O Caos Político
Podemos mudar de Governo, mas o caos político será o mesmo. Vejamos: o Chega salta de uns problemas da conjuntura para outros de forma igualmente ignorante apenas para tentar corresponder aos protestos da sociedade, mas sem quaisquer capacidades, ou o desejo, de compreender as mudanças necessárias.
O PS, por sua vez, é um total vazio de ideias e tenta apanhar no ar o que deseja sejam erros do governo – do tipo da tolice “uma humilhação à escala planetária” – quando o PS sempre decidiu o mesmo, porque é o que está nos tratados e não se muda uma parceria de longo prazo por acidentes da conjuntura.
Finalmente o PSD: o governo e o primeiro-ministro, mostram um optimismo inconsciente sem verem os erros que estão a cometer e sem olharem os perigos que correm e as oportunidades que perdem, nomeadamente nas áreas económicas.
Ou seja, como escrevo há anos, os principais problemas nacionais são de fundo e precisam de dirigentes com a qualidade, a experiência e o conhecimento para os compreender, para os tratar e para os colocar na agenda nacional.
São afinal as questões que tenho descrito nos meus textos: fraco crescimento económico, exportações em queda, excesso de muito pequenas empresas comerciais, falta de médias e grandes empresas industriais. No médio e no longo prazo a verdadeira revolução educativa que tenho defendido, em direcção a uma mudança nos conhecimentos, nos comportamentos e nas competências dos portugueses.
Além dos governos estarem há anos a seguir políticas erradas na economia, na ferrovia, na saúde, na justiça, na educação, na administração pública, nas Forças Armadas e em quase todo o resto.
Vejamos o caso da saúde: os governos de António Costa cometeram dois erros capitais no SNS para satisfazer o PCP e o Bloco de Esquerda, reduziram as horas de trabalho dos funcionários públicos e depois cometeram o crime da criação dos tarefeiros.
Crime que conduziu a que muitos médicos esqueceram a ética médica e as regras históricas da profissão, em troca de dinheiro mais fácil nos sistemas público e privado. Hoje, sem corrigir estes erros não há solução, o sistema está demasiado corrompido e os sindicatos não ajudam.
Agora é urgente corrigir o erro dos tarefeiros, o que passa por uma solução corajosa: terminar com o sistema e ter a coragem de criar novas condições de remuneração no sistema público próximas do estrangeiro e que sejam irrecusáveis para os médicos, a meias com condições de maior ética, disciplina, esforço e melhores regras organizativas, por exemplo, estudar o que pode ser feito para que os enfermeiros assumam algumas das tarefas que hoje são dos médicos, nomeadamente burocráticas, mas não só, é preciso voltar às direcções gerais de profissionais e não de políticos em parte time.
É uma solução financeiramente dolorosa, mas para grandes males grandes remédios. Em relação a todo o panorama político descrito, desejaria que o Presidente da República não caísse também ele no erro de falar e de dar prioridade às questões da conjuntura – incluo nestas a saúde onde já se verifica a má vontade do PS por razões de políticas ligadas a interesses internos – para se preocupar em colocar em debate os grandes temas do futuro, algumas dos quais descrevi acima.
Conheço o Presidente da República e a família há muitos anos, tenho por ele uma grande expectativa e gostaria que ele não se perdesse na voragem do caos político que impede o País de ter uma economia moderna e desenvolvida, além de um Estado moderno e eficiente.






