O terror de uma aliança entre Trump e Putin
Porque que outra razão pode justificar o comportamento de um presidente da nação líder do Ocidente, nação que durante mais de cinquenta anos combateu os regimes ditatoriais da Rússia, o chamado eixo do mal do presidente Reagan, acabar agora a propor um plano de paz para a Ucrânia que serve às mil maravilhas todos os objectivos do presidente russo?
Pessoalmente não encontro outra explicação que não seja Donald Trump ter sido um dos vários jovens recrutados na juventude pelo KGB e estar agora a ser chantageado por Putin sob a ameaça de tornar esse acontecimento público.
Ou o que pode justificar que o encontro realizado entre os dois no Alasca tenha terminado tão rapidamente e com a cedência de Trump a todas as exigências do líder russo? Ou o que pode justificar os sucessivos prazos e adiamentos de Trump para assumir posições punitivas da invasão da Ucrânia? Ou o que pode justificar um comportamento tão submisso da parte de alguém que é por natureza excessivo e dominador?
Não encontro qualquer outra explicação que seja razoável e tenho apenas a lamentar de que tudo aquilo que já escrevi sobre o assunto não possa ser mais do que uma percepção. Provavelmente nunca saberemos ao certo se é algo mais do que isso.
Entretanto, por todas estas razões, não é credível que o plano de Trump para a Ucrânia conduza ao desejado cessar-fogo e a alguma forma de acordo com a Ucrânia, apesar do desejo do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky seja parar com a morte de mais ucranianos. Presidente ucraniano que se vê envelhecer a cada dia que passa, num cargo que ninguém com juízo quereria, mas que ele desempenha com notável lucidez. Zelensky é por vezes comparado com Churchill e com toda a propriedade.
Mas agora, o que vai ser da Ucrânia? Depende da lucidez dos líderes dos principais países da União Europeia, afinal da Europa das nações de Charles de Gaulle, porque a União Europeia como tal não tem as condições mínimas para se entender e para decidir enviar as armas necessárias para a Ucrânia, porque são principalmente as armas que estão em causa.
Também porque a União Europeia não consegue decidir sobre a utilização do dinheiro russo congelado para financiar a Ucrânia na guerra que Putin criou. Algo que muitos esquecem: a guerra existe por uma decisão de Putin e não se compreende qual seja o problema da Rússia pagar parte dos custos.
Pessoalmente não compreendo a hesitação, que só pode resultar de não haver na União Europeia alguém que esteja em condições de dirigir o esforça de uma guerra. Não será certamente António Costa. Voltando a Trump é inacreditável o ponto a que chegou a democracia norte americana, com um presidente que faz negócios da família misturados com os negócios da guerra e da paz.
Ou que se permite lançar pela borda fora mais de um século de políticas de convergência com a Europa e com o restante planeta democrático, políticas lideradas sem interrupção por uma dezena dos seus antecessores, para mais em aliança com o principal inimigo do mundo livre.
Trata-se de um filme de terror, nomeadamente porque Putin pode convencer-se a usar impunemente o seu arsenal nuclear na suposição de uma não reacção dos Estados Unidos. Hipótese que deverá ser colocada no centro das políticas europeias em relação à Rússia.






