
Primeiro-ministro cancela participação em retiro de líderes da UE
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cancelou hoje a sua participação no retiro informal de líderes da União Europeia (UE), que se realiza na quinta-feira na Bélgica e será dedicado à competitividade europeia, devido à situação de calamidade em Portugal.
Fontes governamentais indicaram à imprensa portuguesa em Bruxelas que Luís Montenegro, que tinha previsto deslocar-se – tal como todos os restantes líderes da UE – ao castelo belga de Alden Biesen, a cerca de uma hora de Bruxelas, já não o vai fazer devido à situação de calamidade e ao risco de cheias no país.
As mesmas fontes disseram não saber, até ao momento, em quem o chefe de Governo ou de Estado da UE o primeiro-ministro português irá delegar a sua participação, já que, apesar de as cimeiras europeias exigirem a presença física dos líderes europeus, tal delegação é permitida caso o país fique sem representação.
Isto acontece em situações inesperadas, de doença ou de agenda.
Luís Montenegro já chegou a delegar, temporariamente, a sua participação no seu homólogo da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, que é da mesma família política (Partido Popular Europeu) e da mesma região (Europa do sul).
Os líderes da UE vão reunir-se na quinta-feira, no Alden Biesen, num retiro organizado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, para discutir como aumentar a competitividade comunitária, face aos concorrentes Estados Unidos e China, quando se discute uma Europa a duas velocidades na cooperação financeira.
O debate quinzenal com o primeiro-ministro previsto para hoje foi inicialmente adiado para sexta-feira mas só logo à tarde, em reunião de conferência de líderes, se fixará a data definitiva. O adiamento deve-se às consequências da intempérie no país, com inundações, cheias e aluimentos, e mais de 60 concelhos em situação de calamidade.
Na terça-feira à noite, a questão do adiamento do debate quinzenal começou a ser ponderada por alguns líderes parlamentares, sobretudo, depois da decisão da Câmara Municipal de Coimbra tomar a medida preventiva de retirar cerca de três mil pessoas face ao risco de as margens do Mondego colapsarem.
No plano político, o debate quinzenal agora adiado para sexta-feira será o primeiro após a demissão de Maria Lúcia Amaral das funções de ministra da Administração Interna, pasta que, transitoriamente, será assumida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.








