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25 DE NOVEMBRO PÔS FIM AO “VERÃO QUENTE” QUE AGITOU O PAÍS

Há 50 anos, com Portugal à beira de uma guerra civil, forças leais à democracia pluralista comandadas por Ramalho Eanes anularam um golpe militar, acabando com o PREC instalado pelos governos comunistas de Vasco Gonçalves.

Celebra-se hoje meio século de um acontecimento marcante na vida do país. Associado ao fim do PREC (Processo Revolucionário em Curso, iniciado pós-revolução de Abril), o dia 25 de Novembro de 1975 ficará também na História como o início da democracia pluralista em Portugal.

Com Lisboa em estado de sítio parcial, os acontecimentos militares desse dia retiraram toda a influência ao “gonçalvismo” comunista e apaziguaram um país envolvido em extremismos e confrontos, a braços com o designado “Verão Quente”.

Volvidas quase cinco décadas, as palavras de descrição estarão longe de explicar as emoções de um país que esteve, segundo analistas e historiadores, à beira uma guerra civil, mas podem dar, numa breve síntese, uma imagem de um dos períodos mais intensos da História nacional.

Após o 25 de Abril de 1974, Vasco Gonçalves, da comissão coordenadora do Movimento das Forças Armadas e próximo do PCP, assume funções de primeiro-ministro de sucessivos governos provisórios, desde 18 de julho de 1974 até 19 de setem­bro de 1975.

Para contextualização, lembre-se que a Junta de Salvação Nacional, junta militar que exercia as funções fundamentais do Estado, nomeara o general António de Spínola como Presidente da República (PR). Sem apoio do PS e do PCP na solução que preconizou para a questão colonial (autodeterminação das províncias ultramarinas), e depois de apelos à “maioria silenciosa”, Spínola renuncia a 30 de setembro de 1974, sendo substituído por Costa Gomes, mas está na base do “Verão Quente” de 1975. Isto porque apoiou uma tentativa falhada de golpe militar, a 11 de março de 75 (ataque ao RAL 1, em Lisboa), desencadeada por militares afectos ao ex-PR António de Spínola, que pretendiam travar o avanço comunista e evitar uma alegada “matança na Páscoa” que estaria em preparação.

O falhanço militar seria aproveitado por Vasco Gonçalves para radicalizar o PREC, surgindo o “Verão Quen­te”. Apoiado pelo COPCON (Comando Operacional do Continente, liderado por Otelo Saraiva de Carvalho), Vasco Gonçalves desmantela grupos económicos, nacionaliza bancos, seguradoras, transportes, comunicações e grandes empresas, determina a reforma agrária e a ocupação de terras, apodera-se e procura gerir meios de comunicação social, num controlo de poder que teria a oposição do PS, do PPD, do CDS e da Igreja católica.

A tentativa de imposição de um modelo de administração comunista de linha soviética criara já rupturas sociais, com extremismos à esquerda e à direita, mas também com a forte maioria da população, moderada, virada para a Europa ocidental, simpatizante da CEE e da NATO.

Cerco Na Assembleia Da Republica

ATAQUES BOMBISTAS

No período mais intenso do PREC, no “Verão Quente”, a violência sente-se, é profunda: há ataques bombistas, casas e terras tomadas de assalto, ameaças, um clima tenso, com divisões militares e políticas.

É preciso lembrar que havia várias forças no terreno. É neste mosaico social que ganha força a moderação, que viria a ter visibilidade com o Grupo do Nove, constituído por oficiais das Forças Armadas, do Conselho da Revolução, liderados por Melo Antunes e de que fazia parte Ramalho Eanes.

PS AFASTA-SE DO PCP

A 25 de abril de 1975, ocorreram as eleições para a Assembleia Constituinte, concretizando-se a derrota democrática do PCP. Mário Soares, líder do PS, que se aproximara dos comunistas no pós-25 de Abril, aparentemente numa estratégia de maximizar simpatias, afasta-se do PCP, chefiado por Álvaro Cunhal, acusando-o de ser responsável pela situação caótica do país e de querer cercear as liberdades e impor uma ditadura comunista.

Nas eleições, PS, PPD e CDS elegem 214 deputados constituintes (em 250), adeptos da democracia pluralista, da adesão à Europa e de um regime semi-presidencialista. Do lado dos partidos defensores de uma república popular - a Frente de Unidade Revolucionária - onde se incluía o PCP, há apenas 26 deputados.

Os resultados das eleições clarificariam visões para o futuro do país, nomeadamente do PS e do PPD, e agravariam o conflito de legitimidade de poder entre partidos, primeiro-ministro, MFA e Conselho da Revolução. Em crise de autoridade, o Governo de Vasco Gonçalves é questionado e pedida a sua demissão, pelo PS. O Presidente da República Costa Gomes acabaria por exonerar o primeiro-ministro e, já com um Conselho de Revolução remodelado, sem elementos pró-PCP, é elaborado o programa do último governo provisório, o VI, empossado a 19 de Setembro, sob liderança do almirante Pinheiro de Azevedo.

E aqui começa outra fase do “Verão Quente”. O Conselho da Revolução (CR) e o MFA estão divididos e os grupos radicais continuam organizados. A 12 de novembro uma manifestação sindical cerca os deputados no interior do Parlamento, impedindo-os de sair durante 36 horas.

Uma semana depois, no dia 20, o Governo declara-se em greve por falta de condições administrativas. Perante a possibilidade de um ataque de forças extremistas de esquerda, vindo das próprias forças armadas, o Grupo dos Nove prepara um contra-golpe, num plano militar elaborado por Ramalho Eanes para garantir que o país avançaria para uma democracia pluralista.

NA MANHÃ DE 25 DE NOVEMBRO, TROPAS PARAQUEDISTAS DE TANCOS OCUPAM O COMANDO DA REGIÃO AÉREA DE MONSANTO E SEIS BASES AÉREAS

Na manhã de 25 de Novembro, tropas paraquedistas de Tancos ocupam o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas, exigindo a demissão de Morais da Silva, Chefe de Estado Maior, que dias antes mandara passar à disponibilidade cerca de mil militares de Tancos. Avança, de imediato, o contra-golpe de Ramalho Eanes. Sob ordens de Jaime Neves, o Regimento de Comandos da Amadora cerca o Comando da Região Aérea de Monsanto e prende os militares revoltosos.

Nessa noite, o Presidente da República chama a Belém os principais comandantes militares, num ato que viria a ser considerado como impeditivo da dispersão de autoridade, e decreta o estado de sítio em Lisboa. No dia seguinte, os comandos da Amadora atacam e controlam o Regimento da Polícia Militar, unidade próxima das forças políticas de esquerda revolucionária. Antes da rendição, há vítimas mortais de ambos os lados.

São recuperadas as bases aéreas. Acabara o PREC, aqui resumido de uma forma muito sumária, mas não as divisões, só diluídas com o tempo.

25 Novembro
Novembro 25, 2025 . 07:30

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