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Portugal precisa de investir mais em recursos humanos para integrar migrantes

Chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) Portugal, Vasco Malta, defendeu, em Carregal do Sal, a necessidade de mais investimento em formação

O chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) Portugal, Vasco Malta, defendeu a necessidade de mais investimento em formação, recursos humanos e acompanhamento psicossocial mental para integração de refugiados e imigrantes.
“Há várias prioridades e diria que todas em primeiro lugar. É preciso investir no acolhimento inicial e é importante do ponto de vista do Estado, mas também das comunidades, instituições, setor privado, recursos humanos. A formação é muito importante para saber receber as pessoas”, defendeu Vasco Malta.

Vasco Malta esteve em Carregal do Sal, terra natal de Aristides de Sousa Mendes

O chefe da Missão da OIM Portugal falava em Carregal do Sal, distrito de Viseu, terra natal de Aristides de Sousa Mendes, na conferência ‘Refugiados: Um Desafio Global, Uma Responsabilidade Comum – Políticas Públicas, Acolhimento e Integração no Século XXI’, que assinalou o Dia Mundial dos Refugiados.
“Depois, e mais complicado nos grandes centros urbanos, é a questão da habitação. Pode chegar alguém com estatuto, vontade de trabalhar e de aprender português, mas se não tiver um sítio para viver, é muito difícil a integração não ficar comprometida. A língua e o emprego também”, continuou.
O responsável acrescentou que é igualmente “muito prioritário” o papel dos municípios, comunidades e escolas, sustentando que “todos contam, porque é a primeira linha na integração” de imigrantes e refugiados.

“Não esquecer que um refugiado é alguém que foi obrigado a sair do seu país”

Outra das prioridades, especialmente para os refugiados, “é o apoio e acompanhamento psicossocial e mental, porque muitos têm histórias marcantes” e participaram em guerras.
“Não esquecer que um refugiado é alguém que foi obrigado a sair do seu país”, afirmou.
Vasco Malta destacou ainda a “necessidade de investir na informação factual” e a forma de o fazer “é contando histórias reais de imigrantes, para que não haja desinformação e falsas notícias”, ressalvando ser “muito importante saber fazer a distinção entre refugiados e imigrantes económicos, que saem à procura de uma vida melhor”.
Uma distinção que o secretário de Estado Adjunto e da Presidência e Imigração, Rui Armindo Freitas, usou como bandeira na sua intervenção, que encerrou o dia, destacando que Portugal registou “mais de um milhão de imigrantes e, em ano e meio [desde que entrou em funções], foram resolvidos cerca de 98% dos processos” existentes.

O trabalho passa para uma nova fase: “a da integração”

Agora, depois do avanço na legalização, o governante disse que o trabalho passa para uma nova fase, “a da integração e, muito em breve”, o Governo vai apresentar o plano nacional da integração, à semelhança do que fez em 2024, com o plano de regulação dos imigrantes.
“Depois da regulação é preciso tratar da doença crónica, a que não se vê, que é a integração, que perdura no tempo e afeta uma ou duas gerações à frente”, acrescentou, sem adiantar dados sobre o plano.
Afirmou ainda que Portugal é hoje “mais preparado para acudir aos fenómenos extremos, mas também ao quotidiano da sociedade aberta ao mundo”.

Junho 20, 2026 . 08:45

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