
“Hoje celebramos a excelência do vinho do Dão e dos seus produtores”
A excelência do vinho do Dão mas também a resiliência dos seus produtores e das suas gentes foram celebradas durante a gala de entrega dos prémios do Concurso dos Melhores Vinhos do Dão Engarrafados. E o espaço escolhido não podia ter sido melhor: o Palácio dos Condes de Anadia, em Mangualde, onde a história se encontra em todos os recantos de um edifício do século XVIII, mas também nos seus jardins e na mata que o envolvem.
E foi exatamente num desses jardins, debaixo de um enorme plátano que aconteceu a cerimónia numa iniciativa da Comissão Vitivinícola Regional do Dão. A chuva ameaçou, mas são Pedro ajudou. Afinal, vinho e água não ‘casam’ lá muito bem.
Com as presenças dos ministros da Presidência, António Leitão Amaro, e da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, foi o presidente da Câmara de Mangualde, Marco Almeida que iniciou os discursos agradecendo aos produtores e considerando que “mais do que um produto, se celebra a alma de uma região”.
“O vinho do Dão é há séculos embaixador da nossa cultura, da nossa terra e do saber das nossas gentes. É fruto de um território único, de um clima exigente e de mãos que com paixão e resiliência cuidam da vinha e transformam uvas em arte líquida”, começou por afirmar Marco Almeida, reconhecendo que “Mangualde tem o orgulho de fazer parte desta região vitivinícola onde existem 27 produtores e engarrafadores, cerca de cinco milhões de quilos na campanha de 2024-25 distribuídos por cerca de 985 hectares de vinha por encostas que contam histórias, por vales que produzem excelência e por famílias que perpetuam tradições”.
Um concelho de queijo e de maçã que ‘casam’ tão bem como um bom vinho do Dão, tinto, branco, rosé ou com um espumante.
“Ainda há apoios que não podemos perder”
Por sua vez, o ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, falou de números, de apoios e de apostas.
Começando por referir que “o país conseguiu um superavit de 800 milhões de euros no setor do vinho que aumentou as exportações em 4,5 % e diminuiu as importações em cerca de 20%”, o governante considerou que é preciso “fazer mais”.
“Face à excelência dos nossos vinhos, à qualidade das nossas e dos nossos enólogos, nós podemos e devemos apostar mais, consolidar os mercados, abrir para outros”, afirmou, lembrando que foi “aberto um concurso de 20 milhões de euros e que as candidaturas foram 12 milhões de euros”, o que significa que “existem ainda montantes disponíveis que não se podem perder”.
Recordando o plano para o vinho iniciado em 2024 com o aumento da fiscalização, com a desativação de montantes destinados destinados à promoção do IVDP e do IVV que eram sempre, e inaceitavelmente, desativados”.
“Desde 2020 até 2024 nós utilizamos dinheiro sobretudo de cidadãos europeus para a destilação no valor de 54 milhões de euros, o que não pode ser, pois não é solução”, afirmou o ministro na gala que sexta-feira reconheceu o trabalho e a qualidade dos produtores e dos seus vinhos, explicando que “avançando para destilação tem de haver um compromisso para uma alteração, uma substituição, caso contrário nunca se conseguirá o equilíbrio entre a oferta e a procura”.
Sublinhando um outro passo importante que se prende com a importação, José Manuel Fernandes explicou que “quem importou vinho nos últimos três anos não foi permitida a destilação em 2024”, considerando que “era inaceitável que se importasse vinho a um preço e a destilá-lo a um preço superior fazendo disso um negócio e prejudicando o mercado”.
“Avançámos também com uma linha de 100 milhões de euros para as cooperativas que só receberam as verbas pagando ao produtor”, afirmou , garantindo que o plano para o vinho é para continuar”, apostando igualmente, “no enoturismo onde as CCDR e os programas operacionais são bastante importantes”.
Adiantando que se está também a “trabalhar num plano para as cooperativas, com verbas do Fundo Ambiental com o objetivo da eficiência energética e outra parte com o Compete 2030”, onde a reestruturação das dívidas também com o apoio do Banco Português de Fomento, a possibilidade de fusões, a capacitação é absolutamente essencial”.
“Há ataques inaceitáveis ao setor do vinho”
Enaltecendo o trabalho de todos, desde os produtores até às comissões vitivinícolas, o governante sublinhou o apoio de 375 mil euros para CVR Dão a promoção do Dão para países terceiros e 83 mil euros para o mercado interno e afirmou que “ainda há recursos para este objetivo”. Lamentando o “ataque global, mas também interno, ao setor do vinho que é inaceitável”, o ministro adiantou que “o vinho consumido com moderação e responsabilidade nunca fez mal a ninguém”.
Depois do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, ter recordado os tempos em que o vinho do Dão se vendia sobretudo em garrafão, o presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão sublinhou o facto de se estar a “celebrar a qualidade do vinho do Dão nesta região centenária de Portugal”.
“Estes concursos distinguem a qualidade e constituem um instrumento de promoção dos nossos produtores”, afirmou Arlindo Cunha, avançando que esta gala de entrega de prémios aos melhores engarrafadores da região poderá acontecer em Nelas em 2026”.







