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Escavar/Scavare, a peça da Ritual de Domingo sobre traumas escondidos

Espetáculo, que mistura português e italiano, estreia esta quarta-feira no Polo 1 do Círculo de Criação Contemporânea de Viseu

Já estamos no outono, mas ali era primavera. A música de fundo dava-nos um conforto difícil de explicar, mas sentimo-nos logo em casa. E depois percebemos: o ambiente algo leve tentava amparar as memórias e traumas que ali se descobririam mais tarde. Espreitámos um pouco do inconsciente de Joana, uma personagem que se faz acompanhar por uma “vozinha” e que se debate até conseguir entrar na sua casa de infância. Este é o espaço onde se cruza com medos, segredos e monstros do passado. O espetáculo sobe esta quarta-feira ao palco do Polo 1 do Círculo de Criação Contemporânea de Viseu e fica em cena até 28 de setembro. Em novembro, é apresentado em Itália.

A nova peça “ Escavar/Scavare”, da companhia Ritual de Domingo, conta com texto da dramaturga italiana Letizia Russo, e encenação e interpretação de Sónia Barbosa, em parceria com a atriz italiana Giada Prandi. “Joana tem algo a fazer. Para o fazer, terá de escavar, não apenas na casa que deixou e à qual agora volta, mas nas profundezas da memória. Escavar a memória é um ofício perigoso, mas Joana não pode evitar”, pode ler-se na sinopse da peça.

Aos jornalistas, Sónia Barbosa adiantou que a peça que é agora apresentada ao público nasce de sete anos em que esteve por terras italianas. “Este projeto, em particular, nasce de colaborações já muito antigas. Vivi em Itália durante sete anos, entre 2002 e 2009, e nessa altura conheci e trabalhei em diversos contextos que estão agora neste projeto”, referiu, destacando “uma equipa meia italiana, meia portuguesa, e uma grande vontade de colaborar com estes parceiros de longa data”.

Quanto ao texto, esse tem que se lhe diga. É algo inédito, cuja “escrita é muito particular, poética, e cria sempre umas realidades que não são bem quotidianas”, mas que vagueiam “entre a realidade e o sonho, entre o interior e o exterior”.

O grande desafio foi, conta a encenadora, “transformar essa escrita em cena”, uma vez que “é tão interior, muito da memória e do passado”. Além disso, é uma obra que “fala muito do trauma e da maneira como podemos, ou não, sair e confrontar-nos com o trauma”, explicou, acrescentando ainda “uma coisa que acho muito bonita que é o tempo e como o tempo, muitas vezes, é por si só uma das formas de superarmos as coisas”.

Um espetáculo com duas línguas à conversa

E porque é um espetáculo que viaja pelo interior, os pensamentos ganham vida em palco por entre duas línguas, português e italiano. “Quem está a ver o espetáculo reconhece uma língua, mas depois há outra língua que é meio estranha, mas que se mantém como se fosse normal neste mundo. É o outro desafio do espetáculo que é manter em cena duas línguas, obviamente há uma legendagem que pretende também ajudar”, disse Sónia Barbosa.

Peça à parte, a Ritual de Domingo destaca também a importância de “mais dias em cena”. “Acreditamos que o teatro também tem que viver na sua própria cidade”, referiu Cristóvão Cunha, responsável pela direção de produção.

A cenografia é de Ana Limpinho e a música original é composta por Stefano Switala. Para além da estreia absoluta em Viseu, o espetáculo tem apresentações previstas em Montemuro, Lisboa e, no mês de novembro, em Roma.

Setembro 22, 2025 . 12:51

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