Donald Trump
Erro que em democracia acontece com frequência, mas que neste caso não tem desculpa, porque foi a repetição do que já se sabia há muito depois dos primeiros quatro anos de Trump na Casa Branca.
O que demonstra, mais uma vez, a verdade da afirmação de que os regimes democráticos são apenas o menos mau de entre todos os sistemas de governo.
Neste caso, a dimensão do erro é maior porque, para o bem e para o mal, os Estados Unidos representam um poder económico e militar único no planeta, que nem sempre foi bem usado, mas que nunca atingiu os excessos a que assistimos agora.
A enormidade dos erros cometidos em apenas dois anos, as declarações erráticas e inconsistentes, as mudanças constantes do discurso, os inimigos e os amigos escolhidos e o espírito vingativo que o domina, fazem de Donald Trump um exemplar único da maldade humana.
Acresce que tudo indica que o principal objetivo da sua política de tornar a América novamente grande, que esteve na base do movimento MAGA que arrastou, porventura ainda arrasta, milhões de americanos a votar nele, terá resultados contrários aos anunciados e Trump deixará o seu país mais pobre, mais endividado e a China em melhor posição estratégia no terreno da competição global.
Para além de tudo, quando um dia se souber quais são os compromissos de Trump para com a Rússia de Putin, o seu lugar na história da grande democracia norte-americana, será estudado pelas piores razões.
Igualmente, muito terá de ser investigado na relação do dinheiro com a comunicação social e com os novos meios das redes sociais, na brutalização de milhões de votantes ignorantes.
Como interessa investigar a dimensão do efeito das campanhas externas dos inimigos da democracia no sentido de voto dos cidadãos. Sem esquecer o fenómeno de existir hoje um novo modelo de ignorância, que não resulta apenas da pobreza e da ausência de escolaridade.
A dimensão dos erros cometidos por Trump e pelos seus capangas, homens e mulheres, a brutalidade dominante dos seus discursos e o visível absurdo das suas decisões, pode dar-nos a esperança de que nas próximas eleições intercalares Trump perca as duas câmaras e se siga um processo de impeachment.
Todavia nada é certo, estamos a viver um tempo de grandes mudanças, em que a previsibilidade dos movimentos políticos pode estar em causa. Neste contexto, a incapacidade da ONU de assumir o seu papel de defesa da paz e da lei, representa uma outra tragédia do nosso tempo.
Para nós portugueses, esse facto assume uma dimensão também nacional, por ser português o Secretário-Geral. Alguém conhecido pela sua enorme capacidade discursiva e por uma memória fascinante, capaz de argumentar e ganhar todos os debates, mas intrinsecamente medroso e incapaz de assumir decisões por mais evidentes que sejam.
Quem lidou com ele no governo de Portugal sabe-o bem e a dimensão do erro da sua escolha ficará na memória dos povos. E não adianta afirmar a famosa falta de poderes do Secretário-Geral, porque nunca existe poder em qualquer cargo para quem não o sabe usar e, neste caso da ONU, é enorme o poder resultante do fácil acesso à comunicação social globalizada, algo que Guterres usou pouco e mal.
Em resumo, esperemos que este tempo de grandes tempestades, possa dar lugar há sobrevivência da inteligência e da razão humanas, no sentido de que possamos ultrapassar o buraco em que estamos metidos. A esperança é a última coisa a morrer.






