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Montenegro nega ter acusado manifestantes da habitação de egoísmo

PM releu as declarações que fez na quinta-feira de manhã para concluir que, "em momento algum, disse que havia egoísmo dos manifestantes".

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, negou ter acusado os manifestantes pela habitação de egoísmo, esclarecendo que se referia a partidos políticos, movimentos associativos e organizações. Afirmou ainda ter visto imagens em que ameaçam a sua casa em manifestações.

Num encontro com jornalistas em Bruxelas, no final da cimeira do Conselho Europeu, Montenegro releu as suas declarações da manhã de quinta-feira e afirmou: "em momento algum, disse que havia egoísmo dos manifestantes".

"Eu dirigi-me a partidos políticos, a movimentos associativos e organizações no desenvolvimento da sua ação, dessas organizações. Para que fique muito claro, para que se não confunda a opinião pública", declarou.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro tinha dito que esperava que "os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, de importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não tenham de facto respaldo na sociedade portuguesa".

"E a manifestação que está a falar é elucidativa sobre isso", acrescentou na altura.

Perante os jornalistas, declarou ainda ter visto um vídeo que considerou preocupante, em que se faz um apelo direto à violência, incluindo ameaças à sua residência. "Onde até se ameaça diretamente a casa de habitação do primeiro-ministro e da sua família", afirmou.

O gabinete do primeiro-ministro divulgou o vídeo referido, em que um manifestante, perante dezenas de pessoas numa manifestação, afirma: "preciso descobrir o endereço da casa do primeiro-ministro e jogar um tijolo".

O mesmo manifestante acrescenta: "Acabou essa porra de ser pacífico. É para queimar alguma coisa, sim".

Apesar das ameaças, o primeiro-ministro afirmou ter "toda a compreensão para as pessoas que queiram respostas" na habitação e que "possam expressar a sua indignação sobre aquilo que, no entender delas, possam ser omissões das políticas ou um alinhamento menos condizente com essas ideias".

"Nós temos todo o respeito pela expressão de indignação, de preocupação, de opinião política sobre todos assuntos, e naturalmente sobre o assunto da habitação, que não é um assunto novo no nosso debate político, nem é um desafio novo no nosso país", referiu.

Montenegro salientou que o Governo está "muito à vontade" no que se refere à habitação, destacando a promoção de "um conjunto muito significativo de alterações" para aumentar a oferta pública e privada, bem como os apoios direcionados à procura que mais os necessita.

Enumerou medidas adotadas, nomeadamente o aumento do objetivo de construir e reabilitar imóveis no Plano de Recuperação e Resiliência para 59 mil, a alteração das regras de licenciamento e edificação para aumentar o mercado habitacional.

Em termos de apoios, mencionou a isenção total do IMT e do imposto de selo para jovens até aos 35 anos na compra da primeira habitação, bem como a possibilidade de garantia pública que permite o financiamento a 100% do valor do imóvel.

Questionado sobre eventuais atrasos na instalação do equipamento Starlink nas autarquias, que poderia comprometer financiamento do PRR, Montenegro assegurou que "os concursos foram lançados" e expressou convicção de que "no caso do Starlink, o calendário que está programado será cumprido. Não vamos perder financiamento".

Outubro 16, 2026 . 21:59

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