a crise demográfica que assola o país será muito marcante e de enorme dureza nas instituições de ensino superior, sobretudo nos territórios não litoralizados.

Exige-se encontrar soluções inovadoras que permitam ao IPV, através de novos métodos pedagógicos, marcar presença e fidelizar as pessoas em todos os municípios do distrito de Viseu. No ano letivo 2025/2026, promovendo o incremento da ligação ao território, iniciaremos um Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) Turismo de Saúde e Bem-Estar, em São Pedro do Sul.

O que é que o IPV tem preparado para o novo ano letivo?

O IPV tem como desafio constante a transferência do conhecimento e a sua ligação à comunidade. Necessitamos para isso de continuar a investir em novas formações, na qualificação das pessoas, nas infraestruturas pedagógicas e equipamentos científicos que nos permitam melhorar a investigação e a inovação com impacto no ambiente empresarial. A forte ligação dos estudantes e professores ao mundo empresarial continuará a ser reforçada, contribuindo, ainda mais, para uma indústria capaz de gerar inovação disruptiva, para o apoio ao crescimento económico e ao desenvolvimento social.

No próximo ano letivo, no Campus Politécnico de Viseu, numa clara ligação entre o sistema científico e o mundo empresarial, entrará em funcionamento o STAR Institute que pretende afirmar-se como um Centro de Tecnologia e Inovação (CTI) relevante no ecossistema científico e tecnológico nacional. Este facto será um enorme contributo para a valorização da região, nomeadamente do ensino superior, do seu tecido empresarial e para a atração e fixação de jovens.

Como cativar mais jovens, nacionais e estrangeiros, perante a concorrência que se sente no ensino superior?

A sociedade atual, em qualquer área, vive uma forte concorrência. O ensino superior não foge à realidade do quotidiano. O IPV para poder viver, usufruindo das quantidades de oxigénio adequadas para pensar, tem que ser capaz de gerar dinâmicas institucionais fortemente cativantes, visíveis, que motivem famílias, estudantes, autarcas, empresários e governantes a investir no IPV. É, sem dúvida alguma, um enorme desafio que em conjunto temos que vencer. Teremos que projetar, ainda mais, a nossa instituição, definindo e concretizando um plano estratégico diferenciador.

Um projeto institucional forte para a região, para o país e com visibilidade internacional. Num plano cada vez mais concorrencial, necessitamos de mais investimento na qualidade de infraestruturas pedagógicas, científicas e tecnológicas, e de investir na qualificação e a valorização das pessoas. Para podermos potenciar estas dimensões, num clima harmonioso institucional, necessitamos do enquadramento e publicitação do IPV em todos os momentos de promoção territorial, seja nos encontros locais, regionais, nacionais ou internacionais, promovidos pelos diferentes atores da região.

Hoje somos quase 7.000 alunos, dos quais 800 são estrangeiros. Com um sentido de pertença reforçado seremos, de forma natural, uma instituição sempre em crescimento, com ganhos significativos para a região. No ano letivo 2024/2025, matricularam-se no 1.º ano dos diferentes cursos (CTESP, licenciatura, mestrados, doutoramento, pós-graduação e pós-licenciatura) cerca de 2.500 estudantes.

“O IPV tem de ser capaz de gerar dinâmicas institucionais fortemente cativantes”, afirma José Costa

Sendo o alojamento fundamental para cativar alunos, que respostas tem o IPV para o novo ano letivo?

Hoje, o IPV, no Campus Politécnico, dispõe de três residências com um total de 320 camas, a serem requalificadas. Em edificação está a nova residência com 150 camas, englobando sala de estudo e sala de reunião para usufruir durante as 24 horas. Em Lamego, propriedade do município, está em fase de conclusão a única residência, com 46 camas, que poderá ser usufruída pelos estudantes. A mesma será gerida pelo IPV, fruto de um protocolo entre o município e o instituto. Em Moimenta da Beira, os estudantes poderão usufruir de uma residência com 15 camas. Em Viseu, da responsabilidade do município, está em curso a edificação de uma residência com 52 camas.

Mas os edifícios pedagógicos tem sido também uma prioridade. O que está a ser feito?

O que estamos a concretizar e a dialogar com as instituições é sobre como proporcionar melhores condições para o dia a dia da academia no seu todo. Como sabemos, o IPV tem consolidado e aumentado o numero de estudantes bem como o seu corpo docente e não docente. E esse facto exige infraestruturas capazes de acolher, lecionar, atrair e fixar talentos. Em curso está a edificação da Escola Superior Agrária de Viseu, uma residência de estudantes, com um total de 150 camas, a sala de estudo e de reuniões 24 horas, um espaço de formação no Departamento de Engenharia Mecânica e, ainda, através do Star Institute, o Centro de Tecnologia e Inovação.

Para além do que se encontra a edificar, apresentámos uma candidatura à CCDR Centro para a requalificação da Escola Superior de Educação, com urgência de novas e renovadas instalações, e à CCDR Norte uma candidatura para o Pólo 2 da ESTGL, em Lamego, num protocolo com o município, crucial para o financiamento do projeto.

De salientar que o Município de Lamego investiu na requalificação de um espaço pedagógico que nos permitiu acolher os cursos com caráter tecnológicos promovidos com a Delloite. Há, contudo, outros investimentos que necessitamos de fazer a curto prazo - a 5.ª fase da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu e a ampliação da Escola Superior de Saúde de Viseu, vitais para o crescimento. Se queremos ser competitivos não temos outra solução – urge investir para melhor atrair, seja nas pessoas, seja nas infraestruturas.

Mantendo a formação tradicional, onde se sentem os investimentos em inovação e em novas tecnologias?

O nascimento das novas infraestruturas permitirá o impulsionar de mudanças pedagógicas para um ensino de elevada qualidade, de acordo com tendências contemporâneas de referência a nível nacional e internacional. É com esse propósito que investimos nos novos equipamentos. Num contexto mais moderno precisamos de construir novas oportunidades para a academia, co-responsabilizar e co-construir o conhecimento, potenciando sinergias entre a academia e o mundo das empresas/instituições. Uma estratégia participada e representativa de cooperação interinstitucional exige-se, onde estejam patentes a inovação curricular, a transformação pedagógica e a dinamização de novas ações de capacitação e desenvolvimento. Promover a circulação de docentes, estudantes e pessoas das instituições parceiras permitirá contribuir para a consolidação de uma rede colaborativa para a transformação e melhoria dos processos de ensino e aprendizagem.

Mas também há que destacar a aposta na investigação.

A investigação é fundamental para o crescimento da instituição e a sua afirmação no contexto das instituições de ensino superior. E o IPV tem feito muito trabalho, com reconhecimento, o que lhe tem permitido a envolvência em grandes projetos nacionais e internacionais, seja no mundo académico, seja no mundo empresarial/institucional. Fruto do investimento realizado, alicerçado em capital humano de grande qualidade, o qual integra unidades de investigação avaliadas com muito bom, estamos hoje a usufruir da possibilidade de atribuir o título de doutor em determinada área científica.

Uma conquista extraordinária, de valor acrescentado, na senda de outras que o IPV conseguiu e o posiciona no caminho de novos e grandes desafios. No momento, estamos perante algumas mudanças no âmbito da organização da ciência e tecnologia. Aguardemos a definição das novas políticas do Governo para a dimensão “Investigação, Ciência e Inovação”.

Nova Residência IPV
Construção da nova residência do Instituto Politécnico de Viseu

Assim como na internacionalização. Uma aposta que não passa só pela captação de alunos.

No que respeita à internacionalização, o IPV tem feito progressos significativos, na medida em que este é um elemento-chave no plano de desenvolvimento estratégico e uma prioridade transversal às diferentes missões e atividades: assim, tem captado inscrições de estudantes estrangeiros (especialmente da CPLP); tem visto aumentar o número de estudantes, docentes e colaboradores não-docentes em programas de mobilidade; tem alargado parcerias com universidades estrangeiras ao nível da cooperação em projetos de I&D; tem promovido vários encontros internacionais; tem proporcionado a inserção de estudantes em estágios no estrangeiro; tem-se articulado com práticas de responsabilidade social com enfoque internacional.

Sendo a estratégia institucional alargar protocolos de colaboração internacional e promover a mobilidade em contextos interculturais e multilingues, é fundamental para o IPV continuar a missão encetada, garantindo a consecução de cinco objetivos operacionais: aumentar a integração em redes internacionais para reforço da missão da instituição, promover iniciativas de suporte ao recrutamento de estudantes estrangeiros, promover iniciativas de apoio à mobilidade para estudos e estágios incoming e outgoing, também em modo blended, promover a internacionalização da língua portuguesa e valorização do desenvolvimento de competências em língua inglesa e promover a criação de um espaço físico e virtual de mobilidade interuniversitária caracterizada por uma mobilidade intercultural e contexto multilingue.

A integração do IPV como membro da Universidade Europeia EUNICE, em setembro de 2022, abriu novos horizontes e oportunidades de crescimento e uma afirmação internacional marcante na vida da instituição.

O Governo propõe, na revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, universidades e universidades politécnicas, ambas lideradas por reitores. Concorda?

Muitas das propostas do Governo que constam no RJIES nós concordamos com elas. Provocarão mudanças significativas na lei atual e permitirão equacionar novos projetos de desenvolvimento no ensino superior, em Viseu. Ser Universidade Politécnica é abrir novos horizontes e um reconhecimento justo pelo trabalho desenvolvido no país, ao longo dos anos. E as regiões merecem que as suas instituições de ensino superior sejam valorizadas pelo quanto fizeram para o desenvolvimento das regiões e do país. A designação de reitor, em detrimento de presidente, acompanha de forma natural a nomenclatura na generalidade do que acontece nos países europeus e outros continentes.

De grande importância, isso sim, decisivo para o crescimento e desenvolvimento das Universidades Politécnicas, é o financiamento das mesmas. Não pode haver em cursos semelhantes, existentes nos dois subsistemas de ensino, uma diferença tão significativa no financiamento.

A ser aprovada, o que é que muda nos politécnicos?

A consagração legislativa da designação “Universidade Politécnica” para as instituições de ensino superior de natureza politécnica é alteração de elevada pertinência política, académica e simbólica, a qual vem reconhecer o percurso de consolidação e afirmação institucional que os Institutos Superiores Politécnicos têm trilhado nas últimas décadas. Esta designação, consagrada na Lei n.º 16/2023, de 10 de abril, e agora densificada na presente proposta de alteração ao RJIES, não põe em causa a natureza binária do sistema de ensino superior, antes a reforça. Atribuir aos politécnicos a designação de Universidades Politécnicas não os transforma em universidades clássicas, nem dilui a sua identidade.

Pelo contrário: reforça a missão aplicada, regional e orientada para a inovação que caracteriza estas instituições, afirmando a sua especificidade no seio do espaço europeu, onde modelos semelhantes têm sido adotados.Este passo é tanto mais importante quanto contribui para a clarificação e valorização do lugar das instituições politécnicas no sistema. A nova designação reflete a maturidade científica, pedagógica e organizacional atingida pelas instituições do subsistema politécnico que, hoje, desenvolvem atividade de investigação reconhecida, oferecem formação em todos os ciclos de estudos e colaboram com os principais atores económicos, sociais e culturais.

Trata-se de uma alteração positiva e estrutural para o reforço da coesão e da atratividade do sistema de ensino superior português, correspondendo a uma justa valorização das instituições politécnicas bem como necessidade de adaptação do RJIES à realidade atual.

Agosto 7, 2025 . 08:00

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