
Conferência em Mangualde discutiu formas de “dar mais valor” ao interior
O Complexo Paroquial de Mangualde foi o anfitrião da sexta edição da iniciativa “Portugal Inteiro - Territórios com Futuro”, uma parceria entre a Fundação da Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Fundação Serralves, que tem vindo a percorrer o país com o objetivo de refletir sobre os caminhos para um desenvolvimento mais equilibrado e integrado dos territórios. A conferência teve como tema central “A coopetição como fator chave para a coesão territorial na atração e fixação de investimento”.
O encontro contou com a presença de vários decisores e especialistas, com intervenções iniciais do presidente da Câmara Municipal de Mangualde, Marco Almeida, do diretor de Recursos, Educação e Projetos Transversais da Fundação de Serralves, Rui Costa, do presidente da Fundação AEP, Luís Miguel Ribeiro, e do vogal executivo da CCDR Centro, Jorge Brandão.
O autarca Marco Almeida sublinhou a importância do evento no contexto regional e nacional, destacando o facto de Mangualde acolher uma conferência “deste calibre, que discute estes assuntos centrais para o futuro do país”. Lembrou ainda que o concelho perdeu população durante 30 anos consecutivos, de 1991 a 2021, mas que,“desde então, tem vindo a inverter essa tendência, graças às políticas locais e ao investimento de cada vez mais empresários”. Reforçou ainda que “hoje há mais empresas, mais pessoas e mais jovens” e que Mangualde “se posiciona, atualmente, como um dos motores de desenvolvimento da região centro, muito por causa do setor automóvel e logístico, mas também pelo trabalho dos homens e mulheres desta terra”.
Rui Costa destacou a importância de se pensar o país “de forma mais coesa” e de compreender que “colaborar com concorrentes pode gerar valor acrescentado”. Sublinhou que a Fundação Serralves tem um papel ativo neste processo, já que promove ligações entre os setores cultural, social e económico. “Acreditamos que o progresso económico surge destas conferências e das ideias que delas surgem. Faço votos de que este projeto continue a criar um país cada vez mais coeso, justo e próspero”, concluiu.
Já Luís Miguel Ribeiro reforçou a ideia de que “não há país que se desenvolva sem um desenvolvimento integrado”. Para o responsável da Fundação AEP, “esta conferência ajuda-nos a perceber como Portugal pode construir o seu futuro de forma sustentada e sustentável, a partir do valor de cada território, da sua dinâmica e dos seus recursos”. Destacou ainda o papel das pessoas e das suas experiências neste processo, o principal foco da associação.
Jorge Brandão reforçou a visão de que todos os territórios têm um contributo a dar, falando numa “região centro com muita diversidade”.
Referiu ainda que “não há dúvidas de que o futuro passa pela colaboração entre as entidades, pela criação de capacidades e pela inovação, na forma como valorizamos os recursos e desenvolvemos as atividades económicas”.
Natural de Mangualde, Diogo Quental, um dos oradores convidados, nivelou Portugal a “um campo de futebol onde os atletas - os agentes económicos e sociais - jogam apenas nas áreas de Lisboa, Porto e litoral, esquecendo o interior”. Apelou a que o país e o seu governo cumpram a Constituição Portuguesa, garantindo “um desenvolvimento social e económico harmonioso em todas as partes do campo”. Para o gestor, é essencial “ocupar o território” e identificar oportunidades onde existem problemas, transformando-os em soluções concretas. Destacou “a degradação do património cultural e a dependência alimentar dos territórios do interior” como riscos estruturais, dando como exemplo a pandemia e o recente apagão. Entre as suas propostas estão a simplificação do emparcelamento agrícola e a exigência de quotas mínimas de produtos locais nos supermercados. “Temos de permitir que os jogadores joguem por todo o campo”, rematou.
Além do debate, a conferência destacou também projetos concretos em curso em Mangualde, como o ‘Bairro Comercial Digital’, financiado pelo PRR. Com um investimento de cerca de 700 mil euros, o objetivo deste plano é modernizar o comércio local, integrando-o na era digital e ampliando o seu alcance a mercados internacionais.







