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Autarca de Gouveia reconhece importância de Barragem de Girabolhos mas quer contrapartidas

Projeto abrange território dos concelhos de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde

O presidente da Câmara de Gouveia, Jorge Ferreira, reconheceu hoje a importância estratégica da construção da Barragem de Girabolhos para a gestão da água e mitigação das cheias no Baixo Mondego, mas exigiu contrapartidas para o território.

“A nossa posição é claramente favorável à sua concretização”, referiu Jorge Ferreira, em comunicado enviado à agência Lusa, considerando que, no entanto, deve haver “benefícios claros” para este concelho do distrito da Guarda.

O autarca frisou que “Gouveia não pode ser apenas o território que suporta parte dos impactos do projeto”.

“Esta barragem tem de traduzir-se em oportunidades reais de desenvolvimento para a nossa população, para a agricultura, para o turismo e para a economia local”, defendeu.

Apesar de a infraestrutura não se localizar fisicamente no concelho, “uma parte significativa da bacia hidrográfica associada à futura albufeira” fica no seu território, o que o torna “parte diretamente interessada no processo”.

No entender de Jorge Ferreira, a garantia de disponibilidade de água é essencial para que seja possível modernizar a atividade agrícola e atrair investimento.

“Sem água não há agricultura competitiva, não há valorização dos produtores locais e não há capacidade de fixar população. A Barragem de Girabolhos pode ser um verdadeiro motor de transformação do mundo rural em Gouveia”, sublinhou.

Para a autarquia, a futura albufeira também tem “um forte potencial turístico”, complementando a Serra da Estrela no desenvolvimento de atividades de lazer, desportos náuticos e valorização das zonas fluviais.

“Estamos perante uma oportunidade para criar um novo eixo de turismo de natureza, capaz de gerar emprego e dinamizar a economia local de forma sustentável”, considerou, lamentando que o projeto tenha uma década de atraso, com “custos reais” para toda a região.

Jorge Ferreira disse esperar também que a concretização da barragem seja acompanhada por investimentos estruturantes nas acessibilidades.

Segundo o autarca, “este projeto tem de vir associado à melhoria das ligações rodoviárias, nomeadamente ao eixo Gouveia–Mangualde e ao acesso à [autoestrada] A25”.

A Câmara de Gouveia garantiu estar disponível para colaborar ativamente no desenvolvimento do projeto.

“A Barragem de Girabolhos tem de ser um ponto de viragem para Gouveia. O município quer estar ao lado das soluções, do investimento e de uma política pública que acredita no interior e não desiste dele”, frisou.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou, na terça-feira, que o concurso público para a construção da barragem de Girabolhos vai ser lançado até final de março.

“Vou fazer um despacho a solicitar à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para lançar o concurso de Girabolhos até ao final de março”, informou Maria da Graça Carvalho, em Coimbra, onde participou numa reunião daquela entidade sobre a situação no Mondego e definição e articulação de medidas de mitigação e controlo de cheias na região.

A APA vai agora definir o calendário da construção e dos objetivos da barragem de Girabolhos.

O projeto abrange território dos concelhos de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu.

A construção da barragem de Girabolhos está incluída na estratégia nacional ‘Água que Une’ para o abastecimento e distribuição eficiente de água.

Era um de 10 novos empreendimentos do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, lançado pelo governo de José Sócrates, mas a sua construção foi cancelada em abril de 2016, quando já tinha sido concessionada à Endesa.

Fevereiro 7, 2026 . 12:30

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