
Festival em Santar quer “descomplicar a música erudita” com quatro concertos
As peças a interpretar por João Barradas, acordeonista de referência a nível nacional e internacional, pecam por tardias.
Nunca se ansiou tanto pelo encontro, algo inesperado, de um piano e de um acordeão. Terá levado o seu tempo, certamente, porque falamos de arranjos de obras de Schubert que agora se deparam com uma nova sonoridade. A acompanhar estará também um quarteto de cordas. E que bonito que será, especialmente por ser nos jardins da emblemática Casa de Santar ou no Paço dos Cunhas.
A apresentação do festival Santar Music Series, que decorreu ontem no Salão Nobre da Câmara Municipal de Nelas, e contou com a presença do presidente do Music Series Festivals, Manuel Santiago, do diretor artístico do evento, Vasco Dantas, do presidente da autarquia, Joaquim Amaral, e da diretora geral do Valverde Santar Hotel & Spa, Diana Lacerda.
Falemos, então, de um programa que celebra a música erudita, sob o tema Echos, durante três dias de concertos que prometem aliar a excelência musical ao melhor do coração do Dão. Abre com piano e marimba, segue pelo violino, acordeão e clarinete e termina com trompete, fliscorne e, como não poderia deixar de ser, piano.
“Partindo da génese do Algarve Music Series, tentámos expandir para outros locais e agora com esta pérola no coração do Dão, vai ser interessante”, começou por dizer Vasco Dantas, diretor artístico do festival, acrescentando que “para além de termos toda esta fusão de artes, vamos aliar uma alta qualidade musical e artística, concentrando tudo isso em quatro concertos”.
Em jeito de boa disposição, o festival arranca a 12 de setembro, uma sexta-feira, com “Bach Mirror”. “Vamos ter um duo com um pianista francês e uma marimbista búlgara, ambos reconhecidos internacionalmente. Thomas Enhco é um pianista muito versátil e excelente na parte erudita, mas também no jazz, na composição e na improvisação, e Vassilena Serafimova que na marimba faz exatamente o mesmo”, explicou, adiantando que vão tocar Bach e “reinventar aquilo que ele compôs há mais de 200 anos”. Será, por isso, um bom arranque de um festival preenchido por jazz, modernismo, novas composições, criações artísticas em palco e improvisação in loco.
O segundo dia conta com “Ecos e Fusões”, onde LetíciaMoreno, João Barradas e Joel Cardoso vão remeter o público para um novo mundo.
“Começamos com LetíciaMoreno que também vai pegar em Bach e fazer novos arranjos. Em vez de ter uma orquestra ou ter um piano a acompanhá-la, vai ter um acordeão e aí entra João Barradas, um ícone do acordeão a nível nacional e internacional”, afirmou Vasco Dantas.
E é neste segundo dia que será feito algo que nunca se viu: “o João Barradas vai fazer algo que nunca foi feito que é pegar em obras de piano, nomeadamente três obras de Schubert para piano e um quinteto de Schumann, para tocar com um quarteto de cordas. Ele próprio fez os arranjos para o seu instrumento, o acordeão, e é isto que ele faz tão bem”. Já Joel Cardoso irá apresentar dois fados portugueses, adivinhe-se, com clarinete.
No último dia de festival, o destaque vai para Sergei Nakariakov, no trompete, e Vasco Dantas, no piano. “Vai ser muito interessante este diálogo porque vamos iniciar com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e o maestro Pedro Neves, e apresentar duas melodias de Luís de Freitas Branco, um compositor português falecido em 1955”, destacou.
No final de cada concerto, o público é convidado a usufruir de um cocktail, com direito à degustação de vinhos do Dão, em momentos de convívio informal com os artistas e outros convidados.
Um festival que promete celebrar o coração do Dão
“Estamos a falar de um evento cultural de excelência. O nosso território já tem muitos eventos de promoção territorial de grande qualidade, mas este tem a especificidade de descomplicar a música erudita”, disse o presidente da Câmara de Nelas, durante a sessão de apresentação.
Além disso, frisa Joaquim Amaral, “estamos a falar de um festival que tem repercussão a nível internacional e que no nosso país, normalmente, é feito nos grandes meios urbanos e agora chega a Santar”.
Também a diretora geral do Valverde Santar Hotel & Spa, Diana Lacerda, destacou um evento que “poderia ser feito em qualquer parte do país, mas conseguiu-se trazer este evento para Santar”. “Sei que tem trazido muita curiosidade, inclusive no próprio hotel, por parte de hóspedes e mesmo a própria comunidade de Santar está bastante interessada neste evento”, concluiu.







