
Teerão volta a fechar estreito de Ormuz
O Irão voltou a fechar o estratégico estreito de Ormuz, anunciou hoje o exército iraniano, numa retaliação contra ataques de Israel no sul do Líbano, em violação do acordo alcançado com os Estados Unidos.
"É anunciado que o estreito de Ormuz será encerrado ao tráfego marítimo (...) Este primeiro passo é uma resposta à violação de compromissos pelo inimigo [Israel] ", disse o Estado-Maior Central Khatam-al Anbiya num comunicado transmitido na televisão estatal iraniana IRIB.
"Se a agressão continuar, outras medidas serão planeadas e implementadas para obrigar o inimigo a cumprir as suas obrigações", acrescentou.
Na declaração, o exército denunciou que os Estados Unidos não cumpriram o primeiro e fundamental ponto dos 14 que compõem o memorando de entendimento: garantir a cessação das operações israelitas no Líbano.
Os bombardeamentos israelitas, realizados segundo o exército israelita em resposta aos ataques do movimento xiita libanês Hezbollah, mataram mais de 50 pessoas em 24 horas, indicou o Ministério da Saúde libanês.
Teerão justificou a decisão de encerrar o estreito de Ormuz com a "violação implacável e contínua do cessar-fogo pelo regime sionista no sul do Líbano", bem como o "brutal assassínio e deslocamento de centenas de milhares de pessoas oprimidas", depois da "recusa das forças de ocupação sionistas em retirar-se dos territórios do sul do Líbano", como disse na sexta-feira o ministro da Defesa israelita, Israel Katz.
O regime iraniano tinha encerrado esta passagem estratégica entre o oceano Índico e o golfo Pérsico, por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo, após os ataques de Israel e EUA, em 28 de fevereiro.
A reabertura do estreito estava prevista no memorando de entendimento assinado na quarta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, com vista ao início de negociações para pôr um fim ao conflito no Médio Oriente.
Na quinta-feira, 25 navios atravessaram o estreito de Ormuz, um volume cinco vezes superior à média dos primeiros dez dias de junho e sem precedentes desde meados de abril.







