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Taxas sobre o vinho podem ‘obrigar’ as regiões a procurarem novos mercados

Estados Unidos da América ameaçam taxar os produtos europeus em 20%, com o vinho a ser um dos setores mais atingidos. O Diário de Viseu conversou com alguns dos principais representantes na região e dá voz às suas preocupações. A União Europeia promove negociações, mas a incerteza já mexe nalgumas regiões demarcadas deste território

O vinho é um dos setores com maior impacto na economia nacional. Uma realidade que se sente igualmente nas regiões demarcadas do Vinho do Dão e do Douro que assumem uma enorme importância neste território de Viseu. Confrontado com um conjunto de desafios e de problemas que vão desde os impactos das alterações climáticas, à diminuição do consumo, a uma imagem negativa que a ONS tem passado no âmbito da saúde e campanhas agressivas na prevenção rodoviária, à quebra de exportações, ao aumento de custos, até ao excesso de stocks que continuam a verificar-se, o setor vê-se agora ameaçado por taxas, praticamente incomportáveis para os produtos europeus, nomeadamente nos vinhos, que têm no mercado norte-americano um dos principais exportadores.
Para já são só ameaças do Presidente dos Estados Unidos da América que quer criar taxas sobre champanhe, vinho e outras bebidas destiladas da União Europeia. Mas será importante atentar no que já acontece noutros países e começar a definir estratégias que poderão passar por outros mercados emergentes, criando novas oportunidades para os vinhos deste território.
O Diário de Viseu foi ouvir alguns dos principais protagonistas do setor que são, também, quem dão voz aos produtores na medida em que são eles que exportam os vinhos para os diversos mercados. Estamos a falar das adegas cooperativas e das associações como a UDACA, mas também a Comissão Vitivinícola do Dão e a ViniPortugal. E numa coisa todos estão de acordo. Estas taxas, a acontecerem, “prejudicam verdadeiramente os vinhos deste território, tal como acontecerá a nível nacional, tendo em conta que os EUA são o maior ou o segundo maior mercado exportador”. Mas, também, há quem reconheça que esta pode ser uma oportunidade para se apostar em novos mercados e desta forma, criar alternativas ao mercado norte-americano.
Será fácil? Claro que não. As apostas das empresas portuguesas no mercado norte-americano já vêm de longe e a haver alterações obrigava a que muitas delas iniciassem um trabalho a partir do zero com novos investimentos que lhes permitissem reinventar o negócio.
Confiante nas negociações que estão a decorrer entre a União Europeia e a administração Trump, o presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão afirmou ao Diário de Viseu que, “não sabendo ainda o que vai acontecer, é melhor não especular quanto ao futuro”.
“Ainda que as taxas estejam já anunciadas, como há uma moratória pedida pela UE vai haver negociações”, afirmou Arlindo Cunha, admitindo, no entanto, que “qualquer imposição de taxas sobre os vinhos, seja qual for o seu nível, será sempre mau porque no que respeita ao vinho do Dão os EUA são nesta altura o maior mercado muito próximo do Canadá, com cerca de 12%”.
Adiantando que “as exportações portuguesas estão mais ou menos espalhadas por um conjunto de 60 países”, o dirigente reconhece que “uma uma taxa de 20%, não sendo bom, permite aos vinhos portugueses, que são bastante baratos numa relação qualidade-preço, continuarem competitivos”.
“Mas a partir daí, se for uma taxa de 50% ou mais já estamos a falar de um boicote e não de uma tarifa protecionista”, reforçou
Perante a ameaça, quisemos saber se o território tem alternativas ao mercado norte-americano, com Arlindo Cunha a reconhecer que “nos vinhos, como em qualquer outro setor, quando um mercado se fecha há que encontrar outro”.
“Mas nesta altura penso que devemos aguardar que a poeira assente para depois com discernimento vermos o que realmente há e o que podemos fazer”, afirmou
Em relação às medidas aprovadas pela União Europeia vocacionadas para o setor do vinho antes destas ameaças de Donald Trump, Arlindo Cunha considera que “estas são positivas”, mas sublinha que “o grande apoio que a União Europeia tem dado até agora tem sido sobretudo no reforço à promoção em mercados de países terceiros, o que é fundamental”.

Abril 21, 2025 . 08:45

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