
“Anoitecer” estreia no dia de abertura do FINTA 2025
De amanhã a sábado, o Festival Internacional de Teatro ACERT levará a palco nove espetáculos provenientes de quatro países: Portugal, Espanha, Canadá e Brasil. O arranque do evento contará com a estreia nacional do espetáculo “Anoitecer”, uma criação da Cem Palcos em coprodução com o Novo Ciclo ACERT que cruza teatro e música com histórias recolhidas junto de migrantes a viver em Portugal.
O encenador do espetáculo, Graeme Pulleyn, referiu que se trata de uma criação artística “que cruza o teatro e a música e que procura ser muito dinâmico, com um lado poético e comovente, mas também com uma vertente satírica”.
A participação da comunidade local reforça a dimensão colaborativa e afetiva desta proposta, que parte da memória, da oralidade e do encontro entre gerações. O encenador entende que esta criação pode ser entendida como “um ato político, embora não de política partidária”, na medida em que se debruça sobre combates, como “combater contra a intolerância, a ignorância e a falta de espaços, de lugares de encontro para todos nós, inclusive incluindo as pessoas imigrantes que fazem parte das nossas comunidades”.
“Anoitecer” resultou de encontros semanais entre artistas profissionais e não profissionais, “que se alimentam mutuamente”, com histórias, vivências e inclusivamente canções de embalar, “um dos atos universais do ser humano, que canta para adormecer a sua criança”.
Em palco, vão estar 14 artistas, “sete dos quais são músicos e atrizes profissionais e as outras sete pessoas são pessoas da comunidade”. Estas pessoas, “vão contar as suas próprias histórias, mas também contam histórias de outros imigrantes, porque não é simplesmente um relatar de histórias”.
O espetáculo conta com intervenientes oriundos do Brasil, do Congo, da Gâmbia, São Tomé e Príncipe, entre outros.
“É sobre a alegria de viver, da qual também faz parte a tristeza e o sofrimento, abordámos tudo isto nos nossos encontros e eles participaram em tudo, na criação dos textos, nas canções e nas músicas que cantam, nos movimentos e nas imagens que se criam com corpos, para fazermos do palco um lugar de festa e um lugar de encontro”, enfatizou Graeme Pulleyn.
O espetáculo estreia em Tondela, seguindo para Viseu, Águeda, Carregal do Sal, Ílhavo e Santarém. “Estamos a tentar criar aqui uma comunidade e nos espetáculos seguintes haverá participações diferentes, com outras histórias de vida, reclamações e muita risada, porque, acima de tudo, é uma celebração daquilo que nos une pela positiva, que é a resiliência e a capacidade de todos os seres humanos de enfrentarmos os desafios da vida”, concluiu.
“Anoitecer” marca ainda o regresso à ACERT do encenador, que ali nasceu, enquanto profissional, há 30 anos.








