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“Hoje celebramos a excelência do vinho do Dão e dos seus produtores”

A Comissão Vitivinícola Regional do Dão organizou em Mangualde a gala de entrega dos prémios aos melhores vinhos engarrafados. A cerimónia de 2026 poderá acontecer em Nelas, segundo Arlindo Cunha

A excelência do vinho do Dão mas também a resiliência dos seus produtores e das suas gentes foram celebradas durante a gala de entrega dos prémios do Concurso dos Melhores Vinhos do Dão Engarrafados. E o espaço escolhido não podia ter sido melhor: o Palácio dos Condes de Anadia, em Mangualde, onde a história se encontra em todos os recantos de um edifício do século XVIII, mas também nos seus jardins e na mata que o envolvem.

E foi exatamente num desses jardins, debaixo de um enorme plátano que aconteceu a cerimónia numa iniciativa da Comissão Vitivinícola Regional do Dão. A chuva ameaçou, mas são Pedro ajudou. Afinal, vinho e água não ‘casam’ lá muito bem.

Com as presenças dos ministros da Presidência, António Leitão Amaro, e da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, foi o presidente da Câmara de Mangualde, Marco Almeida que iniciou os discursos agradecendo aos produtores e considerando que “mais do que um produto, se celebra a alma de uma região”.

“O vinho do Dão é há séculos embaixador da nossa cultura, da nossa terra e do saber das nossas gentes. É fruto de um território único, de um clima exigente e de mãos que com paixão e resiliência cuidam da vinha e transformam uvas em arte líquida”, começou por afirmar Marco Almeida, reconhecendo que “Mangualde tem o orgulho de fazer parte desta região vitivinícola onde existem 27 produtores e engarrafadores, cerca de cinco milhões de quilos na campanha de 2024-25 distribuídos por cerca de 985 hectares de vinha por encostas que contam histórias, por vales que produzem excelência e por famílias que perpetuam tradições”.

Um concelho de queijo e de maçã que ‘casam’ tão bem como um bom vinho do Dão, tinto, branco, rosé ou com um espumante.

“Ainda há apoios que não podemos perder”
Por sua vez, o ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, falou de números, de apoios e de apostas.

Começando por referir que “o país conseguiu um superavit de 800 milhões de euros no setor do vinho que aumentou as exportações em 4,5 % e diminuiu as importações em cerca de 20%”, o governante considerou que é preciso “fazer mais”.

“Face à excelência dos nossos vinhos, à qualidade das nossas e dos nossos enólogos, nós podemos e devemos apostar mais, consolidar os mercados, abrir para outros”, afirmou, lembrando que foi “aberto um concurso de 20 milhões de euros e que as candidaturas foram 12 milhões de euros”, o que significa que “existem ainda montantes disponíveis que não se podem perder”.

Recordando o plano para o vinho iniciado em 2024 com o aumento da fiscalização, com a desativação de montantes destinados destinados à promoção do IVDP e do IVV que eram sempre, e inaceitavelmente, desativados”.

“Desde 2020 até 2024 nós utilizamos dinheiro sobretudo de cidadãos europeus para a destilação no valor de 54 milhões de euros, o que não pode ser, pois não é solução”, afirmou o ministro na gala que sexta-feira reconheceu o trabalho e a qualidade dos produtores e dos seus vinhos, explicando que “avançando para destilação tem de haver um compromisso para uma alteração, uma substituição, caso contrário nunca se conseguirá o equilíbrio entre a oferta e a procura”.

Sublinhando um outro passo importante que se prende com a importação, José Manuel Fernandes explicou que “quem importou vinho nos últimos três anos não foi permitida a destilação em 2024”, considerando que “era inaceitável que se importasse vinho a um preço e a destilá-lo a um preço superior fazendo disso um negócio e prejudicando o mercado”.

“Avançámos também com uma linha de 100 milhões de euros para as cooperativas que só receberam as verbas pagando ao produtor”, afirmou , garantindo que o plano para o vinho é para continuar”, apostando igualmente, “no enoturismo onde as CCDR e os programas operacionais são bastante importantes”.

Adiantando que se está também a “trabalhar num plano para as cooperativas, com verbas do Fundo Ambiental com o objetivo da eficiência energética e outra parte com o Compete 2030”, onde a reestruturação das dívidas também com o apoio do Banco Português de Fomento, a possibilidade de fusões, a capacitação é absolutamente essencial”.

“Há ataques inaceitáveis ao setor do vinho”

Enaltecendo o trabalho de todos, desde os produtores até às comissões vitivinícolas, o governante sublinhou o apoio de 375 mil euros para CVR Dão a promoção do Dão para países terceiros e 83 mil euros para o mercado interno e afirmou que “ainda há recursos para este objetivo”. Lamentando o “ataque global, mas também interno, ao setor do vinho que é inaceitável”, o ministro adiantou que “o vinho consumido com moderação e responsabilidade nunca fez mal a ninguém”.

Depois do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, ter recordado os tempos em que o vinho do Dão se vendia sobretudo em garrafão, o presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão sublinhou o facto de se estar a “celebrar a qualidade do vinho do Dão nesta região centenária de Portugal”.

“Estes concursos distinguem a qualidade e constituem um instrumento de promoção dos nossos produtores”, afirmou Arlindo Cunha, avançando que esta gala de entrega de prémios aos melhores engarrafadores da região poderá acontecer em Nelas em 2026”.

Julho 14, 2025 . 08:00

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