
“A mensagem não passou e o PS deve continuar a defender o seu projeto ainda com mais força”
“Obviamente a AD ganhou contrariando as nossas expetativas e por isso felicitei Leitão Amaro por esta vitória no distrito”, começou por afirmar Elza Pais, reconhecendo que “também o Chega subiu mais na votação do que alguma vez se poderia imaginar”.
Considerando que “Portugal está a ficar muito próximo de países com um percurso que não se queria de todo”, a deputada eleita reconheceu que “Viseu acompanhou a tendência nacional” com a AD e o Chega a assumirem-se como as principais forças políticas.
“Temos de tirar ilações profundas porque esta subida do Chega é um ataque e é um perigo para a Democracia”, alertou, explicando que “houve uma transferência dos votos do PS para a AD ou seja uma alternância do poder que acontece nos vários ciclos eleitorais que tendo ao longo da história da Democracia”.
Considerando que a “Democracia continua a merecer a confiança dos mais velhos que ao deixarem de votar no PS, votarem na AD”, a deputada socialista reconhece que é preciso olhar para o facto de “o Chega ser um partido de jovens e perceber como é que a Democracia os vai cativar”.
“Os nossos jovens não têm memória do que foi o fascismo, coisa que os mais velhos têm e por isso todos os partidos do espetro da Democracia precisam de perceber como é que os vamos cativar e consciencializar para o que está em jogo, dizer-lhes o que era a Ditadura e a forma miserável como viviam as pessoas sobretudo neste interior que eram obrigadas a emigrar de forma ilegal”, sublinhou, acrescentando que “muitos desses jovens são netos destes emigrantes e estão a escolher um partido que põe em causa a Democracia e as conquistas do Estado Social”.
Questionada sobre se esta derrota do PS tem culpados, a deputada responde de forma categórica: “Não considero que haja culpados nenhuns, são ciclos da vida política de um país e, portanto, é neste quadro que temos de analisar todos estes atos. Por parte do PS, nós tentámos fazer chegar o nosso projeto político à grande maioria do eleitorado, um projeto de um país justo, mais igual, de maior aprofundamento da Democracia, de um Estado Social onde os recursos possam ser repartidos de uma forma equitativa para toda a gente”.
Considerando que “esta mensagem não passou na medida do desejável”, Elza Pais afirma que “os socialistas têm de continuar a defender este projeto ainda com mais força” quer pelos dois deputados eleitos, quer por todos os políticos da região.
Procurámos saber se este resultado poderá vir a ter consequências nas próximas eleições autárquicas ao que a deputada respondeu: “Eu não quero antecipar nenhuma leitura relativamente às consequências seja a que nível for pois entendo que temos de estar todos unidos na defesa do nosso projeto político”.
Considerando que “há dois desafios próximos muito importantes como sendo as Autárquicas e as Presidenciais”, a deputada socialista afirma que “o PS tem de estar unido em torno destes dois atos eleitorais”, nomeadamente quanto às Autárquicas onde gostava que os nossos autarcas e candidatos, a começar por Viseu com João Azevedo, ganhassem estas eleições.
“Era sinal de que João Azevedo, em particular, e todos os nossos autarcas para o distrito, conseguiriam passar esta mensagem”, concluiu.







