Concorrência e Economia
(primeira anomalia) as grandes empresas dos sectores das telecomunicações, da energia e dos transportes, onde a concorrência seria essencial para o bom funcionamento da economia e de serviço aos cidadãos, são empresas protegidas pelo Estado através de regras de fidelização forçada e vivem bem em grande sintonia e com preços geralmente superiores aos preços internacionais, além de pior serviços; (segunda anomalia) por sua vez, as pequenas e microempresas, portuguesas, que na sua esmagadora maioria são comerciais, sobrevivem no mercado interno em regime de autoexploração, com níveis de concorrência absurdamente elevados, sem que o Estado se dê conta disso.
Ou seja, num e noutro caso, a economia portuguesa sofre estas duas anomalias graves, em que apenas o sector exportador vive em regime de concorrência plena, sabendo-se, todavia, que as exportações nacionais são as mais baixas de entre todos os países europeus da nossa dimensão.
Como dito antes, as empresas pequenas e médias são na sua esmagadora maioria comerciais – pequenas lojas de roupa e sapatos, cabeleireiros, manicures, cafés, restaurantes, pastelarias, minimercados, limpezas, pesca artesanal, pequena agricultura, reparações, pequena construção e miríades de serviços.
Trata-se de empresas, por vezes existem duas ou três na mesma rua, que têm níveis de produtividade muito baixos, nascem e morrem aos milhares todos os anos porque as pessoas que nelas trabalham não encontram alternativas de emprego.
Surgem por vezes novos sectores, por exemplo os tuk-tuk que se dedicam ao turismo, ou os serviços de levar alimentos a casa, ou o novo serviço UBER de transporte de passageiros nas cidades, novos sectores que no início tiveram algum sucesso, mas que rapidamente cresceram em quantidade da oferta e entraram na mesma concorrência destrutiva das empresas já existentes.
Penso que esta situação de excesso de empresas e de trabalhadores na pequena economia se deve a duas causas: (a) os portugueses gostarem da liberdade de dependerem de si próprios, se possível sem horários definidos; (b) a não existirem empresas industriais em dimensão e em número suficiente para empregar esses muitos milhares de trabalhadores com baixas qualificações, sabendo-se que o sector industrial é o único que pode empregar esses trabalhadores através de um pequeno período de formação, dado as tarefas estarem divididas em operações repetidas.
As empresas industriais têm em relação às pequenas empresas da nossa economia maior produtividade, nomeadamente devido a fazerem investimentos de capital (máquinas e tecnologia) e não apenas trabalho sem capital na generalidade das nossas empresas de pequena dimensão, nomeadamente comerciais. .
Como é evidente, com este modelo a economia portuguesa não tem qualquer futuro no contexto da União Europeia, sendo trágico que os nossos governantes e a generalidade dos nossos economistas não deem por isso...






