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Dia dos Viriatos exalta regimento “cuja fama ninguém virá que dome” (galeria)

Regimento de Infantaria 14 assinalou os 74 anos da mudança para o atual quartel com um conjunto de atividades de carácter militar, religioso e cultural, do qual fez parte o lançamento do livro “Viriato meu Herói”

“Este dia, oficialmente, comemora a vinda do regimento para este quartel, mas na realidade é um encontro das várias gerações de Viriatos, de todos os militares que prestaram serviço neste regimento. Esta é a minha primeira vez como comandan­te a assistir e a participar neste dia e é uma honra receber todos aqueles que cá prestaram serviço”. As palavras são do comandante do RI (Regimento de Infantaria) 14, coronel João Barros, que tomou posse no final de dezembro, e atestam bem o significado deste dia, assinalado no sábado, para militares, ex-militares daquela casa.
Em entrevista exclusiva ao Diário de Viseu, destacou “o orgulho enorme em comandar este regimento, pela equipa que comando, pela sua história e a parte da história que é representada aqui hoje com todas as gerações aqui presentes”.
O comandante destacou, do programa, a homenagem aos mortos em combate, “uma for­ma de honrarmos a história específica deste regimento mas também o esforço nacional nas várias batalhas que ao longo da nossa extensa história foram travadas”, e o lançamento do livro “Viriato meu Herói”, da autoria de Carlos Almeida.
Questionado sobre o impacto do dia, considerou que “é difícil dissociar Viseu da sua presença militar, permanente em quartel ou ao longo da história nacional. Estamos muito bem inseridos nesta comunida­de, temos uma relação excelen­te com as diversas instituições oficiais e com a população, tentamos também fazer a nossa cota parte no apoio que prestamos à comunidade, que também se insere na nossa atividade diária”.
O “Dia dos Viriatos” teve início com a receção das entidades, ex-militares e familiares. Seguiu-se a missa campal e a cerimónia de homenagem aos mortos em combate. Antes do almoço de confraternização, abrilhantado pela Viriatuna, foi apresentado o referido livro.

 

“Uma marca para a vida que nos une a todos”

O comandante João Barros realçou o peso institucional do dia, em que se celebra também “o orgulho em pertencer ou ter pertencido a esta unidade. Prestar serviço no 14 da Infantaria significa ser Viriato, uma marca para a vida que nos une a todos. É esse o sentimento quando acolhemos todos os Viriatos e as suas famílias para um dia de confraternização e troca de experiências. Hoje, mais do que um aniversário do quartel dos Viriatos e do convívio, queremos também homenagear o nosso patrono e a todos quantos serviram e servem no RI 14. Hoje, transformamos também o nosso quartel num palco de memória, cultura e de inspiração”, enfatizou.

 

O herói implantado no nosso imaginário comum

Carlos Almeida, autor da obra, confessou-se “fascinado desde criança pelas lendas de Viriato”, uma sedução que se intensificou na escola primária.
“Viriato era o herói acima dos reis, dos príncipes, dos navegadores, dos aventureiros da nos­sa história, o herói implantado no nosso imaginário comum. Portanto, este livro é um tributo pessoal e singelo a toda uma perspetiva construída desde a minha infância, consolidada pela minha permanência em Viseu”, asseverou.
O autor, que prestou serviço no RI 14 na década de 80, salientou que Viriato “é um símbolo de grande coragem, da união e determinação de todo um povo e da memória coletiva de um povo que reconhece no seu exemplo de bravura a necessária força para resistir e superar as adversidades da vida”.
Durante a apresentação, o tenente coronel Marques de Almeida leu dois dos poemas incluídos na obra de Carlos Almeida, que já publicou 12 livros em prosa e nove em poesia.
No final, o autor, que foi fundador das associações culturais ARCA, de Santa Cruz da Trapa, e GICAV – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, não deixou de agradecer aos três últimos comandantes do RI 14, coronel Moreira, coronel Escorrega e o atual comandante, João Barros, “por terem acreditado neste projeto e por terem ajudado a concretizar esta ideia”.
Para o comandante do RI 14, este livro “não é apenas um tributo ao herói da Lusitânia e do imaginário de qualquer português, mas é também o espelho da alma do nosso regimento, o 14, profundamente enraizado na história, na coragem e nos valores que Viriato representa. O RI 14 tem no seu código genético esta herança única, não apenas pelo nome que ostenta, mas também pela ligação indelével à cidade de Viseu, terra que é um berço de cultura, tradição e identidade nacional. É nesta cidade que a história de Viriato ganha contornos vivos”.
João Barros acrescentou que a obra nasceu do desejo de projetar e partilhar o passado para o futuro, como um reforço da união e respeito pela herança recebida, “para inspirar os que servem hoje e os que virão a servir no futuro o RI 14”.
Na sua opinião, o livro “é um guia de valores, um estímulo para o estudo da nossa história e um tributo duradouro ao 14 da Infantaria, a Viriato, a Viseu e a Portugal, um gesto de homenagem aos que passaram por esta casa, a todos os que partiram para teatros de operações e aos que pedra sobre pedra construíram a reputação de excelência que hoje nos distingue”.
“Enquanto comandante, garanto que todos os dias trabalhamos para que se continue a afirmar do nosso regimento “cuja fama ninguém virá que dome”, concluiu.

 

A origem do “Dia dos Viriatos”
Em julho de 1951, o Regimento de Infantaria 14 (RI14) muda-se do velho Quartel dos Terceiros, junto ao Rossio de Viseu (onde esteve quase 110 anos), para as atuais instalações (conhecidas como o “Quartel dos Viriatos”), que na altura era uma zona já fora da cidade, junto aos limites de Repeses.
A inauguração do Quartel dos Viriatos é celebrada anualmente com o “Dia dos Viriatos”, concebido como momento de união e convívio entre os que serviram no passado e os que atualmente prestam serviço nesta nobre Unidade do Exército Português, contribuindo assim também para a preservação dos valores, das tradições e do património histórico-cultural dos portugueses.

Julho 12, 2025 . 17:38

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