
Família vítima dos incêndios quer reconstruir casa consumida pelas chamas
Um incêndio que deflagrou na passada quarta-feira, 13 de agosto, em Vila Boa, alastrou rapidamente pelas aldeias vizinhas e acabou por consumir uma habitação na Quinta da Madalena, freguesia de Ferreira de Aves, no concelho de Sátão. A casa pertencia a uma sénior de 87 anos e era também habitada por um dos seus filhos.
Daniela Cunha, neta da proprietária, contou ao Diário de Viseu que o fogo avançou de forma descontrolada entre várias aldeias, sem que houvesse meios de socorro suficientes no terreno. “Na altura do incêndio, a única pessoa que estava ali na zona da casa era um tio meu, que conseguiu ainda proteger a casa dele e a de um primo. Mas estava sozinho, ele e a esposa, e não havia bombeiros que conseguissem chegar a tempo”, relatou.
A família, que vive em Viseu, correu para o local, mas o avanço das chamas impediu-os de chegar à aldeia. “Quando chegámos a Pinheiro, já não conseguimos passar, estava tudo a arder. Tivemos de ficar por ali a ajudar os moradores, porque até os meios de socorro não conseguiam organizar-se para acudir a toda a população”, recordou Daniela.
Quando finalmente conseguiram aceder à Quinta da Madalena, depararam-se com um cenário devastador. “A aldeia é muito pequena, habitada sobretudo por seniores, e estava tudo consumido”, assumiu, relatando que “foi graças à ajuda de alguns imigrantes, que estavam de férias, que o fogo começou a ceder”. “Mas a casa da minha avó não resistiu, foi completamente engolida pelas chamas”, lamentou.
O incêndio destruiu o lar e todos os bens que se encontravam no interior. Roupas, camas, cozinha, frigorífico, fogão de lenha, “tudo desapareceu em questão de segundos”. “Até as botijas de gás rebentaram. Foi um choque enorme, sobretudo para a minha avó, que só soube mais tarde”, contou a neta.
Entre as perdas, a família lamenta também o desaparecimento de Faísca, o cão da casa, um pastor-alemão que ainda não foi encontrado. “Soltaram-no durante o incêndio, mas não voltou. Temos esperança que esteja vivo, a esperança é a última a morrer”, disse Daniela.
Apesar do choque, a família tem procurado forças para reerguer-se. Foi criada uma campanha online de angariação de fundos, com uma meta inicial de 12 mil euros. “Sabemos que não vai chegar para reconstruir tudo, talvez nem para o telhado, mas é uma ajuda. O importante é termos um ponto de partida”, explicou.
Mais do que paredes, a casa representava também o espaço de vida da idosa, onde cultivava batatas e feijão, “o seu passatempo preferido”.
“Perdeu-se tudo: a casa, os bens, o quintal. Mas com a ajuda da família e dos amigos acreditamos que vamos conseguir seguir em frente”, concluiu Daniela.
Entre a dor da perda e a incerteza do futuro, fica não só uma casa destruída como a imagem de uma aldeia marcada pelas chamas. Na Quinta da Madalena, onde quase tudo se perdeu em minutos, o fogo deixou cicatrizes profundas, mas a esperança — alimentada pela solidariedade e pela vontade de recomeçar — continua a arder mais forte do que as próprias chamas.







