
Um ano de muita esperança no museu do “nosso” Aristides de Sousa Mendes
Por vezes, sente-se que o mundo tem sede de bons exemplos de humanidade. Talvez pela falta dela que já nos é comum a tantos dias do nosso quotidiano. Desta vez, não se tratou de discursos bem compostos, nem de aplausos a frases bonitas. Sentimos, verdadeiramente, o coração a ceder à causa mais humana que já passou pela nossa região. Também não escapámos às dezenas de olhares ensopados que se foram multiplicando pela Casa do Passal. Isto porque encontrámos as mãos de Aristides de Sousa Mendes, com o seu museu de cenário. E, como tantos outros, perguntamo-nos: estará este homem orgulhoso do primeiro ano deste “abrigo”? Certamente que sim.
As comemorações do 1.º aniversário do Museu Aristides de Sousa Mendes (MASM) não ficaram indiferentes à comunidade de Cabanas de Viriato, mas também contaram com a presença de Patrícia Lamas, adjunta do secretário de Estado da Cultura, de Joana Pais, diretora executiva do MASM, além de Paulo Catalino Ferraz, presidente da Câmara de Carregal do Sal, e de Silvério Sousa Mendes, familiar do ex-cônsul de Bordéus.
Depois de um apontamento musical a cargo de Pedro Abrunhosa, a “mulher do leme” deste museu contou uma história bonita sobre um projeto que ainda tem muito para crescer. “O nosso museu faz um ano. É um bebé a dar os seus primeiros passos, com muito para crescer, aprender, melhorar e desenvolver, mas já tem uma personalidade vincada, uma base muito sólida, uma espinha dorsal, pais fundadores, padrinhos e madrinhas e família alargada para o ajudar a crescer e tornar-se num adulto saudável, cheio de vitalidade e energia”, começou por dizer Joana Pais.
Não esqueceu a importância da visão de “um museu com projeção internacional”, muito menos o “número redondo de 35 mil visitantes nos primeiros 12 meses de vida, que o colocam num percentil de crescimento excelente”.
A diretora do MASM destacou ainda o trabalho dos serviços educativos, uma equipa que recebeu 66 escolas de norte a sul do país, totalizando quatro mil alunos, entre visitas guiadas, atividades lúdico-pedagógicas e dias temáticos. Nos meses de setembro e de dezembro, acrescentou, “foi o museu com mais visitas a nível nacional”, um dado que mereceu bonitos aplausos.
Num ano, o museu de Artistides também acolheu as visitas de corpos diplomáticos, investigadores e figuras de relevo, tendo celebrado protocolos de colaboração com embaixadas, centros culturais e museus “amigos”. “Ao nível da investigação, demos pequenos passos importantes e este bebé está quase a andar sozinho com o nosso centro de documentação a ser inaugurado no próximo ano”, adiantou, somando a possibilidade da abertura de algumas bolsas de investigação.

O presidente que não descansou até ver obra feita
Foi também de braços dados com Aristides de Sousa Mendes que Paulo Catalino Ferraz subiu ao palco de uma casa que, na verdade, “nos enche a todos”. Há um ano, em plena inauguração, o sentimento era o de “dever cumprido”. Tudo por uma causa que chamou de sua.
“Sentia-me um privilegiado por ter tido a oportunidade de contar esta história, não só para a minha vida e para o meu legado, mas sobretudo tentar encontrar neste momento tão digno que foi a inauguração deste espaço, a possibilidade de darmos dignidade a um homem que precisava ainda deste espaço requalificado para sentir que tinha tido o reconhecimento, não só do Estado, das pessoas, mas sobretudo do Deus e da fé que o inspirou a fazer tudo isto”, disse o presidente da Câmara de Carregal do Sal.
E, por tudo isto, este autarca falou “dos atos mais gratificantes que a política e este mandato autárquico me deram para ser feliz e ser hoje um ser realizado por ter tido esta oportunidade. Na sua intervenção, Paulo Catalino Ferraz não deixou de referir que o museu de Cabanas de Viriato deve ser encarado como uma prioridade nacional. “Para além da obra física, ninguém acreditava que éramos capazes de fazer o processo museográfico que fizemos nesta casa. E a verdade é que não só conseguimos concretizar o espaço físico, como também conseguimos fazer uma exposição com toda a dignidade”, destacou.
E com toda a sinceridade, “para mim é claramente a melhor página da história, a mais linda história do século XX”, assinalou.







