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Insolvências empresariais crescem 16,7% em Viseu nos primeiros cinco meses do ano

Região evidencia subida acima da média nacional, segundo análise da Allianz Trade

O distrito de Viseu registou um crescimento de 16,7% nas insolvências empresariais até maio, destacando-se entre as regiões do país com aumentos acima da média nacional, segundo a análise da Allianz Trade.

De acordo com o relatório, Portugal contabilizou 955 processos de insolvência de empresas nos primeiros cinco meses do ano, traduzindo uma subida moderada de 2,7% face ao mesmo período de 2025. Apesar desta evolução contida, Viseu surge como uma das regiões com maior incremento, a par de Setúbal (+32,6%), Braga (+12,2%) e Leiria (+8,3%).

O relatório indica que Porto e Lisboa concentram cerca de 44% das insolvências registadas, embora com dinâmicas distintas: Lisboa teve um aumento de 7,5% e o Porto uma diminuição de 8,9%. Por outro lado, regiões como Coimbra (-40,6%), Santarém (-38,2%) e Castelo Branco (-31,6%) registaram reduções significativas.

Segundo a Allianz Trade, "esta alternância de ritmos sugere que o tecido empresarial continua a enfrentar desafios relevantes, mas sem sinais claros de deterioração transversal".

Quanto à tipologia das empresas, as microempresas representam 66% dos processos de insolvência. As pequenas empresas registaram uma redução de 8,4%, enquanto as médias empresas aumentaram 32,4%, embora com peso reduzido no universo total. As insolvências mantêm-se mais frequentes em empresas com mais de 10 anos de atividade, mas verificou-se um aumento de 26,1% nas empresas com dois a cinco anos, evidenciando dificuldades na fase de consolidação dos negócios.

No plano sectorial, serviços e construção registaram os maiores aumentos homólogos, de 14,8% e 9,7%, respetivamente. O retalho evidenciou um recuo de 16,8%, enquanto os setores agroalimentar e têxtil diminuíram 5,4% e 0,9%.

A Allianz Trade assinala ainda o aumento das insolvências nos setores químico, de commodities e tecnologias de informação, salientando que estes partem de bases estatísticas mais reduzidas e exigem uma leitura prudente.

O relatório conclui que "os primeiros cinco meses de 2026 continuam a transmitir uma imagem globalmente equilibrada do tecido empresarial português". Apesar da subida moderada das insolvências, "os dados não apontam para um agravamento transversal do risco, mas antes para uma evolução diferenciada entre setores, regiões e tipologias de empresas".

Numa conjuntura de incerteza e custos de financiamento exigentes, a Allianz Trade sublinha que "a proximidade ao mercado e a monitorização contínua dos sinais de risco permanecem essenciais para antecipar tendências e apoiar uma tomada de decisão informada".

Junho 23, 2026 . 18:30

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