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Passado e Futuro

Outubro 19, 2026 . 13:45
Recuso a ideia de ser o maldizente de serviço dos governos, ou dos partidos políticos portugueses, porque me limito a fundamentar tudo o que escrevo e a apresentar soluções alternativas que a experiência e algum estudo aconselham.

Algo que poucos fazem, para além dos partidos na oposição, mas esses só têm soluções de base ideológica. Além disso, as minhas posições divergentes do poder político estão justificadas por anos de continuada falência das soluções aplicadas ao longo dos anos por governos de diferentes ideologias, esquerda e direita.

Além de que muitas das propostas que deixo aos leitores, têm como base experiências bem-sucedidas noutros países. Por exemplo, quando há um quarto de século apresentei duas moções a dois sucessivos congressos do Partido Socialista, em defesa de políticas para Portugal semelhantes às que estavam a ser aplicadas na Irlanda, o resultado foi que essas políticas tiveram o sucesso que hoje lhes é universalmente reconhecido e Portugal caminha para ser o carro vassoura da Europa.

Ou seja, aqui chegado, não tenho qualquer dúvida de que as soluções que preconizo para Portugal são as certas e estou disponível para as debater seja com quem for. Infelizmente, os diferentes poderes políticos em Portugal, esquerda e direita, vivem de afirmações pobremente demonstradas, de axiomas generalistas de base ideológica, que raramente se dispõem a debater comigo ou com outros.

Aliás, não sou obviamente o único a apresentar soluções diferentes das apresentadas pelos partidos, muitos outros o fazem, mas, infelizmente, com o mesmo resultado: a indiferença do poder. Felizmente, neste jornal, são publicados textos de outros criticos dos poderes partidários, sob a designação comum: “por uma democracia de qualidade”.

A questão ferroviária é sobre isto um bom exemplo: há anos que defendo o uso da bitola europeia na ferrovia portuguesa de ligação a toda a Europa, posição que converge com a política ferroviária decidida e apoiada pela União Europeia, mas que é contrariada pelos governos do PS e da AD, que defendem a manutenção economicamente suicida da bitola ibérica. Isto é, a solução que eu, tal como outros, propomos, são soluções aceites por todos os países da União Europeia, mas com a tragédia dos principais partidos políticos portugueses continuarem cegos, surdos e mudos quanto a isso.

A questão principal agora é sobre o que fazer? O que fazer quando os dois principais partidos políticos portugueses há já muitos anos que insistem nos mesmos erros e os restantes se mantêm mergulhados nos mais diversos slogans da conjuntura e indiferentes a tudo que tenha a ver com o futuro do País? O que fazer?

Parece evidente que os diferentes Presidentes da República tiveram ao longo do tempo o poder de chamar a atenção do País para esta realidade, que já leva mais de um quarto de século, ou de apresentar uma outra visão sobre o futuro de Portugal, que saia fora das preocupações conjunturais dos partidos e dos governos.

Alguns dirão mesmo que essa deva ser a principal área de pensamento e de intervenção da Presidência. Talvez sim, mas o facto é que nenhum Presidente o fez durante os últimos trinta anos.

Finalmente, parece claro que Portugal se encontra bloqueado, pelo facto dos diferentes governos e dos diferentes partidos políticos se consumirem no tratamento de temas da conjuntura, sem qualquer preocupação evidente com a antecipação de políticas criadores de soluções que garantam um melhor futuro aos portugueses.

Também porque se o passado, com todos os erros conhecidos, serve para alguma coisa é para podermos ajuizar melhor o que fazer no futuro.

Outubro 19, 2026 . 13:45

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