
Aviões começam a repatriar passageiros de navio a partir das Canárias
O primeiro avião com pessoas do navio do surto de hantavírus saiu já das Canárias para Madrid e ao longo da tarde sairão vários voos de repatriamento, disse o Governo de Espanha.
As primeiras pessoas a serem retiradas do cruzeiro "MV Hondius" hoje, por volta das 09:30 (mesma hora em Lisboa), no porto de Granadilla, em Tenerife, foram as que têm nacionalidade espanhola, 13 passageiros e um membro da tripulação.
Esse grupo está já a caminho de um hospital militar em Madrid, num avião que saiu do aeroporto Tenerife Sul poucos minutos antes das 12:00 (hora local e em Lisboa), confirmou a ministra da Saúde de Espanha, Mónica García, em declarações a jornalistas no porto de Granadilla.
Estão também já no aeroporto, prontos para sair num avião enviado por França, os cinco nacionais deste país que estavam no cruzeiro, disse a ministra.
O próximo grupo que vai ser desembarcado são quatro canadianos e ainda hoje, ao longo da tarde, serão retirados do barco e repatriados os nacionais do Reino Unido (22 pessoas), da Turquia (3), da Irlanda (1), dos Estados Unidos (17) e um grupo de 26 passageiros e tripulantes oriundos de diversos países que vão ser transportados pelos Países Baixos.
A operação de desembarque está a decorrer "com toda a normalidade e com todas as medidas de segurança", disse Mónica García, que confirmou que todas as 147 pessoas que estavam no barco à chegada às Canárias hoje de manhã estão sem sintomas de doença.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que está também no porto de Grandiilla, agradeceu a boa coordenação da operação, que envolve também a União Europeia.
Tedros Adhanom Ghebreyesus reiterou a mensagem de que o hantavírus é um vírus conhecido da ciência e analisado há anos pelos peritos e que este surto representa um risco baixo.
A operação que está a decorrer nas Canárias deverá prolongar-se até segunda-feira à tarde, quando está prevista a saída do último avião de repatriamento, que terá como destino a Austrália e vai levar seis pessoas de diferentes nacionalidades.
Antes, durante a manhã de segunda-feira, o navio, que tem bandeira neerlandesa, será reabastecido, também no porto de Granadilla, para poder seguir viagem até aos Países Baixos logo que terminarem os desembarques.
O navio, que esteve de quarentena em Cabo Verde, chegou hoje de madrugada às Canárias e está ancorado no porto de Granadilla, havendo 147 pessoas a bordo, entre passageiros, tripulantes e pessoal médico da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), segundo a empresa Oceandrive, a dona do cruzeiro.
O que está previsto é que desembarquem no arquipélago espanhol mais de 100 pessoas, que serão repatriadas em aviões de vários países e da União Europeia (UE).
Deverão manter-se no barco pelo menos 30 membros da tripulação.
O desembarque e repatriamento das pessoas a bordo faz-se em zonas isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto Tenerife Sul, sem qualquer contacto com a população local.
Está também isolado o percurso de cerca de 10 quilómetros entre o porto e o aeroporto.
O transporte neste percurso é feito em veículos militares.
Os tripulantes e passageiros só saem do barco quando o avião que os vai repatriar está já preparado para descolar e são levados diretamente à pista do aeroporto.
A OMS confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram neste barco. Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infetados estão já a bordo.
O barco viajava desde a Argentina até Cabo Verde, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana.
O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.









