
Acidente em Urda: UE junta-se à investigação após 69 mortes
A União Europeia, através da Agência Ferroviária Europeia, vai colaborar na investigação das autoridades espanholas sobre o desastre ferroviário ocorrido em Urda, Toledo, que provocou a morte a 69 pessoas na colisão entre dois comboios de alta velocidade (TGV).
O comissário europeu para os Transportes Sustentáveis e Turismo, Apóstolos Tzitzikostas, anunciou em Bruxelas que "a autoridade de investigação espanhola pediu à Agência Ferroviária Europeia que apoiasse a investigação" e que esta "prestará toda a assistência técnica necessária, enquanto a investigação continuar".
O comissário referiu que a investigação "irá averiguar os factos", sublinhando que ainda é cedo para tirar conclusões sobre o "horrível acidente de comboio".
Tzitzikostas reiterou o seu compromisso com a segurança na mobilidade, afirmando que "para todos os tipos de transporte, a segurança será sempre a minha prioridade absoluta, a segurança não é negociável".
O acidente ferroviário em Urda, ocorrido a 28 de outubro, é o segundo com vítimas mortais este ano envolvendo comboios de alta velocidade em Espanha, depois do desastre em Adamuz, Córdova, a 18 de janeiro, que causou 46 mortos.
Na sequência do acidente em Urda, o ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, pediu a sua demissão na terça-feira.
Espanha dispõe de uma rede ferroviária de alta velocidade de 3.993 quilómetros, inaugurada em 1992, que foi liberalizada e aberta à concorrência no final de 2020.
Atualmente, três companhias operam comboios de alta velocidade no país, e a abertura à concorrência fez disparar o número de passageiros para perto de 44,5 milhões em 2025, o dobro dos registados em 2019.
Este aumento da intensidade de utilização tem provocado um desgaste acelerado do material circulante e da infraestrutura, segundo especialistas.
Sindicatos e especialistas alertam ainda que este crescimento não foi acompanhado por um reforço suficiente de meios humanos nem por investimento adequado em manutenção.






