
Stellantis e Câmara de Mangualde preparam transporte ferroviário
A Stellantis quer passar a transportar os carros produzidos na fábrica de Mangualde por ferrovia. Uma pretensão apoiada e desejada pela câmara municipal que, sentadas à mesma mesa, procuram criar as condições para que essa meta seja alcançada. Dificuldades? Sem dúvida, o eterno adiar da reabertura cabal da Linha da Beira Alta que recentemente abriu entre Mangualde e Celorico da Beira. E cujo troço, que liga Mangualde a Pampilhosa, aguarda a certificação, podendo abrir até ao verão, de acordo com o atual ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
A pretensão dos responsáveis pela fábrica de Mangualde já é notícia em Espanha, para onde esta escoa atualmente cerca de 70% da sua produção através de Vigo. O jornal Faro de Vigo dava notícia de uma intervenção de Amândio Marinho, outbound manager da Stellantis Mangualde, num painel organizado pelo jornal digital Transportes & Negócios”, que reconhecia que os veículos despachados por Vigo “gera algumas limitações e acrescenta custos".
“Fazê-lo por Aveiro significaria, só em termos de tempo e distância, encurtar o processo em dois terços. E, claro, haveria mais economia em pessoal e combustível”, afirmou o mesmo responsável, considerando que “isso passa pela criação de condições para a acessibilidade marítima e para a operação de embarcações de transporte de automóveis”, que está a ser estudado.
A mesma pretensão assumiu Múcio Brasileiro, diretor da unidade de Mangualde, ao ECO/Local Online, a quem explicou que “numa primeira fase haverá um comboio semanal com 730 metros e 33 vagões, e capacidade para 128 veículos, capacidade equivalente à transportada por 16 camiões com oito veículos cada”.
“Estamos a trabalhar em conjunto com a câmara para distribuição dos nossos veículos por meio ferroviário. Há ainda muito a trabalhar para que se torne rentável, mas estamos com projeto para iniciar ao menos uma rota mais curta como prova de conceito, em parceria com o presidente da câmara”, avança.
Responsabilidade de todos
Ao Diário de Viseu, o presidente da autarquia, Marco Almeida, reconheceu que “nos últimos três anos tem sido acompanhada aquela que é a ambição do grupo e uma das ambições da fábrica de Mangualde. “Aquando das comemorações dos seus 60 anos, a empresa assumiu-se como querendo ser a primeira empresa do país a produzir o carro elétrico e também a disponibilidade para voltar a colocar os carros no terminal ferroviário de Mangualde. E foi a partir desse momento que começámos a trabalhar de uma forma ainda mais próxima”, afirmou o autarca, apontando Mangualde “como um dos concelhos mais industrializados da região, com um tecido empresarial dinâmico e fortemente exportador” com a presença de 56 empresas de transportes logísticos”.
E, por isso, para o autarca socialista, “o terminal ferroviário assume um papel essencial no escoamento de mercadorias e também na atração de investimentos para o concelho”.







