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De Viseu até Fátima, caminham com fé e com “uma sensação que não se explica”

Como manda a tradição, o grupo de peregrinos da freguesia do Campo vai percorrer cerca de 160 quilómetros até Fátima

Pouco passava das 19h30 quando se começavam a distribuir os primeiros coletes refletores, junto ao restaurante Frequente, em Repeses. A cor laranja já os distinguia, mas virando costas ficámos a saber que são da freguesia do Campo.

Há mais de 20 anos que fazem da peregrinação uma tradição e, na verdade, todos os anos há repetentes nesta caminhada que exige “muito sacrifício, amor e fé por Nossa Senhora”. Há quem cumpra promessas do coração, mas há também quem o faça por agradecimento ou pelo desafio de caminhar até ao Santuário de Fátima. Às 20h30 de quarta-feira, cerca de 45 peregrinos partiram em missão, onde só a fé é capaz de afastar o cansaço.

Antes do arranque, conhecemos José Nunes, o organizador desta peregrinação. Perdeu a conta de quantas vezes já repetiu o trajeto até Fátima. Há “meia dúzia” de anos decidiu apoiar quem põe pés a caminho. “Fui peregrino durante muito tempo e agora faço parte da logística. A ideia começou com uma experiência menos feliz que tive, onde dei conta que havia alguma assistência que eu também poderia fazer. Começámos com um grupo de 15 pessoas e este ano já somos 45”, contou.

Com o aumento de peregrinos, frisa o responsável, foi necessário adaptar a logística “para minimizar as circunstâncias menos boas do caminho”.

E, por isso, contam-se oito pessoas de apoio à peregrinação, além de sete viaturas que acomodam malas, equipamentos de auxílio à cozinha, mesas, bancos, muita água e bens alimentares. Acordam todos os dias às 4h30 para começar a caminhada “pela fresca”, o reforço é por volta das 8h30 e a caminhada segue até ao próximo ponto de descanso. No primeiro dia, o grupo ficou por Canas de Santa Maria, em Tondela, e segue até Pombal, a última paragem antes de Fátima.

Quanto à segurança, o pedido é o de atenção ao próximo. “Fugimos sempre que possível ao alcatrão até por uma questão de saúde, é muito pior caminhar no alcatrão com o calor porque os pés aquecem muito e depois há mazelas mais complicadas. Mas pedimos sempre às pessoas para não caminharem a par, mas em fila indiana e irem com atenção”, defendeu.

Perguntámos-lhe também como é que se aguenta um caminho de cerca de 160 quilómetros. Lançou-nos um sorriso e respondeu:

“Aguenta-se com fé, são pessoas que depositam muita confiança na Nossa Senhora. Isto é uma peregrinação, os primeiros 15 quilómetros é passeio, mas depois o esforço e o sacrifício são grandes. Há sempre uma compensação ao chegar e são sentimentos difíceis de expressar, são aquelas coisas que se sentem e que as palavras não conseguem traduzir”.

Conversámos também com Lurdes Costa, uma peregrina que já cumpriu promessa e que continua a ir a Fátima para “agradecer”. “Ultimamente, tenho ido lá em agradecimento. Nossa Senhora faz-nos um milagre e nós depois temos que agradecer”, disse.

Ao lado, Pedro Lopes, da parte da logística, acabava de distribuir os últimos coletes quando nos contava que “é muito gratificante dar apoio a quem vai a caminhar”. “Temos também o apoio da junta de freguesia e de empresas privadas que nos apoiam há muito tempo”, adiantou.

E já perto de anoitecer, José Nunes lançou os últimos conselhos de segurança e seguiu-se até Tondela. Chegando a Fátima, “só quem sente”.

Maio 8, 2025 . 19:30

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